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sábado, 19 de novembro de 2011

A ARQUITETURA EGÍPCIA

No Egito antigo, teve início em 4000 a.C. e o término em 30 a.C.
A arquitetura aconteceu nas margens do Rio Nilo.

No início, a arquitetura egípcia era simples e todas as formas se originavam da casa residencial. Ela tinha plano retangular e dispunha-se em torno de palmeiras, ou de outras árvores.

Os arquitetos no antigo Egito era considerados as pessoas que realizavam os grandes sonhos dos faraós. O arquiteto possuía uma gama de trabalhadores que o cercavam tais como escribas e pessoas que faziam as medidas dos locais das obras. Qualquer tipo de construção envolvia uma grande logística e um planejamento que até hoje é abordado pelos principais egiptólogos.

Segundo Millard, 1975 – P. 40, “Os egípcios não tinham guindastes nem roldanas. Todos os seus monumentos foram erguidos com a ajuda de rampas de cascalho e areia. Os grupos de homens arrastavam blocos de pedra pelas rampas acima. Por vezes, colocavam-se rolos por baixo dos blocos para que se movessem mais facilmente. Os blocos eram dispostos em uma camada de cada vez. As pirâmides de Gizé são as maiores e as mais bem construídas de todas as pirâmides. Foram utilizados enormes blocos de pedras em toda a parte. O revestimento exterior era feito de blocos do mais fino calcário branco. Posteriormente, as pirâmides tornaram-se mais pequenas e algumas delas tinham pequenos blocos de pedra e cascalho no interior, enquanto outras apenas tinham tijolos de barro…

…Para construir um templo, os egípcios marcavam a planta no chão e depois colocavam as bases das colunas e a primeira camada de blocos para as paredes. Os espaços entre os blocos eram enchidos com areia, proporcionando uma superfície plana, sobre a qual se colocava a nova camada de pedras. Utilizavam uma rampa sempre crescente, ao longo da qual as pedras eram arrastadas. Depois de aplicada cada camada, acrescentavam mais areia para alisar de novo a superfície. A areia era então retirada e ao mesmo tempo, faziam-se as decorações.”

A arquitetura mais comum no antigo Egito eram os templos. Eles possuíam uma decoração que era inspirada na paisagem egípcia. Papiros, flores de lótus e palmeiras eram algumas das principais decorações dos templos egípcios. A entrada dos templos, geralmente era feita por caminhos que continham esfinges de ambos os lados. Os templos egípcios eram enormes e estavam sustentados por colunas.


 
Templo de Ramsés II em Abu Simbel

Porém sem dúvida alguma, as mais belas e impressionantes obras arquitetônicas do período faraônico foram as pirâmides. A pirâmide em degraus ou escalonada foi uma obra-prima idealizada pelo mais famoso arquiteto do antigo Egito; Imhotep para o faraó Djoser na terçeira dinastia. Antes de Imhotep o lugar de descanso dos faraós eram mastabas.



 
Pirâmide de Djoser


Posterior a pirâmide de degraus, surgiram outras pirâmides com formatos diferentes.
Foi na quarta dinastia que o desenho das pirâmides foram modificados originando as tradicionais pirâmides que conhecemos hoje. As mais famosas dessa arquitetura são as pirâmides do complexo de Gizé.

 
Pirâmides de Gizé (Giza)


As esfinges egípcias também eram uma bela forma arquitetônica. Geralmente existiam inúmeras esfinges que ficavam de ambos os lados das estradas que davam acesso aos templos. As esfinges mais comuns eram estátuas com corpo de leão e cabeça humana (geralmente de faraós).


 
Esfinge de Gizé (Giza)


Os obeliscos eram também outras formas de arquitetura egípcia. Tinham o formato de colunas com lados lisos e em sua ponta seu formato era triangular (piramidal). Sua principal função era de cunho religioso e servia para os egípcios homenagear os Deuses.



 
Obeliscos de Thotmes III e da Rainha Hatshepsut em Karnak


Existiam ainda outras formas arquitetônicas no antigo Egito. Como entradas de templos que eram uma verdadeira obra de arte, ou salas que eram sustentadas por diversas colunas, conhecida popularmente como hipóstila. Que apesar de fazerem parte dos complexos dos templos eram de uma beleza ímpar.


 
Hipóstila – em Karnak


Abaixo uma dessas entradas que foi construída no reinado de Ramsés III, onde retratam o faraó em sua extensão.


 
Templo de Ramsés III, Abertura Superior (Portal), em Karnak.


- A PIRÂMIDE ESCALONADA
A partir de 3650 a.C. inicia-se a época chamada das pirâmides, destacando-se o faraó Djoser, que construiu o primeiro grande edifício de pedra: a pirâmide escalonada, também conhecida como pirâmide em degraus.

- AS PIRAMIDES DE GIZEH
Por volta de 2575 a.C. foi desenvolvida a construção das pirâmides de faces lisas. As mais importantes são as pirâmides de Quéops, Quéfrem e Miquerinos A pirâmide Quéops sobressai como uma das criações mais espetaculares e geniais da história da arquitetura. A orientação da pirâmide permitia que os raios luminosos da estrela Sírio penetrassem na câmara do núcleo da pirâmide por meio de um conduto, no momento em que se anunciava o principio do ano egípcio e o inicio das inundações.


- COMPLEXO DE KARNAK

HIPOSTILO - O Novo Império, iniciado por volta de 1570 a.C., é marcado pela arquitetura religiosa, destacando-se os templos de Amon-Ra, no complexo de Karnak. Dentro desse complexo, o maior e mais belo edifício construído foi o hipostilo, que significa “teto sustentado por colunas”. Possuía 134 colunas e cada uma tinha aproximadamente 20m de altura. Os egípcios não conheciam a roldana, e os blocos que formavam estas colunas eram erguidos através de rampas feitas com tijolos de argila.





PORTAIS - Na entrada dos templos eram construídos portais, sendo que um dos mais belos foi construído durante o reinado de Ramsés III, cujas paredes eram inclinadas para dentro e decoradas com cenas de vitória do governante.

OBELISCOS – Eram esbeltos pilares de face planas, terminados em ponta e talhados num só bloco de granito. Em parte, sua função era religiosa, pois eram erguidos em homenagem ao Deus do Sol, e em parte, cerimonial, pois em suas inscrições havia as façanhas dos governantes humanos. O maior obelisco pesada 450 toneladas e media cerca de 30 metros de altura.

BIOGRAFIAS

DJOSER
Foi o segundo faraó da Terceira Dinastia do Império Antigo. Também Conhecido como Neterket, ele reiinou durante quase duas décadas. Foi responsável pela construção do primeiro edifício monumental em pedras do mundo, a pirâmide de degraus.

MIQUERINOS
Era filho do faraó Quéfren, e o quinto soberano da IV Dinastia. O faraó Miquerinos reinou pouco tempo, e por esse motivo não teve tempo de concluir sua pirâmide. Com sua morte a pirâmide foi terminada às pressas, várias partes ficaram inacabadas e seu revestimento em granito não passou da décima-sexta fila de pedras.

QUÉOPS
Foi um faraó da quarta dinastia egípcia, cujo reinado se estendeu por quase cinqüenta anos. Foi responsável pela maior pirâmide que já existiu, necessitando de uma forma de trabalho de cerca de cem mil pessoas empregadas durante vinte anos.

RAMSÉS III
Foi o segundo faraó da XX dinastia egípcia, considerado como o último grande faraó do Império Novo a exercer uma grande autoridade sobre o Egito.
Durante o reinado, o Egito foi atormentado por invasores estrangeiros e experimentou o início da dificuldade econômica e das guerras internas, que levaria ao colapso da XX dinastia.
Após a colonização de Canaã, Ramsés III tentou consolidar seu predomínio recrutando soldados. Por fim, Ramsés III, já idoso acabou sendo vítima de uma conspiração em seu próprio harém.

Via antigoegito.org

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Vamos à Toscana?

Abençoada com beleza natural, vinhos e uma incomparável herança artística, a Toscana é a região italiana do Renascimento. 
Mas, além de Florença (sua principal joia), há outras pequenas e elegantes cidades, algumas rurais, outras de praia, que valem um roteiro completo. Siena e sua arquitetura gótica, Pisa e sua torre inclinada, Lucca e suas muralhas de pedra, Fiesole e suas maravilhas etruscas... Cada uma tem atrativos imperdíveis.

Vá preparado para curtir os simples prazeres da vida, como degustar vinhos nas plantações de uva, provar delícias da culinária local, admirar esculturas e outras obras de arte a céu aberto ou em museus de primeira qualidade. Não é preciso se perder na multidão que invade Florença para descobrir os verdadeiros sabores da Toscana.
  Pienza, a town and commune in the province of Siena, in the Val dOrcia in Tuscany (central Italy), between the towns of Montepulciano and Montalcino. It is fine example of Reneisaance urbanism. 




Wisteria flowers blooming around villa in Tuscany

 

Summer landscape in Val d'Orcia, Tuscany, Italy

Principais atrações:

1 - Torre de Pisa
Piazza dei Miracoli

É o cartão-postal mais famoso da cidade de Pisa. Junte-se à multidão para clicar a clássica foto segurando a torre. Suas obras tiveram início em 1173 e, por causa do solo arenoso, a estrutura logo começou a apresentar desvios e a inclinar.

2 - Piazza Duomo
Campo di Miracoli, Pisa

Na praça está o conjunto arquitetônico que colocou Pisa na lista de patrimônios da Unesco. O Duomo, com fachada de colunas; O Batistério, erguido nos estilos romântico e gótico, e o Camposanto, antigo cemitério ligado à basílica, são edifícios construídos entre os séculos 11 e 14.

3 – Catedral Duomo de Siena


Na cidade de Siena, a catedral é seu principal símbolo. Foi inaugurada em 1182 no estilo gótico-romano e surpreende também em seu interior. Repare nos pilares com listras de mármore preto e branco e no teto, pintado de azul e colorido de estrelas.

4 – Piazza della Cisterna
Centro antigo de San Gimignano

A pequena e bela cidade na Toscana pode ser inteira percorrida a pé. Um dia é suficiente para conhecer tudo. Mas antes de começar a bater perna, passe boas horas sentado nessa praça, sentado nas escadarias, saboreando um sorvete.

5 – Palazzo Papolo
San Gimignano


O palácio abriga um interessante acervo repleto de obras de artistas da região, como Taddeo di Bartolo (1362-1422). No pátio do local, há inúmeros afrescos, além de uma bela vista da cidade.

6 - Saturnia



A cidadezinha ficou conhecida por suas fontes de águas quentes e sulfurosas, perfeitas para tratamentos estéticos – ou apenas relaxar. As piscinas naturais lotam dia e noite por turistas e jovens moradores, que se reúnem para nadar e cantar. Nos hotéis há sempre um spa.

7 - Grosseto
É a maior cidade do sul da Toscana e ótima base para conhecer essa região. De lá, é fácil chegar à praia do Parco Naturale della Maremma e a pequena Garavicchio, onde fica o Il Giardino dei Tarocchi (Jardim do Tarô), de Niki de Saint Phale.

8 – Lucca



As antigas muralhas protegem até hoje as construções medievais de Lucca, além de impedir a circulação de carros no centro histórico. Visite o templo religioso San Michele in Foro, as Piazzas Antelminelli e Napoleone, a Via Fillungo e as ruínas do Anfiteatro Romano, na Piazza del Mercato. Você vai sair encantado da terra natal do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988).

9 – Arezzo
A cidade que foi quase totalmente destruída durante a Segunda Guerra Mundial é hoje uma das mais ricas da Toscana, graças à produção de joias. Não deixe de conhecer os delicados afrescos da Igreja de San Francesco e a Piazza Grande, contornada por arcadas e pelo Palazzo della Fraternità dei Laici.

10 – Scansano


Amantes do vinho precisam visitar essa pequena cidade, onde é fabricado o Morelino di Scansano, um dos mais conhecidos da Itália. Entre vinhedos e oliveiras, construções dos séculos 15 e 16, como o Chiaccio Forte e o Palazzo Vaccarecci.

Colored flowers from balcony, Ponte Vecchio, Florence, Italy. 

 Chairs on small garden patio in the Summer, Tuscany, Italy.

 Bicycle parked outside historic food store, Siena, Tuscany, Italy, Europe

Arquitetura na Alemanha: Da Bauhaus à Alemanha pós-guerra

 

Entre destruições e reconstruções, a arquitetura alemã do século 20 foi marcada por experiências racionalistas, nazistas, comunistas e democráticas. Durante este período, a Alemanha deu ao mundo grandes arquitetos.

 

O fim da Primeira Guerra Mundial marcou, na Alemanha, o início de um processo inflacionário cujo resultado foi a derrocada do mercado imobiliário. Afinal, que investidor privado estaria disposto a construir se os custos não poderiam ser calculados?

Arquitetura racionalista: luz e ar para todos

O resultado foram subvenções e uma política residencial estatal que caracterizou todo o século 20. Pela primeira vez na história, o direito a uma moradia decente tornou-se realidade para um grande número de famílias.

A “moradia para todos” era uma dos direitos fundamentais da Constituição de Weimar, que instituiu a primeira república na Alemanha em 1919. Os métodos de produção e a arquitetura industriais influenciaram as construções da época.

Tempos e movimentos no trabalho

O fato de o mercado imobiliário estar nas mãos de grandes cooperativas levou à construção de conjuntos habitacionais, cuja localização somente se tornava possível nas periferias das cidades. Diferentemente da habitação burguesa do século 19, não era mais a função social dos cômodos o fator determinante das plantas das habitações.

Prédio de Le Corbusier em Weissenhof: cúbico e funcional 

A experiência industrial dos Time and Motion Studies (estudos dos tempos e movimentos no trabalho) traduziu-se em planta: quando a mulher chega em casa, ela vai primeiramente à cozinha, que fica junto à copa, e esta, por sua vez, está ligada à sala de estar da família. Em vez da compactação urbana do século 19, as novas moradias deveriam oferecer luz e ar para todos. Os antigos quarteirões foram substituídos por blocos soltos.

Apesar de a habitação ter se tornado o tema principal entre os arquitetos da época, o funcionalismo se sobrepôs à questão artística. A forma e o detalhe foram trocados pela estrutura amorfa. Era o início do modernismo na arquitetura, cujo racionalismo ficou conhecido como Neues Bauen (nova construção) e culminou, poucos anos mais tarde, no International Style (estilo internacional), tão combatido pelos arquitetos pós-modernos.

“Comunismo e judaísmo internacional”

Foto histórica do Weissenhofsiedlung em 1927

Por volta de 1910, Mies van der Rohe, Le Corbusier e Walter Gropius, considerados os pais do modernismo na arquitetura, trabalhavam todos no escritório de Peter Behrens em Berlim.

A experiência de Behrens nos trabalhos para a companhia elétrica berlinense AEG, para qual projetava desde o logotipo até os prédios da firma, influenciou fortemente o processo de industrialização da construção, decisivo para a superação do dilema artístico relativo ao novo estilo arquitetônico.

Gropius se tornaria mais tarde o primeiro diretor da Bauhaus – a mais importante escola de design e arquitetura do século 20. Fundada em Weimar em 1919, ela se mudou em 1925 para a sede racionalista projetada por Gropius em Dessau.

Após a transferência para Berlim por motivos políticos em 1932, então sob a direção de Mies van der Rohe, a escola foi fechada pelos nazistas em 1933. Para os adeptos de Hitler, modernismo era sinônimo de “comunismo” e “judaísmo internacional”.

Conjunto habitacional Weissenhof

Bauhaus, em Dessau: Patrimônio da Humanidade

 Um dos principais exemplos do Neues Bauen é a exposição de arquitetura no Weissenhofsiedlung em Stuttgart. Chefiados por Mies van der Rohe, 17 arquitetos de diversos países, entre eles Peter Behrens, Walter Gropius e Le Corbusier, desenvolveram projetos para a mostra de 1927. Mais de 500 mil pessoas visitaram, naquele ano, os 21 prédios da exposição de arquitetura, construída para se tornar um exemplo de morada para o homem moderno das grandes cidades.

Com plantas baixas flexíveis, os arquitetos da Bauhaus tentaram criar aí uma atmosfera saudável, plena de luz e ventilação. Em comum, estavam a superação do ecletismo arquitetônico, a junção da arquitetura com a vida e o emprego de novas técnicas e novos materiais. Sua arquitetura era cúbica e sem ornamentos. Um mínimo de forma deveria garantir o máximo de liberdade.

Weissenhof caiu em desgraça após 1933. Criticado pelos nazistas como uma “vergonha”, “subúrbio de Jerusalém” ou “cidade de árabes”, a Segunda Guerra lhe poupou a demolição. O conjunto habitacional foi restaurado nos anos de 1980 e recebe, anualmente, milhares de turistas. O mesmo aconteceu com o prédio de Gropius em Dessau: restaurado entre 1996 e 2006, o edifício da Bauhaus é, hoje, Patrimônio Cultural da Humanidade.

Urbanismo pós-guerra

As bombas da Segunda Guerra destruíram, principalmente, regiões de grande densidade urbana. Dos 18,8 milhões de moradias, 4,8 milhões foram completamente destruídos. Assim como em Berlim e Munique, o grau de destruição chegou a 50% em mais de 50 cidades alemãs. Em Colônia, Hamburgo, Nurembergue, Dortmund, Essen e Frankfurt, por exemplo, ele ultrapassou os 70%.

Antiga Stalinstadt, hoje Eisenhüttenstadt

A reconstrução das áreas destruídas recusou, tanto na ex-Alemanha Oriental como na Ocidental, a alta densidade urbana. No oeste, a idéia dos blocos distribuídos em vias vicinais e principais – a "cidade orgânica" apropriada para automóveis – foi privilegiada. A antiga Alemanha comunista seguiu o padrão conservador dos quarteirões com imensos pátios, espalhados ao longo de um eixo monumental, como se observa em Eisenhüttenstadt, antiga Stalinstadt.

O apolíneo e o dionisíaco

Sala do plenário de Bonn, de Günter Behnisch 

O Parque Olímpico de Munique, projetado por Günter Behnisch e Frei Otto entre 1968 e 1972, é exemplo da arquitetura pós-guerra. Seu contraste com o Estádio Olímpico de Berlim, construído pelos nazistas para a Olimpíada de 1936, não é ocasional. Em vez do caráter apolíneo historicista do estádio de 1936, a Alemanha se abria a experiências arquitetônicas dionisíacas, como demonstra a estrutura em membrana acrílica que cobre como uma tenda o Estádio Olímpico de Munique.

Acompanhando o espírito modernista dos arquitetos da Bauhaus, Behnisch chegou ainda a construir, entre 1992 e 1993, a sala do plenário do antigo Parlamento alemão em Bonn. O prédio foi usado por poucos anos. Com a mudança da capital em 1999, o Parlamento retornou à antiga sede, o prédio do Reichstag, em Berlim.
 
Fonte: Carlos Albuquerque

Arquitetura na Alemanha: Da expansão industrial ao ecletismo


 

Na arquitetura, o século 19 foi marcado pela expansão urbana, pelo início da racionalização da construção e pelo ecletismo arquitetônico. Dos arquitetos alemães, a obra de Gottfried Semper merece especial atenção.

 

Após a vitória na guerra teuto-francesa de 1870–71, o recém-formado Império Alemão vivenciou intenso crescimento econômico. A Alemanha equiparava-se, já no fim do século 19, às nações mais industrializadas da Europa. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a balança comercial alemã superava a da Bélgica, Inglaterra, França e até mesmo a dos Estados Unidos.

Pintura 'Fábrica no centro de Berlim', Eduard Biermann, 1847 

As reparações de guerra pagas pelos franceses permitiram uma onda inicial de fundação de empresas que deu nome ao período: Gründerzeit (era dos fundadores). Industrialização, crescimento populacional e a forte migração do campo para a cidade foram os principais fatores do crescimento urbano inimaginável do século 19. Com a substituição da manufatura pela indústria, surgiram blocos exclusivamente dedicados à moradia e outros ao trabalho.

A invenção da locomotiva e da linha férrea e o posterior desenvolvimento dos transportes públicos através da eletrificação de bondes e metrôs permitiram a expansão da cidade compacta tradicional. Um planejamento urbano, como hoje se conhece, não existia. Até 1918, a especulação imobiliária dominou o mercado residencial.

Ordem urbana bem-definida

Fachadas do 'Gründerzeit': unitárias, mas não semelhantes 


Seguindo a orientação liberal-capitalista, a ampliação urbana da época se fez de forma racionalista, dividindo a cidade em parcelas retangulares com frente estreita e grande profundidade, permitindo somente um mínimo de luz e ventilação.

O aproveitamento máximo do terreno e alta densidade, ou seja, a construção em vários pavimentos, foram conseqüências da lógica especulativa. Tais quarteirões tornaram-se unidade de ampliação urbana.

Traçadas ruas e praças, a elas se deveriam adaptar os novos prédios. Construídos em parcelas iguais, suas fachadas eram unitárias, mas não semelhantes. A clara separação entre espaço público e privado transmitia a idéia de uma ordem urbana bem definida. Além do pé-direito alto das moradias, a proximidade do centro explica o fascínio que, ainda hoje, tais quarteirões exercem sobre inquilinos e proprietários.

Imagem distorcida

No entanto, a imagem que chegou da cidade do século 19 é distorcida, pois, na verdade, era um grande cortiço. A altíssima densidade urbana dos blocos residenciais provocava endemias como a epidemia de cólera de 1892, em Hamburgo, que causou a morte de mais de 10 mil pessoas. Diferentemente da Inglaterra, onde a habitação individual também foi privilegiada, a cidade industrial alemã assumiu a forma da Mietskasernenstadt (cidade de casernas de aluguel).

Arquitetura eclética: fascínio de inquilinos e proprietários 

Em Berlim, tanto a burguesia do bairro de Charlottenburg como o proletariado de Kreuzberg vivia em prédios de vários pavimentos. Enquanto uma família burguesa habitava apartamentos de sete a oito cômodos, cujo rebuscamento das fachadas era sinal de status, uma família proletária de cinco pessoas dividia, freqüentemente, uma só peça, onde o banheiro se localizava no pátio ou corredor. Contra tal situação se posicionaria a arquitetura moderna do início do século 20.

Apesar da insalubridade do século 19, a infra-estrutura urbana (canalização, esgoto) foi aperfeiçoada e a expectativa de vida aumentou. Além de igrejas e prefeituras, o que se observa no período é o grande número de novas construções que também receberam tratamento arquitetônico. Museus, teatros, óperas, hospitais, estações ferroviárias, entre outros, tornaram-se também representantes do poder estatal através de sua arquitetura.

Neoclassismo e neogótico

Na arquitetura, o século 19 foi marcado pelo início da racionalização da construção e pelo ecletismo de estilos arquitetônicos que marcou tanto as cornijas e frontões das fachadas de prédios residenciais como o caráter dado aos diferentes edifícios privados e estatais.

Ecletismo arquitetônico: Estação ferroviária Lehrter-Bahnhof, Berlim, 1869-71 

A falta de um estilo que correspondesse à nova era industrial, a separação do pensamento arquitetônico do pensamento filosófico promovido pelo racionalismo e a necessidade de representação da burguesia e dos novos Estados nacionais provocaram o surgimento de tendências como o neoclassicismo e o neogótico para caracterizar prédios públicos e religiosos, o que já vinha se anunciando desde o começo do século através da obra do arquiteto-mor da Prússia, Karl Friedrich Schinkel.

Poucas vozes surgiram contra tal tendência tão combatida anos mais tarde por arquitetos precursores do Modernismo, como o austríaco Adolf Loos em seu famoso artigo Ornamento e Crime de 1908. Dos arquitetos alemães da segunda metade do século 19, o teórico e arquiteto da Ópera de Dresden, o hamburguês Gottfried Semper (1803–1879), merece atenção especial.

O arquiteto de Nietzsche

Em seu estudo Policromia, de 1834, Semper põe a baixo a idéia da pureza da Antigüidade clássica grega, provando que seus prédios, idealizados em mármore branco por pintores e arquitetos do Iluminismo, eram na verdade pintados. Tal estudo veio a influenciar a obra do filósofo Friedrich Nietzsche na constatação do caráter dionisíaco e apolíneo da cultura grega. Para Nietzsche, Semper foi o "maior arquiteto de sua época". Sua obra mais famosa é a Ópera de Dresden, conhecida como Semperoper, construída entre 1869 e 1878 na capital da Saxônia.

Ópera de Dresden de Gottfried Semper: por dentro, Apolo; por fora, Dionísio 

A arquitetura barroca de Roma lhe deu o exemplo para o portal de entrada que garante o contínuo entre o corpo da edificação e o espaço urbano. Como afirma o teórico da arquitetura Fritz Neumeyer, Semper praticou em Dresden a diferenciação dos lados apolíneo e dionisíaco da arquitetura: enquanto o espaço da caixa de palco era dominado por Apolo, identificado através da lira pintada no teto, é a estátua de Dionísio que coroa o portal de entrada e o caráter festivo do invólucro da edificação.

Além de combater a racionalização da construção, criticando duramente o sistema de eixos construtivos, Semper promoveu o retorno ao Renascimento como forma de reunificação das artes e foi precursor de um movimento na arquitetura que privilegiou a percepção do corpo e da superfície à lógica da técnica construtiva. Se foi Schinkel quem influenciou arquitetos racionalistas como Mies van der Rohe, a influência pouco estudada da obra de Semper chega aos nossos dias através de arquitetos "nietzchenianos" como Oscar Niemeyer e Zaha Hadid.
 
Fonte: Carlos Albuquerque

Arquitetura na Alemanha: Do absolutismo à ascensão prussiana

 

A Guerra dos Trinta Anos marcou não somente o fim da Idade Média na Alemanha, mas também o surgimento do barroco e do classicismo como forma de celebrar a arquitetura de um poder central fortalecido.

 

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), conflito pela hegemonia política na Europa e guerra entre católicos e protestantes, marcou não somente o fim da Idade Média na Alemanha, mas também o fortalecimento dos soberanos políticos com o declínio dos clãs de negociantes devido ao enfraquecimento do comércio durante a guerra.

Os anéis viários em torno de cidades alemãs como Hamburgo, Colônia, Mannheim e Karslruhe remetem, quase sempre, a esta origem barroca. Os novos canhões tornaram necessárias instalações de defesa, tão dispendiosas que somente algumas poucas cidades livres podiam financiar. Este fato levou ao fortalecimento do poder central, responsável pela defesa. Durante o século 19, tais instalações foram destruídas, permitindo a expansão urbana.

Barroco e classicismo

A Residência de Würzburg

Se nos Estados católicos o barroco foi o estilo adotado pela Igreja e monarcas para representação de seu poder, a cultura grega serviria de base para a formação do Estado alemão, em cuja vanguarda estava a Prússia, que se tornou um dos mais importantes Estados europeus após a derrota de Napoleão. Depois do Congresso de Viena em 1815, os territórios prussianos iam do Reno à Polônia.

O absolutismo, o deslocamento do poder para o centro, pode ser lido na planta das cidades da época, onde reis e príncipes se celebravam como umbigo do mundo em pomposos palácios.

Escadaria em Würzburg: pompa e submissão

A proporção das construções, a organização dos espaços e a pompa das decorações propagavam a autoridade da Igreja e dos Estados. Esta era a finalidade de um palácio barroco como a Residência de Würzburg (1719 -1746), na região da Francônia na Baviera, projetada por Balthasar Neumann. A Residência é considerada uma das mais completas construções de estilo barroco e é, desde 1981, Patrimônio da Humanidade.

Planta de Karlsruhe

Poucas maneiras de representação desta forma de poder político são tão claras como a planta da cidade de Karlsruhe, localizada hoje no estado de Baden-Württemberg – a arquitetura da cidade como forma de domínio sobre o homem e a natureza.

Karlsruhe: domínio do homem e da natureza

Fundada em 1715 com a construção do palácio, Karlsruhe tornou-se, a partir de 1806, cidade-residência dos grão-duques de Baden. Partindo de um ponto central, 32 ruas radiais eram englobadas por um anel viário. Nesta planta absolutista, até mesmo o crescimento da natureza era determinado pelo ponto central onde se localiza o palácio, já que os raios das ruas também cortavam parques e florestas. O poder do soberano inatingível era moldado na planta da cidade.

Toda cidade-residência pode ser vista como demonstração da teoria do Estado absolutista. Desta maneira, as diferentes formas de percepção desta teoria de Estado por monarcas franceses, russos e prussianos correspondem também às estruturas urbanas de Versalhes, São Petersburgo e Potsdam.

Schinkel e a ascensão prussiana

O pavilhão da Elisenbrunnen, em Aachen 

O que Goethe significou para a literatura alemã, a obra de Karl Friedrich Schinkel (1781-1841) o foi para a arquitetura. Como chefe do departamento de obras do Estado prussiano e como arquiteto da família real, Schinkel projetou quase todos os mais importantes edifícios da época e estampou como nenhum outro a imagem de Berlim e da Prússia, fortalecida com a vitória sobre Napoleão e a expansão de seus territórios pelo Congresso de Viena em 1815.

Sua importância foi tão grande que muitos historiadores chamam esta época de "Era Schinkel". Sua arquitetura sofreu influência direta da obra de seu mestre Friedrich Gilly, de quem Schinkel herdou não somente o gosto pela Antigüidade Clássica e pela pureza dos volumes, mas também uma série de projetos, já que Gilly faleceu aos 28 anos.

Estátua de Schinkel em Friedrichwerderschen, igreja em Berlim por ele projetada

Influenciado por Goethe, que em seu escrito sobre arquitetura de 1772 denominou o  gótico como a "verdadeira arte germânica", Schinkel dedicou-se também ao estudo da arquitetura medieval, não podendo, entretanto, realizar seus projetos neste estilo, já que seu amigo e mentor intelectual do Estado prussiano que se formava, o ministro Wilhelm von Humboldt, acreditava que o estudo dos gregos era essencial para assegurar os limites do Estado sobre o indivíduo.

Teatros e museus

Enquanto o classicismo grego influenciava o caráter dos prédios públicos de Schinkel, igrejas e monumentos fúnebres eram projetados em estilo gótico. Uma tendência que influenciaria toda a arquitetura do século 19 após a separação do pensamento filosófico da produção arquitetônica, no início da industrialização, dando origem ao estilo arquitetônico conhecido por ecletismo.

Teatro na Gendarmenmarkt, por Karl Friedrich Schinkel 

Entre os projetos mais conhecidos de Schinkel na capital alemã, estão o teatro na praça do Gendarmenmarkt e o Altes Museum, localizado na pomposa alameda Unter den Linden. A limpeza dos detalhes, a disposição espacial dos edifícios elevando a idéia da praça e a pureza de seus volumes dispostos quase de forma funcional, preconizando o modernismo, fizeram de Schinkel um dos arquitetos mais importantes da história da arquitetura.

A influência de Schinkel se estendeu até as novas províncias da região do Reno e da Westfália, onde a identidade e a autoridade prussianas tinham que ser estabelecidas. Entre estes projetos, estão o pavilhão da Elisenbrunnen, fonte de águas termais em Aachen, e a restauração da catedral de Colônia, cujas torres foram terminadas na segunda metade do século 19.
 
|Fonte: Carlos Albuquerque|

Arquitetura na Alemanha: Dos romanos à Idade Média

Os germanos não conheciam cidades e divisão do trabalho. A origem da arquitetura e urbanismo alemães se encontra nos assentamentos romanos e, séculos mais tarde, nas construções medievais.



É bastante discutível o fato de as aldeias celtas da Idade Antiga poderem ser chamadas de precursoras das cidades atuais, explica o arquiteto e historiador Gert Kähler em Gebaute Geschichte (História Construída, Ernst Klett, Leipzig 2006).

A atual diversidade arquitetônica das cidades alemãs tem duas origens: os assentamentos romanos ao sul do Limes, amplo caminho de fronteiras que ia do Reno ao Danúbio e separava o Império Romano das tribos germânicas, e, séculos mais tarde, a fundação dos núcleos urbanos senhoriais e burgos da Idade Média.

Origens romanas

Os romanos utilizaram o mesmo modelo urbano para a fundação de todas as suas cidades: uma muralha em torno de uma ocupação quadrangular, alinhada segundo os pontos cardeais e dividida por duas vias principais – o cardo e o decumanus, que se cruzavam no centro, onde se localizava o comando e o templo, ou seja, o poder secular e religioso.

Monumento na rua Schildergasse de Colônia celebra origem romana da cidade

Em Colônia, fundada entre 19 e 18 a.C., a muralha da cidade englobava uma área de cerca de um quilômetro quadrado. O cardo maximus transcorria na direção norte-sul e fazia parte da grande estrada das legiões que partia do Mar do Norte e passava por Xanten, Colônia e Mainz em direção ao sul. O decumanus maximus, o eixo leste-oeste, marcava o final de uma via comercial proveniente da Gália.

Estas duas ruas principais marcam ainda hoje a fisionomia urbana de Colônia – o cardo maximus corresponde à Hohe Strasse e o decumanus maximus à Schildergasse, um dos principais endereços comerciais da atual Alemanha.

Fundações medievais

Após o fim do domínio romano na região, no início do séc. 5º, cidades originárias de assentamentos romanos, como Colônia, Mainz, Trier, Regensburg, Augsburg ou Xanten, se tornaram grandes demais para a população que ali restou. Ainda hoje, pode-se reconhecer, em algumas casas, material de construção proveniente daquela época. Como forma de evolução cultural, a cidade e suas construções entraram em decadência.

Goslar, Praça do Mercado com Prefeitura gótica

Somente séculos mais tarde, a cidade se tornou, novamente, o lugar de um certo tipo de sociedade, sendo o resultado da divisão e equilíbrio do poder. Para muitos, no entanto, cidades como Rothenburg ob der Tauber ou Lübeck tiveram um crescimento "natural". Até hoje, a imagem de praça do mercado, prefeitura, igreja e residências dos ricos cidadãos, envoltas por uma muralha, é considerada como uma forma ideal de organização urbana.

Esta imagem, no entanto, é errônea. Primeiramente, porque partes das cidades ou até mesmo cidades inteiras eram planejadas na Idade Média – conforme a estrutura social, exigências funcionais e condições geográficas e climáticas. Além disso, a idéia da cidade medieval é bastante influenciada por sua fase mais tardia, época das aglomerações mais densas.

Como a grande maioria destas cidades medievais alemãs foi destruída durante a Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), que marcou o fim da Idade Média na Alemanha, a imagem que tais cidades adquiriram durante os séculos 17 e 18 chegaram aos nossos dias como cidade "medieval".

Independência dos cidadãos

O desenvolvimento urbano, por volta do ano 800, remonta a um castelo, à sede de um bispado, a um convento, e, em poucos casos, a um assentamento comercial. Suas fortificações ofereciam proteção a seus habitantes. As casas dos novos citadinos, no entanto, se localizavam fora das muralhas.

Torre da capela do  Kaiserburg em Nurembergue 

Com o aumento da população e do poder econômico de artesãos e comerciantes, a partir do século 11, os respectivos senhores feudais foram obrigados a conceder-lhes uma série de direitos. Economicamente independentes e capazes de co-financiar a ampliação das muralhas, os cidadãos se libertaram das estruturas feudais. Quem viesse do campo para a cidade, não era mais obrigado a trabalhar para seu suserano. A cidade medieval tornou-se assim um pólo de atração.

No século 14, existiam cerca de quatro mil cidades no antigo Império Alemão. A ampliação das muralhas também pode ser lida como diminuição do poder da Igreja e da nobreza sobre os cidadãos. Os mercados constituíam o coração das cidades. Ali se localizavam a prefeitura, o tribunal, a torre e a prisão. Somente a forca se encontrava fora dos muros da cidade.

Lübeck, metrópole do Mar Báltico

Silhueta de Lübeck: Igreja de Santa Maria (d.) e Holstentor

Lübeck é, para muitos, o exemplo de uma cidade medieval alemã. Protegida por dois braços d'água, Lübeck tornou-se a metrópole econômica do Mar Báltico e, após Colônia, a maior cidade medieval da Alemanha. A localização dos diferentes prédios públicos – igrejas, prefeitura e mercado – e a divisão da planta da cidade em parcelas com acesso à água, que eram oferecidas aos comerciantes, foram o resultado de interesses políticos e econômicos.

A partir de 1226, o imperador Frederico 2° concedeu à cidade fundada em 1143 uma carta de liberdade e amplos direitos. O crescimento da cidade como "terceiro poder", depois do clero e dos nobres, pode ser visto através da localização da Igreja de Santa Maria e do conjunto formado por mercado e prefeitura, que ocupam o ponto mais alto da cidade e cujas torres dominam a paisagem de Lübeck – não as da catedral.

Entre o mercado e o rio Trave, localizava-se o bairro dos clãs de comerciantes, que também formavam o governo. Todos possuíam parcelas praticamente iguais de nove metros de largura e 36 metros de profundidade nas cinco ruas paralelas ao desembarque de navios. Nos bairros dos artesãos e classes menos privilegiadas, as parcelas eram também demarcadas minuciosamente, só que bem menores.

Fachadas rebocadas

Rothenburg ob der Tauber, considerada a mais preservada cidade medieval alemã

Além das cidades, existia na Idade Média uma série de aldeias habitadas por camponeses. Conforme a região, a tipologia de suas casas apresentava várias diferenças. No norte alemão, da Vestfália a Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a família camponesa dividia com seus animais um só espaço. No centro e no sul do país, o espaço residencial era, geralmente, separado daquele reservado à criação de animais – uma exceção aqui é a assim chamada Casa da Floresta Negra, construída em vários pavimentos.

A forma de construção era o enxaimel (Fachwerk) – estrutura de madeira com enchimento em palha ou alvenaria, construída algumas vezes sobre um patamar de pedra. Tais construções se demonstraram bastante eficientes, pois as conexões em madeira não são rígidas, ou seja, madeira "trabalha". Existem construções em enxaimel ainda do século 13. A imagem das Fachwerkhäuser com a estrutura de madeira aparente se tornou símbolo da Idade Média e da própria Alemanha.

Assim como a idéia que temos da cidade medieval, esta imagem também não corresponde à realidade, já que em algumas regiões, como também entre os habitantes das cidades, as fachadas das casas em enxaimel eram rebocadas durante a Idade Média. Além de proteger as vigas de madeira de intempéries, os proprietários de tais imóveis queriam dar a impressão de que eram construídos em pedra, como as casas dos ricos comerciantes. Tal aspecto é, ainda hoje, completamente desconsiderado na restauração das cidades medievais, afirma o autor de História Construída.

 |Carlos Albuquerque|