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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um balanço da década de 2000 - Hospitais

Hospital Municipal Cidade Tiradentes, São Paulo, Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo e Walter Makhohl
Hospital Municipal Cidade Tiradentes, São Paulo, Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo e Walter Makhohl
 
 
Empreendimentos privados ditam a implantação de novas unidades
 
Em abril de 2010, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, contabilizava a existência no país de 6.750 hospitais: 1.971 eram públicos (federais, estaduais e municipais), 4.612 tinham controle privado e 167 funcionavam como hospitais universitários. Dos hospitais privados, 2,9 mil atendiam ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Mesmo que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assistência pública à saúde tenha melhorado, são os empreendimentos particulares que têm ditado a implantação de novas unidades. A aquisição, pelo banco BTG Pactual, da rede D’Or, no Rio de Janeiro, que em seguida assumiu o controle do Hospital São Luiz, em São Paulo, é um indicativo de para quem os escritórios de arquitetura poderão trabalhar nos próximos anos nessa especialidade (tal como na unidade Anália Franco do Hospital São Luiz, desenhada por Siegbert Zanettini).

A presença de fundos de investimentos e instituições financeiras no controle de grupos hospitalares é relativamente recente na economia brasileira. 

O segmento de seguros do Bradesco, por exemplo, nem cogitava adquirir parte do Fleury Medicina e Saúde (o que ocorreu no primeiro semestre de 2009) quando o laboratório implantou, no Jabaquara, zona sul paulistana, sua nova sede.

A horizontalidade desejada do ponto de vista operacional foi um dos maiores desafios dos arquitetos Eduardo Martins de Mello, Renata Semin e José Armênio Brito Cruz (os dois últimos do escritório Piratininga Arquitetos), uma vez que o lote apresentava razoável declividade.

O mesmo laboratório contrataria Rocco Associados para desenhar sua unidade no Itaim Bibi, também na zona sul, um conjunto formado por dois blocos de aparência monolítica, visualmente caracterizados pelo fechamento em vidro translúcido branco, complementado por brises de alumínio no padrão madeira. 

O prédio reafirma a preocupação que o Fleury tem com a qualidade dos espaços - também a unidade Paraíso foi desenhada por profissional de alto gabarito, Paulo Mendes da Rocha, embora o projeto se encontre descaracterizado.

Na década recém-terminada, o Hospital Israelita Albert Einstein manteve sua tradição de combinar excelência no atendimento com arquitetura qualificada. No Pavilhão Vick e Joseph Safra, o escritório Levisky Arquitetos Associados elaborou o plano diretor urbanístico e o estudo de viabilidade para que o escritório Kahn do Brasil implantasse o conjunto.

Pela primeira vez, o hospital apostou na volumetria menos contida e na paleta de cores mais diversificada. O desenho que estampa parte do edifício foi retomado na unidade no bairro de Perdizes, cuja autoria é também compartilhada por Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil. O primeiro Einstein fora do Morumbi possui volumetria assimétrica e busca interlocução com o entorno.

O perfil socioeconômico dos pacientes do Fleury e do Einstein não diverge muito daqueles que procuram atendimento no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, também em São Paulo. A secular instituição adquiriu, em 1905, o lote onde está instalada, próximo da avenida Paulista.
Noventa anos depois, Botti Rubin Arquitetos desenhou para o terreno um prédio com 18 pavimentos, de linhas contemporâneas. O centro para idosos Hiléa, com áreas de lazer, hotelaria e atendimento à saúde, também é um dos bons projetos da década. Desenhado pelo escritório Aflalo & Gasperini, em São Paulo, possui forma de lâmina e tem áreas de convivência na base.

O aumento da população de idosos fez parecer que o empreendimento era viável, mas ele não foi adiante e acabou adquirido pelo governo do estado, para receber a primeira unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. Esta atende pacientes com dificuldades motoras e é administrada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

É um trabalho similar ao realizado pela Rede Sarah, que trouxe enorme notoriedade a um dos mais admirados arquitetos brasileiros da atualidade: João Filgueiras Lima, o Lelé. A experiência de Lelé com a arquitetura do setor consumou-se no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, com o Centro de Reabilitação Infantil e o hospital Sarah, elegante conjunto de 52 mil metros quadrados de área construída que contrastam com o descampado do entorno.

Situação oposta (vizinhança densa e paisagem natural desprovida de interesse) foi enfrentada pelos arquitetos José Borelli Neto, Hércules Merigo (Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo) e Walter Makhohl para implantarem o Hospital Municipal Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste paulistana. A forma é a do tradicional pavilhão - a parte superior das fachadas é caracterizada pelos elementos vazados e na inferior o desenho é de inspiração concretista.

Hospital Israelita Albert Einstein/Pavilhão Vick e Joseph Safra, São Paulo, Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein/Pavilhão Vick e Joseph Safra, São Paulo, Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil
 
Laboratório Fleury, São Paulo, Rocco Associados
Laboratório Fleury, São Paulo, Rocco Associados
 
Hospital Israelita Albert Einstein/Unidade Perdizes, São Paulo, Levisky Arquitetos Associados e Kahn do Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein/Unidade Perdizes, São Paulo, Levisky Arquitetos Associados e Kahn do Brasil
 
Laboratório Fleury, São Paulo, Eduardo Martins de Mello e Piratininga Arquitetos
Laboratório Fleury, São Paulo, Eduardo Martins de Mello e Piratininga Arquitetos
 
Centro de idosos Hiléa, São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos
Centro de idosos Hiléa, São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos
 
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, Botti Rubin Arquitetos Associados
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, Botti Rubin Arquitetos Associados
 
 
Com técnica e poesia
Hospital da Rede Sarah (2001/02) - João Filgueiras Lima
Por Fernando Diniz Moreira
O extenso edifício de volumes brancos curvos e contínuos, repousando suavemente sobre o descampado ao redor da lagoa de Jacarepaguá, representa a síntese que Lelé procurou em toda a sua vida profissional: a busca por uma arquitetura baseada na técnica e na industrialização, que respondesse às necessidades de um país em construção, mas que ao mesmo tempo tivesse formas livres e fluidas, tão caras à arquitetura moderna brasileira. 
 
A obra de Lelé invalida a ideia de que uma arquitetura pensada de acordo com princípios da industrialização é inferior ou dissociada daquela concebida “artisticamente”. Lelé tem uma concepção mais abrangente da funcionalidade, que inclui também o bem-estar das pessoas.
 
O infortúnio de um acidente o fez experimentar a desumanidade e a frieza de um hospital e o levou a defender a criação de ambientes que façam o paciente se sentir bem e, assim, ajudem no processo de cura

Nesse hospital, como nos outros da Rede Sarah, a humanização dos espaços é feita por meio de três dimensões.

A primeira é a utilização da ventilação e iluminação naturais como forma de fugir dos espaços herméticos e de contribuir no combate à infecção hospitalar. Para evitar a incidência direta do sol, Lelé propôs o uso de sheds, cujas formas marcantes respondem a requisitos aerodinâmicos que facilitam a circulação dos ventos e ao mesmo tempo atestam sua experiência com Niemeyer.

A segunda é a introdução de amplos espaços coletivos nos quais a presença de jardins e obras de arte é uma constante. As cores e padrões dos painéis de Athos Bulcão, pensados de forma integrada ao ambiente e próximos das fontes de luz e dos jardins, enaltecem e valorizam o paciente e dão vida ao local.

A terceira reside na dimensão tectônica, na forma como ele articula os elementos construtivos. O edifício segue princípios de flexibilidade e padronização dos elementos construtivos, visando rapidez na execução. A repetição desses poucos elementos configura todo o prédio, desde a estrutura até caixilhos e guardacorpos (como é didaticamente mostrado em um vídeo que fez parte da exposição no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, há alguns meses).

A forma como eles são articulados é o que confere significado ao edifício. Neste hospital, a arquitetura emociona não apenas pela integração com a natureza e com a arte, mas sobretudo pela inventividade no manejo de elementos padronizados. Lelé tira partido de aparentes restrições para criar uma arquitetura de pura poesia.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

 
 
 
 
 

Um balanço da década de 2000 - Hotéis


Hotel Anhembi Holiday Inn, São Paulo, Miguel Juliano
Hotel Anhembi Holiday Inn, São Paulo, Miguel Juliano
 
Hotel Tauana, Prado, BA, Ana Catarina Ferreira da Silva
Hotel Tauana, Prado, BA, Ana Catarina Ferreira da Silva
 
Setor hoteleiro cresce, mas boa arquitetura ainda é exceção
 
Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional): o Brasil tinha, no final de 2008, cerca de 18 mil meios de hospedagem, com a oferta de 1,1 milhão de quartos (média de 60 por hotel). 

Eles formam a espinha dorsal das atividades ligadas ao turismo, que, segundo a mesma entidade, representa 4% do Produto Interno Bruto nacional.

Esses números tendem a crescer com a realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, e também com a elevação da renda das classes emergentes. E que resposta a arquitetura dará a essa expansão? 

Vai buscar formas de expressão mais legítimas ou continuará produzindo projetos que poderiam estar tanto no Nordeste do país como no Caribe?

A dúvida é pertinente, entre outros motivos porque a seleção da melhor arquitetura de hotéis da década passada traz apenas um exemplo implantado no Nordeste, justamente uma das regiões mais procuradas pelos turistas. 

Essa saudável exceção é o hotel Tauana, na praia de Corumbaú, em Prado, no sul da Bahia.

Pousada Pedra Grande, Imbituba, SC, Miguel e Tagore Pereira
Pousada Pedra Grande, Imbituba, SC, Miguel e Tagore Pereira
 
Garden Hill Small Resort, São João del Rei, MG, Alexandre Bragança, Osmar Barros e Marcos Aguiar
Garden Hill Small Resort, São João del Rei, MG, Alexandre Bragança, Osmar Barros e Marcos Aguiar
 
O curioso é que o Tauana foi desenhado por Ana Catarina Ferreira da Silva, arquiteta portuguesa que, acostumada a passar férias no Brasil, sentia falta de opções de hospedagem que valorizassem a arquitetura do país e mostrassem personalidade diferente dos padrões das redes internacionais.

A brasilidade marcante do trabalho de Ana Catarina transparece também no projeto que Miguel e Tagore Pereira (pai e filho) fizeram para a pousada Pedra Grande, na praia do Rosa, em Imbituba, SC. O pavilhão com seis apartamentos (primeira fase do empreendimento), adaptado à inclinação do terreno, emprega cores e materiais construtivos locais, revelando sua inspiração regionalista.

Hotel Fasano, Rio de Janeiro, Philippe Starck
Hotel Fasano, Rio de Janeiro, Philippe Starck
 
Águas do Treme Lake Resort, Inhaúma, MG, André Abreu e Gustavo Rocha
Águas do Treme Lake Resort, Inhaúma, MG, André Abreu e Gustavo Rocha
 
Minas Gerais entra na lista com projetos em Inhaúma e São João del Rei

O primeiro, o Águas do Treme Lake Resort, fica numa fazenda e foi desenhado por André Abreu e Gustavo Rocha. Articulado em torno de pátios internos, o hotel apresenta como referências visuais marcantes a esbelta marquise de acesso em balanço e a torre sineira, uma alusão aos espaços religiosos.

O segundo, um híbrido de pousada e resort, tem o nome de Garden Hill Small Resort. Alexandre Bragança, Osmar Barros e Marcos Aguiar explicam que sua arquitetura é silenciosa e privilegia a comunicação com o exterior. Um campo de golfe e uma residência existentes foram o ponto de partida do projeto, completado com um bloco pavilhonar de dois pavimentos.

O Hotel Fasano no Rio de Janeiro tem o traço do cultuado designer francês Philippe Starck. A edificação encontra-se na curva que demarca o início de Ipanema. A configuração de fachada, concebida por Starck com a colaboração de Eduardo Mondolfo e Cláudia Ruiza, é secionada em ângulo obtuso, acompanhando o traçado da avenida beira-mar e abrindo visuais que vão da pedra do Arpoador até o morro Dois Irmãos, no final do Leblon.

Antes de instalar-se em território carioca, o grupo paulista Fasano já colocara em operação, em São Paulo, a sua unidade pioneira. Localizada nos Jardins, a torre surgiu a quatro mãos: as de Marcio Kogan (arquitetura) e Isay Weinfeld (interiores), arquitetos que têm escritórios independentes mas são parceiros de longa data. Externamente, o prédio é uma colagem de referências diversas, mesclando protomodernismo, art déco, minimalismo e detalhes de antigas edificações.

Também nos Jardins e próximo da torre do Fasano está outro hotel de alto padrão: o Emiliano. A construção, originalmente projetada como edifício de apartamentos, foi recriada pelo arquiteto Arthur Casas para transformar-se em edifício para hospedagem. A mudança de uso só foi decidida depois de pronta a estrutura, o que, segundo Casas, tornou a tarefa mais trabalhosa.

O circuito paulistano de hotéis de luxo/Jardins completa-se com o Unique. A emblemática nau de cobre, concreto e madeira que flutua sobre jardim de pedra foi desenhada por Ruy Ohtake, reunindo elementos que o consagraram como um dos expoentes da arquitetura brasileira (curvas e empenas de concreto) e inovações, das quais são exemplo a caixilharia e o revestimento de cobre.

A outra categoria de hotéis, a de negócios, pertence o Anhembi Holiday Inn, em São Paulo. Localizado na zona norte, o edifício foi, durante quase 30 anos, um esqueleto que assombrava o Parque Anhembi. Miguel Juliano assina o projeto do hotel, volume retangular que se destaca pelo fechamento em chapa metálica amarela pré-fabricada e material acústico.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

Hotel Fasano, São Paulo, Marcio Kogan e Isay Weinfeld
Hotel Fasano, São Paulo, Marcio Kogan e Isay Weinfeld
 
Hotel Unique, São Paulo, Ruy Ohtake
Hotel Unique, São Paulo, Ruy Ohtake
 

Um balanço da década de 2000 - Edifícios Educacionais

Escola da FDE (CH E1-A) em Campinas, SP, Una Arquitetos
Escola da FDE (CH E1-A) em Campinas, SP, Una Arquitetos


Qualidade arquitetônica avança nos estabelecimentos de ensino
 
Entre 2001 e 2009 houve decréscimo de 3,4 milhões de matrículas no ensino regular brasileiro, público e privado, sobretudo a partir do meio da década, apontam os censos educacionais do Ministério da Educação/Inep/Deed. A maior baixa ocorreu na região Nordeste (15% a menos de alunos inscritos) e a menor no Sudeste, com recuo de 5%. São Paulo, por exemplo, permaneceu estagnado nos cerca de 8 milhões de alunos cursando da primeira à terceira série do ensino médio, dos quais 85% pertencentes à rede pública do Estado e município. O melhor dos desempenhos nacionais, em termos de acesso à educação, ainda é, portanto, insatisfatório. No que diz respeito à qualidade arquitetônica dos estabelecimentos de ensino, contudo, os avanços foram inegáveis.

Em São Paulo, já nos primeiros anos da década começaram a concretizarse os novos programas: as escolas da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão vinculado à Secretaria da Educação estadual; e os Centros Educacionais Unificados (CEUs), da prefeitura paulistana. São concepções diversas em escala (mais compacta na FDE), porém similares no propósito de promover a interação da arquitetura com o entorno, normalmente em bairros de ocupação informal já consolidada. 

Os CEUs são como grandes clubes imersos no cotidiano escolar, com programa setorizado em blocos independentes e predominância da implantação linear.

Escola da FDE (CH F2) em Campinas, SP, Andrade Morettin
Escola da FDE (CH F2) em Campinas, SP, Andrade Morettin
 
Escola da FDE (CH E1-B) em Campinas, SP, Vainer e Paoliello
Escola da FDE (CH E1-B) em Campinas, SP, Vainer e Paoliello
 
Escola da FDE em Votorantim, SP, Grupo SP
Escola da FDE em Votorantim, SP, Grupo SP
 
A concepção geral arquitetônica é de autoria de Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, do Departamento de Edificações da prefeitura de São Paulo, expressa nos projetos das unidades Jambeiro e Rosa da China.

Suas diretrizes foram parcialmente contestadas na gestão dos prefeitos José Serra/Gilberto Kassab, que delegou ao arquiteto Walter Makhohl a revisão de aspectos relacionados à manutenção predial e à grande escala, a fim de flexibilizar a implantação do projeto. Makhohl, então, concebeu o CEU Água Azul, no mais sem alterações substanciais em relação aos projetos anteriores.

As primeiras escolas da FDE foram implantadas em Campinas, duas a duas, com projetos dos escritórios MMBB, Andrade Morettin, Vainer e Paoliello e Una Arquitetos. Elas serviram de piloto para a primeira leva dessa nova geração, destacando-se a rica espacialidade e as complexas relações urbanas dos edifícios de princípios tão rígidos: utilização de elementos pré-fabricados de concreto, modulação padronizada e seleta gama de materiais.

Os projetos de Morettin e Una se destacam, respectivamente, pela semipermeabilidade dos elementos de vedação (venezianas translúcidas e telhas metálicas) e pela apropriação de parte do térreo pelo espaço público.

Escola da FDE no Tremembé, São Paulo, Angelo Bucci e Álvaro Puntoni
Escola da FDE no Tremembé, São Paulo, Angelo Bucci e Álvaro Puntoni
 
Escola da FDE em Vila Nova, São Paulo, Barossi & Nakamura
Escola da FDE em Vila Nova, São Paulo, Barossi & Nakamura
 
Escola Sesc de Ensino Médio, Rio de Janeiro, Índio da Costa AUDT
Escola Sesc de Ensino Médio, Rio de Janeiro, Índio da Costa AUDT
 
Um dos aspectos importantes da experiência da FDE foi promover a efetiva interação entre grande número de importantes escritórios de arquitetura. Da segunda leva de projetos, implantados entre 2005 e 2006, são memoráveis as unidades Tremembé, de autoria de Angelo Bucci e Álvaro Puntoni; Jaraguá, de Ubyrajara Gilioli; e Vila Nova, de Barossi & Nakamura. Mais recentemente, o escritório Grupo SP criou a escola na cidade de Votorantim.

No Rio de Janeiro, a Escola Sesc de Ensino Médio contemplou novas modalidades de negócio e programa de ensino. Concebida por Luiz Eduardo Índio da Costa e localizada na Barra da Tijuca, é tanto preparatória para o ensino superior quanto profissionalizante, fruto de parceria público-privada (a verba é pública e o processo de construção/ gestão ficou a cargo do Sesc). Além dos tradicionais equipamentos pedagógicos, de esporte e lazer, possui como diferencial a existência de moradias para professores e alunos, o que faz de seu campus quase uma pequena cidade planejada, cujo ponto alto arquitetônico é o edifício do teatro.

No item campus universitário, Manoel Coelho passou a década implantando, em Curitiba, as edificações da Universidade Positivo, que teve plano diretor concebido pelo próprio arquiteto. Um dos destaques é o prédio trapezoidal da biblioteca, com seus planos suspensos e justapostos. Assim como na universidade curitibana, a unidade arquitetônica é um aspecto presente nas edificações do campus Senac São Paulo, de autoria de Aflalo & Gasperini Arquitetos. O projeto foi baseado no reaproveitamento e urbanização do terreno e das edificações de origem fabril.

Já a dupla Rafael Perrone e Márcio do Amaral concebeu um centro educacional em Indaiatuba, SP, para a qualificação dos professores da rede municipal de ensino, no qual a fragmentação espacial tem propósito similar ao do Centro Educacional Jardim Santo André, do escritório Brasil Arquitetura. Embora em contextos de implantação opostos - o primeiro localizado em meio à área verde do Parque Ecológico do Tietê, o segundo no miolo de uma já consolidada área de ocupação informal da periferia do ABC paulista -, ambos são hábeis em promover a permeabilidade da arquitetura para com o entorno.

Escola da FDE no Jaraguá, São Paulo, Ubyrajara Gilioli
Escola da FDE no Jaraguá, São Paulo, Ubyrajara Gilioli
 
Biblioteca da Universidade Positivo, Curitiba, Manoel Coelho
Biblioteca da Universidade Positivo, Curitiba, Manoel Coelho
 
Centro Integrado de Apoio à Educação, Indaiatuba, SP, Rafael Perrone e Márcio do Amaral
Centro Integrado de Apoio à Educação, Indaiatuba, SP, Rafael Perrone e Márcio do Amaral
 
Campus Senac/SP, São Paulo, Aflalo & Gasperini
Campus Senac/SP, São Paulo, Aflalo & Gasperini
 
Nesse sentido, os projetos de Affonso Risi Júnior, Francisco Spadoni e Samuel Kruchin lidaram com diretrizes de contextos adensados de inserção em São Paulo.

Risi resolveu com a verticalização a implantação de um novo edifício da Faculdade Paulistana (Fapa) em situação de miolo de quadra; Spadoni levou adiante o plano diretor de adensamento da Universidade Mackenzie, concebido em parceria com Lauresto Esher em 2003, criando o edifício administrativo-pedagógico Modesto Carvalhosa, o primeiro de uma série de prédios laminares previstos para a instituição; e Kruchin engrossou o coro dos que projetaram para a zona leste da capital, com o belo projeto da Unicsul.

Na mesma região, situa-se a Escola Cáritas, de Mario Biselli e Artur Katchborian, um dos destaques da década. A implantação compacta articula pátio, volumes contundentes e uma profusão de espaços internos qualificados pelas circulações em planos diversos.

Extrapolando o universo arquitetônico do ensino básico, Marcio Kogan desenhou a escola-berçário Primetime, localizada no bairro do Morumbi em São Paulo; Felipe Bezerra projetou a Escola PHD Infantil, em Natal; e Camila Fabrini e Carlos Ferrata criaram a Escola de Reeducação do Movimento, um espaço para o ensino da dança na capital paulista.

Escola Cáritas, São Paulo, Mario Biselli e Artur Katchborian
Escola Cáritas, São Paulo, Mario Biselli e Artur Katchborian
 
Edifício Luíza de Marchi Padovese (Unicsul), São Paulo, Samuel Kruchin
Edifício Luíza de Marchi Padovese (Unicsul), São Paulo, Samuel Kruchin
 
Escola-berçário Primetime, São Paulo, Marcio Kogan e Lair Reis
Escola-berçário Primetime, São Paulo, Marcio Kogan e Lair Reis
 
Edifício Modesto Carvalhosa (Mackenzie), São Paulo, Francisco Spadoni e Lauresto Esher
Edifício Modesto Carvalhosa (Mackenzie), São Paulo, Francisco Spadoni e Lauresto Esher
 
 
Acerto social e urbano
Centros Educacionais Unificados (2001/04) - Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza
Por Guilherme Wisnik
CEU Rosa da China
CEU Rosa da China
 
Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) foram projetados em 2001, no início da administração de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo, e construídos entre 2003 e 2004. 
Somando 45 unidades instaladas em diferentes bairros da periferia da cidade, eles abrigam de modo integrado centros de educação infantil, de ensino fundamental e creche, somados a equipamentos comunitários importantes, tais como quadras poliesportivas, piscinas, teatro/cinema, biblioteca e telecentro. 
 
Com estrutura de peças pré-moldadas de concreto e escadas metálicas, constituem-se como um pavilhão linear modulado e conectado a volumes anexos, permitindo diferentes formas de implantação, conforme o terreno.

O CEU é um projeto de grande
lucidez e coragem. É fruto do idealismo de arquitetos que trabalhavam no órgão público (Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza), somado à visão de uma prefeita que fez uma aposta social expressiva, e não apenas populista. Baseados na proposta revolucionária das escolasparque do educador baiano Anísio Teixeira, fundador da Escola Nova, e no trabalho pioneiro do arquiteto Hélio Duarte no período do Convênio Escolar em São Paulo (1948 a 1952), os arquitetos da Divisão de Projetos do Departamento de Edificações da Prefeitura (Edif) conceberam o CEU como uma espécie de “condensador social” contemporâneo para uma metrópole da periferia do capitalismo.
 
Sua base filosófica é a consideração da educação como fonte fundamental de sociabilidade e cidadania, criando equipamentos públicos de excelência que se tornam referenciais urbanos, capazes de reverter, de certa forma, estigmas sociais históricos.

Mais do que dezenas de unidades escolares situadas em bairros carentes da cidade de São Paulo - o que já seria notável -, esses edifícios são
centros comunitários de lazer, esporte, cultura e festas, abertos nos finais de semana, tornando-se referências agregadoras de civilidade em áreas pobres.

Do ponto de vista arquitetônico, o projeto nem se apequena diante da precariedade do entorno, nem o nega, criando um referencial de
urbanidade por contraste, com um desenho geométrico bem marcado, mas abrindo-se francamente para a vizinhança através de amplas superfícies envidraçadas e generosas varandas de circulação. Mais do que uma joia arquitetônica, o CEU é um grande acerto social e urbano. E o seu sucesso de público, para além das disputas políticas conjunturais, é a grande prova disso.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

CEU Rosa da China
CEU Rosa da China
 
CEU Jambeiro
CEU Jambeiro
 
Implantação - CEU Jambeiro
 

Um balanço da década de 2000 - Edificios administrativos

Jardins da Praça, Porto Alegre, Moojen & Marques
Jardins da Praça, Porto Alegre, Moojen & Marques
 
Propostas buscam soluções para melhorar relações com a cidade
 
Após duas décadas de freio, a construção civil brasileira retomou com intenso vigor suas atividades, sobretudo a partir da segunda metade da década passada. Em 2009, a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 8,3%, podendo chegar a 9,5% até 2022, segundo estimativa do Observatório da Construção, um braço do Departamento da Indústria da Construção Civil, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Esse movimento se deveu, em parte significativa, à expansão do crédito para financiamentos habitacionais e a investimentos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas não ficou restrito a esses segmentos: também aumentou a oferta de edifícios comerciais, administrativos e de serviços.

Em recente edição do jornal Valor Econômico, executivos que comandam incorporadoras e construtoras explicavam que, além de atrair empresas para o país, o crescimento da economia estimula as companhias aqui instaladas a mudar para escritórios maiores e mais confortáveis, fato que determina a procura por conjuntos de alto padrão.

Brascan Century Plaza, São Paulo, Königsberger Vannucchi
Brascan Century Plaza, São Paulo, Königsberger Vannucchi
 
Loducca, São Paulo, Triptyque
Loducca, São Paulo, Triptyque
 
Nem sempre esses empreendimentos prezam a boa arquitetura, mas ao longo de suas edições PROJETO DESIGN conseguiu amealhar alguns exemplares que merecem destaque. Um deles é o Brascan Century Plaza, em São Paulo, de Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, constituído por três torres independentes articuladas, no nível da rua, por uma praça aberta ao público.

Para chegar ao Brascan, Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi, que flertaram com o pós-moderno na década de 1990, ensaiaram antes com o projeto do Stadium, em Alphaville, também com três prédios, porém geminados.

Mais ousado na estética foi Ruy Ohtake, com o conjunto de múltiplo uso Ohtake Cultural. Em termos programáticos, ele pertence à mesma genealogia do Continental Square Faria Lima, desenhado por Aflalo & Gasperini Arquitetos, seguramente o escritório com mais projetos de torres comerciais relevantes implantadas na década. São de sua autoria, em São Paulo, o E-Tower e o Eldorado Business Tower, este criando interessante conexão com um shopping center.

Nas edificações mais recentes, a preocupação recorrente dos autores é atender preceitos de sustentabilidade - o Rochaverá Corporate Towers foi um dos primeiros empreendimentos a receber certificação Leed.

Eldorado Business Tower, São Paulo, Aflalo & Gasperini
Eldorado Business Tower, São Paulo, Aflalo & Gasperini
 
DVR Alphaville, Barueri, SP, Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi
DVR Alphaville, Barueri, SP, Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi
 
Do mesmo escritório, o edifício Eudoro Villela completa o conjunto da sede do grupo Itaú, em São Paulo, e foi desenvolvido em parceria com a Superintendência de Arquitetura da instituição. Aliás, foi o Itaú que, ao adquirir a operação brasileira do BankBoston, incorporou a seus ativos a construção que Skidmore, Owings & Merrill (SOM), de Chicago, e o Escritório Técnico Júlio Neves desenharam para o grupo norte-americano.

Já a unidade novaiorquina do SOM aliou-se a Pontual Arquitetura para fincar, na zona sul de São Paulo, o Birmann 31. O prédio assinala o ocaso da Birmann, que na década anterior fora uma das principais empreendedoras brasileiras no segmento de edifícios comerciais.

Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, Rio de Janeiro, STA
Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, Rio de Janeiro, STA
 
Centro Comercial e de Serviços, São Paulo, Núcleo de Arquitetura
Centro Comercial e de Serviços, São Paulo, Núcleo de Arquitetura
 
Nesse cenário, surpreendente é a “pitada de fantasia” que o habitualmente sisudo Marc Rubin, sócio de Botti Rubin Arquitetos, procurou inserir na marginal do Pinheiros, em São Paulo, com a planta ovalada e o gabarito reduzido do Landmark.

No segmento de edifícios comerciais, poucas foram as novas construções em altura no Rio - uma delas é a Torre Almirante, de Pontual Arquitetura e Robert Stern Architects. Já os conjuntos do tipo office park, implantados na região da Barra, conseguiram certa projeção. Entre eles, o Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, do estúdio STA Arquitetura; e o Barra Trade III e Barra Trade V, desenhados pelo escritório Ecotech.
Sedes de empresas também renderam boas soluções arquitetônicas na década. Uma das mais significativas, a SAP Labs Brazil, fica em São Leopoldo, RS, e tem a autoria compartilhada entre Eduardo de Almeida e César Shundi Iwamizu.

O edifício abriga laboratórios de criação de softwares e fica no campus da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Outra corporação que apostou num projeto diferenciado foi a Serasa, cujas instalações, em São Paulo, foram criadas pelo escritório Edo Rocha Espaços Corporativos. Incomum é a configuração - um círculo interceptado por um triângulo - do edifício administrativo da Ypioca, em Fortaleza, construído a partir de projeto de Nasser Hissa Arquitetos.

Faz parte dessa boa safra a sede paulistana da Marisol, marca de roupas e calçados infantis, desenhada pelo escritório Rocco Associados. Outra empresa do ramo têxtil em São Paulo, a Gul foi projetada pelos arquitetos Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara.

Torre Almirante, Rio de Janeiro, Pontual Arquitetura e Robert Stern
Torre Almirante, Rio de Janeiro, Pontual Arquitetura e Robert Stern
 
Edifício comercial, Brasília, Brasil Arquitetura
Edifício comercial, Brasília, Brasil Arquitetura
 
Inusitada foi a convocação de Guilherme Paoliello e André Vainer para desenharem a sede da Itambé, que atua na administração de condomínios. O grupo mantém relações próximas com profissionais ligados ao mercado imobiliário, mas optou pela dupla, que na época nunca havia trabalhado no segmento. Maior afinidade conceitual existiu, aparentemente, entre o desenho do Triptyque para a sede da agência publicitária Loducca.

Gaúchos, os arquitetos Luciano Andrades, Gabriel Gallina e Rochelle Castro praticamente debutaram na profissão com o E Box, um contêiner suspenso que serve de escritório de um estacionamento em Porto Alegre. Também na capital do Rio Grande do Sul, merece destaque o centro comercial Jardins da Praça, criação do escritório Moojen & Marques Arquitetos Associados.

Igualmente habilidosa e expressiva é a solução plástica do pequeno prédio desenhado por Reinach Mendonça Arquitetos Associados, em São Paulo, com linguagem semelhante à que os autores usam nos projetos de casas. O conjunto de serviços em escala reduzida é ainda o mote do Centro Comercial e de Serviços desenvolvido, em São Paulo, pelo Núcleo de Arquitetura, no qual procurou-se levar a cidade para dentro do projeto. De certa forma, esse também é o ponto de partida de Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi no edifício DVR Alphaville, em Barueri, SP.

Menos contido em sua volumetria - mas nem por isso exuberante - é o Duquesa de Goiás, elegante conjunto desenvolvido por Paulo Bruna Arquitetos Associados na capital paulista. Na marginal do Pinheiros, o Quadra Hungria, de Miguel Juliano (morto em 2009), por sua vez, recupera a tradição modernista de edifícios em lâmina.

Francisco Fannuci e Marcelo Ferraz, do estúdio Brasil Arquitetura, também recorreram à referência modernista no primeiro projeto que seu escritório desenvolveu na capital federal. Trata-se de um edifício comercial com fachadas recobertas por perfilados de madeira, para controlar a luminosidade.

Duquesa de Goiás, São Paulo, Paulo Bruna Arquitetos
Duquesa de Goiás, São Paulo, Paulo Bruna Arquitetos
 
Edifício comercial, São Paulo, Reinach Mendonça
 
Gul, São Paulo, Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara
Gul, São Paulo, Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara
 
Rochaverá, São Paulo, Aflalo & Gasperini
Rochaverá, São Paulo, Aflalo & Gasperini
 
Landmark, São Paulo, Botti Rubin
Landmark, São Paulo, Botti Rubin
 
Ohtake Cultural, São Paulo, Ruy Ohtake
Ohtake Cultural, São Paulo, Ruy Ohtake
 
 
Sem arroubos formais
SAP Labs Brazil (2007/09) - Eduardo de Almeida e César Shundi Iwamizu
Por Alberto Xavier
 
 
O edifício da SAP Labs Brazil - empresa multinacional ligada à área de criação de softwares - situa-se no campus da Unisinos, centro universitário na cidade gaúcha de São Leopoldo, e integra sua área tecnológica com o propósito de estabelecer ligação entre o conhecimento acadêmico e empresas de ponta.

Vencedor de concurso fechado, é de autoria de
Eduardo de Almeida, arquiteto de uma geração que forjou seu currículo com obras de pequeno porte - residências, no caso. Almeida seguiu a linha de muitos de seus contemporâneos, capitaneados pelo mestre Artigas, e nela permaneceu, ressalvada uma ou outra obra de grande porte, como a biblioteca Brasiliana, ora em construção no campus da Universidade de São Paulo.
É trabalho realizado em parceria com César Shundi Iwamizu, associação comum entre arquitetos. Parcerias de longo prazo, parcerias eventuais, mas quase sempre parcerias de colegas de mesma geração. Aqui, temos um registro bastante significativo: a parceria desse mestre quase octogenário (e discreto por excelência) com um jovem de idade igual ao tempo de trabalho do associado, mas apoiado em exemplar currículo - não mais uma promessa, mas já um digno representante da nova geração de arquitetos brasileiros.

O complexo, próximo a uma área francamente arborizada, é composto por
dois blocos lineares de três pavimentos - o maior, voltado para o norte, com quase cem metros de extensão e sob pilotis - articulados através de quatro volumes, um deles destinado à circulação vertical, recurso que cria um afastamento conveniente à iluminação das faces internas. Abrigam atividades com elevado grau de sofisticação, compostas essencialmente de estações de trabalho e treinamento; são espaços contínuos e descontraídos, típicos desses edifícios, com áreas próprias para descanso e convívio, e que têm na interação interior-exterior um ingrediente importante para um trabalho produtivo.

O projeto é pautado por rigoroso cuidado construtivo, mas também com a
sustentabilidade, exigência imposta pela empresa desde o início do projeto, visando a certificação Leed no nível Gold.

Coerentes com uma postura arquitetônica do mais estrito respeito às
exigências funcionais, os arquitetos não deram oportunidade, em nenhum momento, a arroubos formais. Assim, extraem dos componentes responsáveis pelo conforto os atributos plásticos que em muito enriquecem a edificação - os brises que cobrem as fachadas e o vazio entre os dois blocos em toda a sua extensão, há décadas elemento que concedeu identidade própria à arquitetura brasileira.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

 
 
 
 
 
Implantação
 
Corte esquemático