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terça-feira, 10 de abril de 2012

Arquitetura Hospitalar

A Arquitetura Hospitalar,  uma área ampla , muito complexa, porém muito importante.

Lendo por aí, achei um post bem  interessante e útil, no site  euamoarquitetura   e vou compartilhar com vocês.

Na verdade o que faz um especialista em arquitetura hospitalar?
Um arquiteto especializado tem capacidade plena de projetar não apenas hospitais, mas em todos os estabelecimentos assistências em saúde existentes, consultórios, clinicas, postos de saúde, unidades de pronto atendimento, unidades especializadas, policlínicas, unidades hospitalares, dentre outros.
Quais as particularidades do projeto hospitalar?
Quando falamos em um hospital temos que refletir sobre todas as atividades que podem e são desenvolvidas em seu funcionamento e ao mesmo tempo estruturar todo o seu fluxo para que não existam conflitos.
Um projeto hospitalar deve ser pensado como uma grande cidade, onde existem as vias principais, secundárias e seus lotes e quadras específicas.
Os projetos também devem obedecer as normas vigentes, que determinam as dimensões mínimas e todos os critérios de cada unidade.
Como a medicina avança continuamente com a tecnologia, muitos tratamentos são alterados, surgindo novas correntes e conceitos. Por isso, devemos estar sempre atualizados com essas tecnologias para não gerar um projeto ultrapassado precocemente.
Outro ponto que deve ser levado em consideração é a versatilidade do projeto, ele deve sempre permitir mudanças rápidas e adaptações, frequentes nesse tipo de estabelecimento. Isso é fundamental para manter o hospital atual, afinal um hospital sempre será um constante canteiro de obras!

Um arquiteto hospitalar sempre está atualizado com relação as novas tecnologias, novos materiais e atento as diversas atividades que são desenvolvidas, por isso é valiosa a ajuda de um arquiteto especializado para que seu projeto tenha uma vida útil adequada.
A dica para quem é da área de saúde e deseja colocar seu consultório é antes de mais nada contratar um profissional adequado para não sofrer aborrecimentos futuros com a vigilância sanitária.
Pra vc que é arquiteto e não tem experiência a dica é contratar uma consultoria, pesquisar também é importante, mas nunca suficiente, então não fique na mão dos médicos e enfermeiros na hora do projeto e busque uma ajuda especializada, ela sai mais barata por poupar tempo com os erros na aprovação do projeto.
O que é um plano diretor hospitalar?
Um plano diretor nada mais é do que o plano de crescimento e previsão do hospital ao longo dos anos, assim como os planos diretores das cidades. Nele será previsto todo o crescimento, baseado na previsão de atendimentos, do perfil do local, no perfil das unidades, dentre outros fatores diretos e indiretos.
Eles são essenciais! Atualmente a maioria dos hospitais tem um plano diretor de desenvolvimento, que determina de forma orientada a sua expansão. Os hospitais públicos, por exemplo, devem ter os planos para ajudar a equipe de arquitetura a estruturá-los de forma adequada, mesmo que a equipe não seja especializada.
O que deve ser levado em consideração no dimensionamento de um projeto de um hospital?
Antes de começar a projetar devemos em primeiro lugar estudar o local que será inserido o edifício hospitalar. Existem alguns programas do estado que fornecem informações, mas é sempre importante visitar o local e ver a situação in loco.
A coleta dos dados são determinantes para sabermos se o hospital necessita de mais leitos, quais especialidades e serviços devem ser desenvolvidas. Inúmeros os fatores que influenciam o dimensionamento e as unidades que serão desenvolvidas em sua estrutura.
Pra começar procure entender melhor o sistema SUS, no caso de ser um hospital público, pois ele é determinante para definir o porte do estabelecimento. O porte está definido de acordo com o nível de atendimento e quantidade de leitos.
A escolha do terreno é muito importante, faça sempre uma previsão de crescimento, para evitar problemas futuros!
Em um projeto de reforma é necessário fazer um diagnóstico dos problemas que a unidade enfrenta para solucionar no novo projeto.
Em que o projeto contribui no funcionamento de uma unidade hospitalar?
Existem vários estudos que apontam a contribuição da arquitetura em uma unidade de saúde. Uma boa estrutura física e escolha adequada de materiais, por exemplo, podem melhorar ou minimizar a contaminação e risco de infecções.
A humanização dos espaços hospitalares também contribui para a melhora do paciente, por tornar o ambiente mais aconchegante e estimulador. Por esse motivo, por mais que se gaste na construção a instituição deve prezar principalmente o custo-benefício ao longo dos anos de cada decisão, pois com certeza o da construção não será o mais dispendioso. Invista num projeto bem elaborado!

Claro que não será possível entender tudo sobre a complexa arquitetura hospitalar, mas a intenção é divulgar o trabalho dos especialistas e mostrar a importância de um bom projeto para o sucesso do funcionamento de estabelecimento de saúde.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Novos conceitos para ambientes hospitalares priorizam o conforto e o bem-estar do usuário, em condições muito semelhantes aos hotéis de luxo.

Iluminação de lâmpadas embutidas nos rasgos no forro
A iluminação difusa a partir de lâmpadas T5 embutidas nos rasgos no forro valoriza a percepção do pé-direito
 
Técnica e estética em projeto funcional
 
Novos conceitos para ambientes hospitalares priorizam o conforto e o bem-estar do usuário, em condições muito semelhantes aos hotéis de luxo. Essa é a proposta do Hospital Vitória, unidade da Amil no Jardim Anália Franco, zona leste da capital paulista. Desenvolvida por Neide Senzi, a iluminação tira partido de recursos aplicados na hotelaria, mas sem deixar de lado a funcionalidade e a acuidade visual necessárias.
 
Instalado em um edifício construído especialmente para sua finalidade, o Hospital Vitória foi inaugurado no final de 2010. Internamente, ele combina ambientações inspiradas em hotéis cinco estrelas e um projeto luminotécnico que valoriza o conforto e o bem-estar do paciente, bem como as necessidades dos profissionais de saúde.

“A linguagem é a da hotelaria, mas com toda a funcionalidade necessária a um hospital”, destaca Neide Senzi, responsável pela proposta de lighting design.

Além da preocupação em prever instalações de menor consumo, um dos pontos centrais do projeto estava na facilidade de operação e manutenção, o que levou a profissional a limitar a variedade de lâmpadas a serem usadas.

Com a medida, evita-se a necessidade de ter grande diversidade de itens em estoque ou possíveis enganos na hora da troca.

Linhas de lâmpadas marcam rodapé de cada andar
Linhas de lâmpadas T5 de 28 watts e 3 mil kelvins marcam o rodapé de cada andar e dão continuidade aos frisos da alvenaria
 
Jardim leva luz natural para área da internação
O jardim leva luz natural à área da internação. Sua laje de piso fecha o átrio central
 
Foram empregadas basicamente lâmpadas de temperatura de cor mais baixa - fluorescentes T5 de 28 watts e 3 mil kelvins e fluorescentes compactas de 26 watts e 2,8 mil kelvins, salvo exceções pontuais.

Outro aspecto determinante foi a prévia compatibilização dos projetos de instalações, de modo que em todas as áreas de circulação os sistemas de iluminação, ar condicionado, rede de sprinklers e som corram juntamente por dentro de um perfil metálico que sustenta todos esses módulos ao longo do forro, deixando o restante do plenum (espaço entre a laje e o forro) livre para as tubulações de água, oxigênio e outros gases de uso hospitalar. “Conseguimos organizar o caos. As instalações estão agregadas e não há conflito entre elas”, comemora Neide.

Em termos de conforto, o principal elemento é a luminária de dois módulos instalada acima de todos os leitos, que apresenta refletor assimétrico capaz de criar duplo cenário.
O primeiro direciona a luz para a parede atrás da cama, promovendo iluminação difusa e confortável a fim de proteger o paciente contra o ofuscamento.

O segundo tem luz voltada para o próprio leito e é usado somente durante procedimentos médicos ou de enfermagem.

No setor de emergências, a mesma luminária reaparece, mas com um terceiro módulo para downlight, que assegura os mil lux exigidos nos leitos, conforme as normas para esse setor dos hospitais.

Como pergolados, as luminárias de fechamento curvo com T5 de 3 mil kelvins identificam as ilhas de atendimento e postos de enfermagem
 
Projetores com lâmpadas de vapor metálico de 400 watts destacam varandas e reentrâncias da fachada
 
Instalações de ar condicionado, sprinkler, som e iluminação correm juntas por um perfil metálico
As instalações de ar condicionado, sprinkler, som e iluminação correm juntas por um perfil metálico
 
“A peça é importada da Espanha. No Brasil não existe uma opção de conjunto ótico com refletor assimétrico tecnicamente bem desenvolvida”, avalia Neide.

Distribuído por dois subsolos, térreo e mais dez pavimentos, o hospital apresenta átrio central de pé-direito sêxtuplo, para onde se voltam as circulações dos andares.

Todo o contorno das lajes é marcado por uma linha de luz na altura do rodapé, dando continuidade aos frisos que delimitam a caixa de circulação vertical.

A luz ainda vaza para o lado e funciona como balizamento do percurso. A laje do jardim que leva iluminação natural à recepção da internação, no sétimo pavimento, fecha esse vão, mas deixa passar a luz zenital para o átrio.

Logo na entrada - a área de pé-direito duplo sob a circulação do primeiro andar -, pendentes de grandes dimensões suavizam a imponência do ambiente, dando-lhe escala humana.

Os pontos de atendimento ao público e centrais de enfermagem localizados nos diversos andares são facilmente identificados por faixas transversais, semelhantes a pergolados de luz.
Elas utilizam fluorescentes tubulares T5 de 28 watts e 3 mil kelvins instaladas em luminárias com difusor acrílico curvo. Na sala de cirurgia, uma falsa claraboia com fluorescentes tubulares de 4 mil kelvins produz a sensação de luz natural.

Em seu contorno, luminárias herméticas geram luz periférica para dar equilíbrio de luminância ao ambiente, evitando o contraste entre o plano de trabalho e o entorno.

“O cirurgião usa equipamentos especiais de grande potência para iluminar a área da intervenção cirúrgica e não pode haver um contraste muito forte com o espaço ao redor porque isso causa fadiga visual, é bastante agressivo para o médico”, explica Neide.

Nos laboratórios também foram utilizadas luminárias herméticas a fim de evitar, segundo a arquiteta, a entrada de pó e o acúmulo de bactérias.


  Via PROJETODESIGN

Restante do plenum destinado às redes de água e gases medicinais
O restante do plenum é destinado às redes de água e gases medicinais
 
Sancas aparecem pontualmente no projeto
Difusores lineares do ar-condicionado acompanham a paginação da iluminação. Sancas aparecem pontualmente no projeto
 
Lâmpadas em sancas criam iluminação geral indireta para o auditório
Lâmpadas T5 em sancas criam iluminação geral indireta para o auditório
 
Colunas em pastilhas de vidro translúcidas, iluminadas internamente por lâmpadas de vapor metálico, simbolizam a luz divina na capela ecumênica
Colunas em pastilhas de vidro translúcidas, iluminadas internamente por lâmpadas de vapor metálico, simbolizam a luz divina na capela ecumênica
 
Luminárias de refletor assimétrico criam duplo cenário e direcionam a luz para a parede atrás da cama ou diretamente sobre o leito
As luminárias de refletor assimétrico criam duplo cenário e direcionam a luz para a parede atrás da cama ou diretamente sobre o leito
 

Um balanço da década de 2000 - Hospitais

Hospital Municipal Cidade Tiradentes, São Paulo, Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo e Walter Makhohl
Hospital Municipal Cidade Tiradentes, São Paulo, Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo e Walter Makhohl
 
 
Empreendimentos privados ditam a implantação de novas unidades
 
Em abril de 2010, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, contabilizava a existência no país de 6.750 hospitais: 1.971 eram públicos (federais, estaduais e municipais), 4.612 tinham controle privado e 167 funcionavam como hospitais universitários. Dos hospitais privados, 2,9 mil atendiam ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Mesmo que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assistência pública à saúde tenha melhorado, são os empreendimentos particulares que têm ditado a implantação de novas unidades. A aquisição, pelo banco BTG Pactual, da rede D’Or, no Rio de Janeiro, que em seguida assumiu o controle do Hospital São Luiz, em São Paulo, é um indicativo de para quem os escritórios de arquitetura poderão trabalhar nos próximos anos nessa especialidade (tal como na unidade Anália Franco do Hospital São Luiz, desenhada por Siegbert Zanettini).

A presença de fundos de investimentos e instituições financeiras no controle de grupos hospitalares é relativamente recente na economia brasileira. 

O segmento de seguros do Bradesco, por exemplo, nem cogitava adquirir parte do Fleury Medicina e Saúde (o que ocorreu no primeiro semestre de 2009) quando o laboratório implantou, no Jabaquara, zona sul paulistana, sua nova sede.

A horizontalidade desejada do ponto de vista operacional foi um dos maiores desafios dos arquitetos Eduardo Martins de Mello, Renata Semin e José Armênio Brito Cruz (os dois últimos do escritório Piratininga Arquitetos), uma vez que o lote apresentava razoável declividade.

O mesmo laboratório contrataria Rocco Associados para desenhar sua unidade no Itaim Bibi, também na zona sul, um conjunto formado por dois blocos de aparência monolítica, visualmente caracterizados pelo fechamento em vidro translúcido branco, complementado por brises de alumínio no padrão madeira. 

O prédio reafirma a preocupação que o Fleury tem com a qualidade dos espaços - também a unidade Paraíso foi desenhada por profissional de alto gabarito, Paulo Mendes da Rocha, embora o projeto se encontre descaracterizado.

Na década recém-terminada, o Hospital Israelita Albert Einstein manteve sua tradição de combinar excelência no atendimento com arquitetura qualificada. No Pavilhão Vick e Joseph Safra, o escritório Levisky Arquitetos Associados elaborou o plano diretor urbanístico e o estudo de viabilidade para que o escritório Kahn do Brasil implantasse o conjunto.

Pela primeira vez, o hospital apostou na volumetria menos contida e na paleta de cores mais diversificada. O desenho que estampa parte do edifício foi retomado na unidade no bairro de Perdizes, cuja autoria é também compartilhada por Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil. O primeiro Einstein fora do Morumbi possui volumetria assimétrica e busca interlocução com o entorno.

O perfil socioeconômico dos pacientes do Fleury e do Einstein não diverge muito daqueles que procuram atendimento no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, também em São Paulo. A secular instituição adquiriu, em 1905, o lote onde está instalada, próximo da avenida Paulista.
Noventa anos depois, Botti Rubin Arquitetos desenhou para o terreno um prédio com 18 pavimentos, de linhas contemporâneas. O centro para idosos Hiléa, com áreas de lazer, hotelaria e atendimento à saúde, também é um dos bons projetos da década. Desenhado pelo escritório Aflalo & Gasperini, em São Paulo, possui forma de lâmina e tem áreas de convivência na base.

O aumento da população de idosos fez parecer que o empreendimento era viável, mas ele não foi adiante e acabou adquirido pelo governo do estado, para receber a primeira unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. Esta atende pacientes com dificuldades motoras e é administrada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

É um trabalho similar ao realizado pela Rede Sarah, que trouxe enorme notoriedade a um dos mais admirados arquitetos brasileiros da atualidade: João Filgueiras Lima, o Lelé. A experiência de Lelé com a arquitetura do setor consumou-se no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, com o Centro de Reabilitação Infantil e o hospital Sarah, elegante conjunto de 52 mil metros quadrados de área construída que contrastam com o descampado do entorno.

Situação oposta (vizinhança densa e paisagem natural desprovida de interesse) foi enfrentada pelos arquitetos José Borelli Neto, Hércules Merigo (Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo) e Walter Makhohl para implantarem o Hospital Municipal Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste paulistana. A forma é a do tradicional pavilhão - a parte superior das fachadas é caracterizada pelos elementos vazados e na inferior o desenho é de inspiração concretista.

Hospital Israelita Albert Einstein/Pavilhão Vick e Joseph Safra, São Paulo, Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein/Pavilhão Vick e Joseph Safra, São Paulo, Levisky Arquitetos e Kahn do Brasil
 
Laboratório Fleury, São Paulo, Rocco Associados
Laboratório Fleury, São Paulo, Rocco Associados
 
Hospital Israelita Albert Einstein/Unidade Perdizes, São Paulo, Levisky Arquitetos Associados e Kahn do Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein/Unidade Perdizes, São Paulo, Levisky Arquitetos Associados e Kahn do Brasil
 
Laboratório Fleury, São Paulo, Eduardo Martins de Mello e Piratininga Arquitetos
Laboratório Fleury, São Paulo, Eduardo Martins de Mello e Piratininga Arquitetos
 
Centro de idosos Hiléa, São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos
Centro de idosos Hiléa, São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos
 
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, Botti Rubin Arquitetos Associados
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, Botti Rubin Arquitetos Associados
 
 
Com técnica e poesia
Hospital da Rede Sarah (2001/02) - João Filgueiras Lima
Por Fernando Diniz Moreira
O extenso edifício de volumes brancos curvos e contínuos, repousando suavemente sobre o descampado ao redor da lagoa de Jacarepaguá, representa a síntese que Lelé procurou em toda a sua vida profissional: a busca por uma arquitetura baseada na técnica e na industrialização, que respondesse às necessidades de um país em construção, mas que ao mesmo tempo tivesse formas livres e fluidas, tão caras à arquitetura moderna brasileira. 
 
A obra de Lelé invalida a ideia de que uma arquitetura pensada de acordo com princípios da industrialização é inferior ou dissociada daquela concebida “artisticamente”. Lelé tem uma concepção mais abrangente da funcionalidade, que inclui também o bem-estar das pessoas.
 
O infortúnio de um acidente o fez experimentar a desumanidade e a frieza de um hospital e o levou a defender a criação de ambientes que façam o paciente se sentir bem e, assim, ajudem no processo de cura

Nesse hospital, como nos outros da Rede Sarah, a humanização dos espaços é feita por meio de três dimensões.

A primeira é a utilização da ventilação e iluminação naturais como forma de fugir dos espaços herméticos e de contribuir no combate à infecção hospitalar. Para evitar a incidência direta do sol, Lelé propôs o uso de sheds, cujas formas marcantes respondem a requisitos aerodinâmicos que facilitam a circulação dos ventos e ao mesmo tempo atestam sua experiência com Niemeyer.

A segunda é a introdução de amplos espaços coletivos nos quais a presença de jardins e obras de arte é uma constante. As cores e padrões dos painéis de Athos Bulcão, pensados de forma integrada ao ambiente e próximos das fontes de luz e dos jardins, enaltecem e valorizam o paciente e dão vida ao local.

A terceira reside na dimensão tectônica, na forma como ele articula os elementos construtivos. O edifício segue princípios de flexibilidade e padronização dos elementos construtivos, visando rapidez na execução. A repetição desses poucos elementos configura todo o prédio, desde a estrutura até caixilhos e guardacorpos (como é didaticamente mostrado em um vídeo que fez parte da exposição no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, há alguns meses).

A forma como eles são articulados é o que confere significado ao edifício. Neste hospital, a arquitetura emociona não apenas pela integração com a natureza e com a arte, mas sobretudo pela inventividade no manejo de elementos padronizados. Lelé tira partido de aparentes restrições para criar uma arquitetura de pura poesia.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

 
 
 
 
 

sábado, 19 de novembro de 2011

Clínica da Família, Rio de Janeiro

 Sistema construtivo que pudesse ajustar-se aos mais variados tipos de terreno
Uma das virtudes do projeto foi desenvolver um sistema construtivo que pudesse ajustar-se aos mais variados tipos de terreno
 
Idealizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, o programa Clínica da Família ocupa edificações implantadas a partir de projeto dos arquitetos Jozé Candido Sampaio de Lacerda Jr. e Alexandre Pessoa. São mais de 40 unidades instaladas, com base num sistema modular constituído por estruturas e placas de vedação metálicas, que, segundo os autores, acelera a construção e reduz desperdícios.
Na edição de 28 de julho, o Diário Oficial do Rio de Janeiro trouxe na capa a manchete “Prefeitura inaugura a 42ª Clínica da Família da cidade”. A notícia referia-se à unidade de Del Castilho, que se incorporava ao programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, o qual prevê a construção de 70 dessas edificações.
A rapidez na conclusão das instalações - 40 dias, em média - é favorecida pelo projeto desenvolvido pelos arquitetos Jozé Candido Sampaio de Lacerda Jr., do escritório JC&S Arquitetos Associados, e Alexandre Pessoa, da Riourbe - Empresa Municipal de Urbanização.
A proposta se baseia num sistema construtivo modular idealizado pela dupla de arquitetos, tendo como premissa a adaptação a qualquer tipo de terreno, já que, explica Lacerda, sabia-se em que regiões os prédios seriam implantados, mas não exatamente em quais lotes.
A isso, somava-se a necessidade de uma construção rápida e de fácil manutenção, mas que não desprezasse o conforto dos usuários e dos profissionais de saúde.
Lacerda e Pessoa optaram por uma solução que tem estrutura metálica e vedação com placas também de aço com isolamento termoacústico, materiais que, na avaliação dos arquitetos, permitem uma construção rápida com baixo índice de desperdício e, em consequência, otimização de custos e ganhos de escala.
O sistema modular é montado sobre uma base com fundação em radier depois revestida com piso industrial de alta densidade e resistência à abrasão e a impactos.
A unidade do sistema, segundo Lacerda, são as salas de consultas, cada uma com 7,50 metros quadrados. Agrupadas em duas, deram origem à modulação básica de 5 x 5 metros.
Sistema construtivo tem como base estrutura de aço
O sistema construtivo tem como base estrutura de aço, mesmo material empregado na cobertura e no fechamento
A função essencial da peça é evitar a incidência direta da luz solar, mas o desenho também apresenta atrativo estético
 
 Essa medida foi posteriormente ajustada por causa da modulação das placas de vedação, à qual foi acrescentada a circulação periférica. O módulo final adotado foi de 4,90 x 7,80 metros”, detalha o arquiteto. Em resumo, cada módulo apresenta 39 metros quadrados, sendo 24 de área construída.
A partir do módulo inicial foram desenvolvidas duas variações: uma que serve as áreas de depósitos, administração, salas de exame e observação; outra para ser empregada como elemento de conexão ou, isoladamente, para receber setores administrativos, salas de reuniões e auditórios.
Outros aspectos com os quais os arquitetos se preocuparam foram a eficiência energética e a sustentabilidade. As edificações têm sistema de aproveitamento da água da chuva (o caimento dos telhados é feito na parte externa do prédio e a água captada nas calhas é armazenada em compartimento separado para reúso), apropriam- se de técnicas de ventilação cruzada e privilegiam a luz natural.
Na cobertura, explica Lacerda, o afastamento do telhado em relação à cobertura das salas propicia a circulação do ar e evita a incidência direta de raios solares, aumentando a eficiência do sistema de condicionamento de ar.
Todas as unidades possuem jardim interno, que tem basicamente duas funções: permitir a ventilação cruzada em todos os compartimentos, a insolação nas circulações e a iluminação natural das áreas comuns; e dar maior conforto aos usuários, privilegiando a vista de uma área verde que articula as circulações internas e gera um espaço de espera mais agradável.
 
Conjuntos são montados sobre fundações do tipo radier
Os conjuntos são montados sobre fundações do tipo radier sobre as quais são construídos pisos de alta resistência
Área de espera
Área de espera de uma das clínicas. O município pretende implantar 70 conjuntos
 
Esquema de montagem
Esquema de montagem
Implantação - unidade de Vila Alzira/Paciência
1. Recepção / 2. Auditório / 3. Jardim / 4. Odontologia / 5. Consultórios / 6. Farmácia / 7. Observação / 8. Reuniões / 9. Agentes
10. Acesso de serviço / 11. Ultrassonografia / 12. Radiografia
 
Via ProjetoDesign
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Hospital Israelita Albert Einstein, Unidade Perdizes, São Paulo

O recuo da edificação no térreo cria espaço para o fluxo de veículos e emergência
O recuo da edificação no térreo cria espaço para o fluxo de veículos e emergência
Volumetria assimétrica faz interlocução com o entorno
Tendo como matriz arquitetônica - no que diz respeito, principalmente, à caixilharia marcante - o projeto de ampliação da fase mais recente do Albert Einstein, o hospital em Perdizes é a primeira grande unidade longe da sede no Morumbi.
A unidade Perdizes do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, é um edifício de volumetria horizontal, que faz da afinidade com a morfologia densa do entorno o argumento de um projeto baseado no máximo aproveitamento do lote. Tirando partido das qualidades do tecido urbano, seus recuos, fluxos e visuais, priorizou-se a implantação compacta, em monobloco, mas que parece se desmembrar em altura, acompanhando as faces de alinhamento do lote.
A concepção arquitetônica teve início em 2006, com a avaliação fundiária e a consultoria em legislação urbana. Naquele ano, a aprovação da lei municipal 14.242, de incentivo à implantação de hospitais, delineou novo panorama legal para a construção da unidade especializada em oncologia, principalmente pelo coeficiente quatro de aproveitamento. Esse potencial extra poderia ser utilizado vertical ou horizontalmente, explica Adriana Levisky, autora do projeto ao lado de Arthur Brito, arquiteto do escritório Kahn do Brasil. A opção recaiu sobre a horizontalidade, que facilita o fluxo de pacientes e da equipe médica.
A modulação em mosaico cria escala intimista nos interiores
A modulação em mosaico cria escala intimista nos interiores
 
As faces voltadas para a avenida Sumaré são envidraçadas e têm grafismos diversos
As faces voltadas para a avenida Sumaré são envidraçadas e têm grafismos diversos
A proposta previa que, além de humanizada e funcional, a unidade hospitalar deveria ser sociável. Adriana relata que, já no projeto que ela havia desenvolvido anteriormente para o plano diretor da sede do Albert Einstein, no bairro do Morumbi, esteve às voltas com o princípio da criação de espaços humanizados, qualidade que tem impacto em várias escalas, desde o sistema construtivo até a ambiência interna.
Um dos diferenciais do empreendimento é a inserção em região consolidada da cidade - ainda que de uso predominantemente residencial -, o que, em comparação com as grandes massas edificadas que a constituem, fez com que os escassos recuos do Einstein tivessem impacto atenuado no entorno. Colabora para isso a angularidade da face frontal do edifício, desmembrada em duas fachadas suspensas de vidro grafite, insulado e serigrafado.

Elas estabelecem a relação direta do ambiente hospitalar com as referências urbanas locais, pois os grafismos que as individualizam - um, linear e horizontal; o outro, um mosaico colorido - comunicam interna e externamente o posicionamento relativo da edificação. As áreas sociais e de atendimento são lindeiras às superfícies envidraçadas, que, na esquina, voltam-se para a avenida Sumaré. Os setores de serviço prolongam nos interiores o eixo funcional de acesso pela rua Apiacás.
Estruturalmente, a série de pilares periféricos e o core central, ambos de concreto, geram a planta livre do hospital em Perdizes, a fim de melhor acomodar o complexo programa. Em termos gerais, cada laje foi dividida em dois setores paralelos, delimitados pelo núcleo de escada e elevadores: a parte da frente tem vocação social, com salas de espera, de atendimento e cafés, enquanto na posterior predominam as áreas de serviços.

Os materiais e as dimensões dos ambientes de estar visam a humanização da arquitetura hospitalar
Os materiais e as dimensões dos ambientes de estar visam a humanização da arquitetura hospitalar
 
O ambiente a céu aberto, no quinto pavimento, oferece vista privilegiada para o bairro residencial
O ambiente a céu aberto, no quinto pavimento, oferece vista privilegiada para o bairro residencial
 
Fachada em mosaico de vidro no ambiente principal de recepção e espera
Fachada em mosaico de vidro no ambiente principal de recepção e espera
A interlocução da arquitetura com o empreendimento hospitalar é bem específica, relata Adriana. “São várias equipes e sistemáticas de trabalho, como se fossem vários clientes”, cujas demandas precisam ser orquestradas por uma diretriz maior. No caso, a da socialização e dos mínimos deslocamentos verticais, mesmo considerando tratar-se de uma edificação com dez pavimentos no total, metade aérea e metade enterrada.
No que se refere à sustentabilidade, a meta é obter o certificação Leed na categoria Prata. “Trabalhamos com fachada ventilada associada à pele de vidro insulado, cuja coloração grafite reduz a incidência solar nos interiores”, conclui a arquiteta.
 
O grafismo horizontal da pele de vidro foi pensado para permitir, com privacidade, a visualização do exterior
O grafismo horizontal da pele de vidro foi pensado para permitir, com privacidade, a visualização do exterior
 
O hall de entrada tem pé-direito duplo e é amplamente iluminado
O hall de entrada tem pé-direito duplo e é amplamente iluminado
 
Publicada originalmente em PROJETODESIGN | Edição 367 Setembro de 2010
Projeto: Adriana Levisky e Arthur Brito
 

sábado, 18 de setembro de 2010

TERESA GOUVEIA ARQUITETURA - INSTITUTO DA PRÓSTATA


 
Ocupando área de 350m², o antigo velório foi totalmente reformulado, para abrigar o Instituto da próstata, único na América Latina. Com infraestrutura completa, possui quatro consultórios, duas salas de exames, duas salas de procedimentos, um repouso, área administrativa, reunião e recepção e os mais modernos equipamentos médicos do setor. A preocupação com a acessibilidade, foi constante e quatro dos doze banheiros, são acessíveis. 

"É o primeiro Centro da especialidade próstata na América latina. Os exames e o tratamento ainda são tabus para muitos homens e por isso o Instituto foi pensado para garantir privacidade e tornar tudo me-nos desagradável”. Teresa Gouveia

Amil - Unidade Avançada Tatuapé


 Capacidade estimada de quinze mil consultas mensais

 

Flexibilidade dos espaços para permitir a adequação a diferentes utilizações e a modernização das tecnologias

A Unidade Avançada Tatuapé possui sete pavimentos, com uma área total construída de 6.500 m2, localizada na rua Visconde de Itaboraí, 60, entre as ruas Mello Freire e Coronel Antônio Dias, em um corredor de alto fluxo automobilístico de ligação entre as Zonas Leste e Oeste, ao lado do Shopping Tatuapé, um dos maiores de São Paulo e o único no seu porte com acesso direto ao Metrô, Estação Tatuapé.
A unidade conta com pronto socorro com atendimento 24 horas, dez leitos de observação, sala para grandes emergências, exames de tomografia e raio x, com uma capacidade estimada de dez mil atendimentos mensais, serviço de pronto atendimento com trinta consultórios, para diversas especialidades, além de coleta, mamografia, ergometria, ecocardiograma, ultra-som, ginecologia, vulvoscopia, colposcopia, endoscopia, densitometria óssea e pequenos procedimentos com cinco leitos de recuperação, com uma capacidade estimada de quinze mil consultas mensais.

O projeto da unidade previu uma arquitetura de grande sustentabilidade, adotando um processo para redução dos impactos ao meio ambiente, além de um foco específico na utilização racional de água e energia, evitando o desperdício, seguindo as recomendações para a construção de uma unidade ecologicamente correta e com a utilização dos mais elevados padrões de engenharia e os mais modernos sistemas construtivos.

Desenvolvemos um conceito arrojado que estará privilegiando a conveniência dos clientes, e proporcionando condições de qualidade, expansibilidade e funcionalidade ideais para o perfeito funcionamento das atividades da equipe médica, além de prever a flexibilidade dos espaços para permitir a adequação a diferentes utilizações e a modernização das tecnologias.

A decoração será desenvolvida em toda a unidade com a preocupação de humanizar os espaços aliando funcionalidade conforto e harmonia.
Alguns diferenciais executados na construção da unidade

A estrutura, de concreto armado, foi projetada para suportar mais seis pavimentos, de estrutura metálica, para futuras ampliações da unidade. Optou- se, na fase de fundação, por estacas escavadas com Lama Bentonítica, com profundidade média de dezoito metros e diâmetro de 900mm. Tal opção construtiva da estrutura foi de extrema importância, levando-se em consideração as edificações vizinhas, muito próximas do muro de contorno do terreno.

Projeto arquitetônico específico para a fachada, que além do objetivo de transmitir a grandiosidade do empreendimento, possibilita o conforto acústico e térmico, através do sistema de vidros glasing com espessuras específicas para esta finalidade.

Redução do consumo de energia com a possibilidade de utilização da luz natural, através da sua fachada, do Átrio interno, com 36m2 de projeção e com a utilização de iluminação de alto desempenho.

Reaproveitamento da água através de captação de águas pluviais e lençol freático.
EQUIPE TÉCNICA
Responsável pelo Projeto | Amil Projeto
Executivo Responsável | Robson Szigethy
Engenheiros | Edmo Sarago Silva e Marcos Ferreira Lopes
Arquitetos | Eduardo de Sá Fortes Gullino e Fernanda Paula Marques
Decor. de Interiores | Solange Medina e equipe
Créditos: Flex Editora 
 
 
 

Retrofit Hospitalar

Retrofit Hospitalar, uma solução para a modernidade

Hospitais construídos sem Planejamento e Projeto de Arquitetura adequados à Saúde podem ser revitalizados com poucos recursos financeiros. O conceito de Retrofit, cujo significado seria reconversão, tem origem nas expressões latina retro, que significa movimentar-se para trás, e inglesa fit, cuja tradução é como uma adaptação, um ajuste. A prática de Retrofit é bastante corriqueira na Europa e nos Estados Unidos e possui o objetivo de revitalizar antigos edifícios, aumentando sua vida útil, através da incorporação de modernas tecnologias e utilização de avançados materiais.

O Retrofit não pode ser considerado uma simples restauração, uma restituição do imóvel à sua condição original. Nem uma reforma, que visa à introdução de melhorias, sem compromisso com suas características anteriores. O Retrofit não somente deixa os ambientes e instalações com cara e durabilidade de novo, como também os transforma em um empreendimento, muitas vezes, completamente diferente do original.

O Retrofit deve buscar a eficiência, pois é mais difícil do que iniciar uma obra, em função das limitações físicas da antiga estrutura. A redução do prazo e a existência do imóvel fixado em algum local, muitas vezes privilegiado geograficamente, certamente estimulam cada vez mais a adoção desta prática.

Devido à rígida legislação na arquitetura de alguns países, o rico acervo arquitetônico permanece, em muitos casos, da mesma forma. Aqui no Brasil o Retrofit vem crescendo consideravelmente. As cidades do país estão passando por um crescimento significativo, a ampliação da preocupação com a defesa de áreas tombadas também é uma característica atual, isso também pode explica a alta demanda para este tipo de solução.

Em qualquer situação que se utiliza o Retrofit, seja em grandes edifícios, áreas de lazer ou hospitais, tem o sentido de renovação, onde ocorre uma intervenção integral e completa, obrigando -se ao encontro de soluções nas fachadas, instalações, elevadores, proteção contra incêndio e demais itens que caracterizam seu posicionamento no que exista de melhor no mercado.

A motivação principal realizada pelo Retrofit é revitalizar antigos edifícios, aumentando sua vida útil, usando tecnologias avançadas em sistemas prediais e materiais modernos, compatibilizandoos com as restrições urbanas e ocupacionais atuais, sem falar da preservação do patrimônio histórico, sobretudo o arquitetônico.

A possibilidade de obter-se novos empreendimentos, com investimentos acessíveis, estimula cada vez mais a adoção do Retrofit, que requer uma análise da viabilidade econômica.


Retrofit hospitalar

Os maiores problemas identificados na estrutura de um hospital antigo e com carência de infra- estrutura atualizada, com a necessidade imprescindível de uma reforma, estão relacionados aos sistemas de esgotos, seguidos da ligação elétrica entre os blocos e, na seqüência, contratempos nos sistemas de vapor, água e gases medicinais, além do ar condicionado e das fachadas.

De acordo com o Arquiteto Domingos Brito, o projeto de arquitetura para revitalização de hospitais existentes é baseado em planejamento arquitetônico com a mínima intervenção física para não comprometer o funcionamento e planejamento financeiro, para que o hospital não se torne uma obra inacabada ou com o cronograma atrasado, piorando o que já estava ruim. “É necessário sempre atender um projeto de arquitetura em sistemas eficientes na saúde, com otimização concernente a funcionamento, desempenho, produtividade e redução de desperdícios e de ocorrência de hospitais doentes”, explica Brito.

A seguir, para melhor visualização do processo de Retrofit em hospitais, com o auxílio do arquiteto, separamos três situações diferentes, em Hospitais na cidade de São Luiz-Maranhão, e suas respectivas soluções.


Hospital São Domingos (hospital privado)

Situação encontrada: O Hospital São Domingos apresentava uma situação sem planejamento, devido ter começado suas atividades como uma clinica e se tornado hospital nos meados da década de 80. Apresentava características de um prédio novo em terreno pequeno, com as áreas anexas grandes e disponíveis para aquisição.

Solução: A solução encontrada foi à aquisição das áreas em anexo e um projeto para a construção do novo bloco, ampliando as unidades de internação, diagnóstico e serviços gerais, com o planejamento de crescimento dentro das primícias de uma arquitetura em sistemas de saúde.


Hospital Universitário- HU ou Hospital Presidente Dutra (hospital público)

Situação encontrada: O Hospital Universitário era caracterizado por ser um prédio antigo da década de 50 ,sem área para crescimento e áreas vizinhas para aquisição.
Solução: A solução encontrada foi adequar a arquitetura para melhor funcionamento das unidades em relação à circulação pública e privada, oferecendo dentro do prédio existente, alternativas viáveis para implantar vários serviços necessários que atendessem a rede pública e de hospital-escola.
Depois das intervenções de planejamento e de arquitetura hospitalar, o hospital é hoje considerado um dos melhores do Norte-Nordeste.


Hospital UDI (hospital privado)

Situação encontrada: O Hospital UDI era um prédio novo do início dos anos 90. Foi construído sem planejamento de arquitetura hospitalar, em um terreno pequeno sem a área interna para o crescimento, com pouca área vizinha para aquisição.

Solução encontrada: O Retrofit foi projetado no conceito de design baseado em evidência, conceito este que defende a idéia de que o ambiente participa da cura. Foi feita a aquisição dos poucos lotes da vizinhança, planejamento com pequenas intervenções para resolver os fluxos internos e externos, tornando-os eficientes e segregados, assim como setorizações das unidades. Tornando-as adequadas e eficientes ao contexto geral do hospital, um projeto de hospital design.

DOMINGOS BRITO

O Arquiteto e urbanista Domingos Brito é graduado pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro, desde 1984. Especializou-se em Arquitetura em Sistemas de Saúde, em 2001, pela UFBA- Salvador- Bahia. Ele realiza projetos nas áreas: Comercial, Hotelaria e Residencial. Realiza inúmeras revitalizações em ambientes hospitalares, podendo destacar o Hospital UDI, Hospital Universitário e o Hospital São Domingos
 
Créditos: Flex Editora


A Arquitetura e o Hospital do Futuro

Quando empreendemos a pesquisa a respeito do surgimento do hospital, nos deparamos com a questão de sua arquitetura pontuando a preocupação com a administração de cuidados, aos que necessitam de assistência, desde os mais remotos tempos da História. A partir do artigo de Antunes (1989), que preconiza o surgimento da “geografia hospitalar” como uma nova disciplina, observamos a preocupação com a implantação e a formatação destes espaços, no sentido de proporcionar adequada ambientação para as atividades desenvolvidas na prestação de cuidados à saúde.

“Muito antes que a medicina, a arquitetura foi a primeira arte a ocupar-se do hospital. A idéia de que o doente necessita de cuidados e abrigo é anterior à possibilidade de lhe dispensar tratamento médico.(...) Templos, conventos e mosteiros foram as primeiras instituições a recolher doentes e providenciar-lhes atenções especiais, como no culto a Asclépio na Grécia Antiga.” (Antunes, 1989, p. 227/228).

O desafio da arquitetura hospitalar de hoje é o de dotar estes espaços de conotações de acolhimento e familiaridade para o usuário, dotando a prática médica de um sentido de segurança e confiabilidade ao paciente, visando seu rápido restabelecimento e a minimização do seu sofrimento, finalidade primeira da instituição.

A HUMANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS DE ATENÇÃO À SAÚDE

Uma nova experiência na implantação de hospitais pode ser observada a partir da criação da PLANETREE, uma organização sem fins lucrativos, criada na Califórnia, USA, em 1978, por uma paciente insatisfeita com o tratamento pouco humanizado e traumatizante a que foi submetida, durante a sua internação. Estes conceitos fazem parte, ainda, da crescente tendência de assistência à saúde que combina amenidades e suporte emocional eficiente ao lado de cuidados médicos de qualidade, que é o chamado Patient-Centered Care.

A princípio, estes novos conceitos, podem ser considerados apenas como um incremento na qualidade do atendimento à saúde, o que efetivamente se procura, nestes tempos de qualidade total. No entanto, mais do que isso, existem estudos quantitativos e tabulações que nos levam a enfatizar a concepção de ambientes mais humanizados e dotados de itens de conforto ambiental, para apressar a cura e a alta de pacientes em unidades de saúde.

A partir destes novos conceitos podemos dizer que um novo modelo de hospital está surgindo. Estes parâmetros são baseados na forte corrente da humanização que permeia os estudos e pesquisas sobre a arquitetura de instituições de saúde. O desenho do novo hospital está, acima de todas as outras determinantes, baseado solidamente na figura do paciente e na tradução de todos os seus direitos e aspirações enquanto usuário do sistema de saúde.

Jain Malkin preconiza um desenho de hospitais baseado em evidências (evidence-based design), assim como a medicina baseada em evidências (evidencebased medicine), apresentando alguns requisitos (MALKIN, 2003), que ela descreve da seguinte maneira:

• eliminar os fatores ambientais estressantes como ruído, falta de privacidade, iluminação excessivamente forte, baixa qualidade do ar interior;

• conectar o paciente com a natureza através de janelas panorâmicas para o exterior, jardins internos, aquários, elementos arquitetônicos com água etc;

• oferecer opções e escolhas para o controle individual incluindo privacidade versus ambiente social, controle da intensidade da luz, escolha do tipo de música no ambiente, opções de posições no sentar, silêncio e quietude versus áreas de espera “ativas”;

• disponibilizar oportunidades de socialização através de arranjos convenientes de assentos que promovam privacidade aos encontros de grupos de familiares, acomodações para a família e acompanhantes nos ambientes de internação e para pernoite nos quartos;

• promover atividades de entretenimento “positivas” como arte interativa, aquários, conexão com a Internet, música ambiente, acessibilidade a videos especiais com programas que possuam imagens e sons reconfortantes e adequados à assistência à saúde;

• promover ambientes que remetam a sentimentos de paz, esperança, reflexão, conexão espiritual, relaxamento, humor e bem estar.

O HOSPITAL DO FUTURO
Os projetos arquitetônicos do hospital do futuro implementam, com o desenho e a concepção dos seus ambientes, a agilidade no processo de cura, a facilitação da incorporação tecnológica e a presença do conforto ambiental, estabelecendo espaços que integram o paciente com a natureza e que embasam a nova abordagem de assistência à saúde, centrada no paciente como um todo e na integração do seu bem estar físico, psicológico e espiritual. As bases dos conceitos apresentados podem ser consolidadas em seis recomendações, orientando a implantação e conformando uma nova abordagem para o desenho de hospitais. São elas:

• ACOLHER o paciente, dotando os ambientes de acesso à unidade- as “portas de entrada”- de aspectos de conforto, ampla oferta de informações, sinalização conveniente, facilitação de fluxos, salas de espera acolhedoras, facilidades como comunicação telefônica, cantina, atendimento pelo Serviço Social, áreas especiais para crianças e agilidade nos acessos à ocorrências de gravidade acentuada ou alta complexidade.

• INFORMATIZAR os estabelecimentos, agregando ao projeto todas as premissas para um grande conforto na distribuição de rede lógica, que possa ser dimensionada e flexibilizada o suficiente para atingir pontos disseminados por todos os setores, com ênfase nos acessos de Emergência e Urgência, Postos de Enfermagem, Salas de Telemedicina, Centros Cirúrgicos, Serviços de Imagem e laboratoriais, prevendo, ainda a sua futura expansão.

• PROMOVER a saúde da população através da integração dos mais diversos programas de prevenção e promoção de saúde, destinando áreas e espaços adequados para a educação de saúde e o desenvolvimento de ações de treinamento, convivência, didática e qualificação de médicos, enfermeiros, atendentes e usuários, na direção da implementação das idéias do movimento das Cidades Saudáveis.

• FLEXIBILIZAR a concepção da estrutura física da unidade, dotando seu desenho de atributos arquitetônicos para a sua futura ampliação, incorporação de tecnologia, reformas e readequações, através de modulação do desenho, racionalização de circulações, setorização adequada de serviços, análise criteriosa do programa arquitetônico e estabelecimento correto do perfil da unidade.

• HUMANIZAR os ambientes, incorporando itens de conforto ambiental que sejam capazes de afastar os fatores estressantes inerentes aos espaços hospitalares, e tendo como principal foco de atenção e de cuidados projetuais os desejos, aspirações e necessidades do paciente e a sua total integração com a natureza, o respeito à sua individualidade e a visão de conjunto de sua saúde física, psicológica, social e espiritual.

• COMPATIBILIZAR tecnologia, conforto ambiental e agilidade de fluxos com uma criteriosa escolha na especificação de materiais e de acabamentos, sistemas construtivos, modulações, durabilidade, segurança e facilidades na sua manutenção, agregando conceitos de prevenção e controle da infecção hospitalar e de biossegurança, dotando os estabelecimentos de potencial para atingir muitos anos de uso, com ambientes satisfatórios, eficientes e sólidos.

A partir da disseminação e do uso dos conceitos apresentados, poderemos contar com ambientes de atenção à saúde construídos com o olhar voltado para o futuro e ara o atendimento integral dos agravos da população, colocando o indivíduo no centro das atenções projetuais, e redimensionando os espaços para a sua verdadeira e oncreta missão, de prestar conforto para os males e a promoção da saúde dos indivíduos.

ELZA MARIA ALVES COSTEIRA
MSc- PROARQ-FAU-UFRJ.
Créditos: Flex Editora

Arquitetura Hospitalar - Ambientes de Saúde

Para atender à demanda do Estado do Rio de Janeiro foi prevista a construção de duas unidades: um hospital com 200 leitos e um centro de reabilitação infantil. O sítio para a construção das duas unidades, indicado pelo então prefeito do Rio de Janeiro João Paulo Conde, a pequena ilha Pombeba na lagoa de Jacarepaguá, embora excelente por sua localização privilegiada, seria insuficiente para abrigar o extenso programa proposto para as duas unidades. Além disso, as posturas municipais para edificações na região que circunda a lagoa estabelecia uma ocupação de apenas 10 por cento da área total, ou seja cerca de 5.500m2, área suficiente para abrigar apenas o centro de reabilitação. áreas verdes adjacentes ao edifício ali implantado, a vegetação de restinga autóctone que outrora predominava em toda a região da lagoa. Na administração do Prefeito César Maia, que sucedeu à de João Paulo Conde, foi concedida à Associação das Pioneiras Sociais para a construção do hospital uma outra área maior (80.000m2) também próxima da lagoa Jacarepaguá e a uma distância de cerca de 3km da ilha Pombeba.

PROGRAMA

• Ambulatório
• Setor de imagem com ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrasonografia e dopler trans-craniano.
• Setor de eletromiografia.
• Sala de curativos.
• Sala de gesso
• Pequena oficina ortopédica.
• Salões para fisioterapia e hidroterapia.
• Ginásio com quadra de esportes
• Garagem para barcos.
• Setor de serviços gerais com vestiários para 130 funcionários , administração, manutenção, cozinha, almoxarifado, refeitório, centrais de abastecimento, etc.

DIRETRIZES BÁSICAS DO PARTIDO

As principais diretrizes do partido foram as seguintes:

• localizar o conjunto de edifícios na área degrada pela ocupação anterior, preservando toda a vegetação autóctone remanescente no perímetro da lagoa.
• não empregar galerias de tubulações semelhantes às dos demais hospitais da rede Sarah, devido ao afloramento do lençol freático em toda a área da ilha.
• utilizar sistema de iluminação e ventilação naturais em todo a unidade e, simultaneamente, a alternativa de ar condicionado para as áreas de diagnóstico e tratamento.

CONFORTO AMBIENTAL

O clima do Rio de Janeiro caracteriza-se pelas mudanças significativas de temperatura durante o ano inteiro, podendo ultrapassar 35 graus centígrados até nos períodos de inverno. Esse fato, reforçado pelo marketing das industrias de climatização, além de criar a cultura dos espaços herméticos permanentemente com ar condicionado, vem gerando entre os profissionais de arquitetura, um crescente desinteresse pelas alternativas de ventilação e iluminação naturais que além de mais econômicas, constituem fator importante para a humanização dos ambientes. Isto sem mencionar também o descaso pela proteção térmica das fachadas e coberturas, o que acarreta desperdício adicional de energia para o próprio funcionamento dos sistemas de refrigeração adotados. Além disso, a falta de integração entre os projetos de ar condicionado e os de arquitetura, dificulta a solução de questões técnicas importantes como, por exemplo, a acessibilidade aos dutos que, sem uma higienização sistemática, ficam infestados de fungos, ácaros e bactérias. Esse tipo de problema, no caso de hospitais, tem conseqüências muito graves porque se, por um lado, os dutos passam a ser também difusores de bactérias, incluindo naturalmente as patogênicas resistentes aos antibióticos, por outro, os pacientes, fragilizados por suas próprias doenças, tornam-se menos imunes a contrair as infecções. Ou seja, os ambientes tornam-se mais propícios a disseminação da infecção cruzada contribuindo eficientemente para o aumento da temida infecção hospitalar que assola a maioria dos nossos hospitais. Levando em conta todos esses aspectos, nossa proposta para o conforto ambiental dessa unidade baseou-se sobretudo nos seguintes cuidados:

• Emprego de sistemas de iluminação e ventilação naturais para todos os ambientes do edifício.

• Emprego alternativo de ar condicionado para as áreas de diagnóstico, tratamento e administração.

• Emprego de sistema de acionamento do ar condicionado de cada ambiente sincronizado com o do movimento motorizado das respectivas esquadrias dos sheds, de modo a facilitar a eventual alternância no uso dos dois tipos distintos de ventilação.

SISTEMA CONSTRUTIVO

O emprego generalizado de sistema de ar condicionado determinou o redesenho dos sheds de modo a criando-se em seu arcabouço nichos adequados para a passagem dos dutos de ar condicionado. Além disso, os pés direitos e as aberturas dos sheds também tornaram-se mais altos de modo a aumentar a velocidade de extração do ar quente que sobe por tornar-se mais leve. Os demais componentes da construção tais como estrutura metálica, divisórias em argamassa armada, etc, são idênticos aos utilizados nos demais hospitais da rede.

HOSPITAL DO RIO DE JANEIRO

O terreno destinado ao hospital ocupa uma quadra de cerca de 80.000m2 situada próxima à Lagoa de Jacarepaguá em uma região baixa parcialmente inundada. Na época em que o projeto foi elaborado a malha urbana da região e os grades do sistema viário ainda não estavam completamente fixados. Os órgãos da prefeitura responsáveis pelo desenvolvimento urbano da região desaconselhavam a locação de pavimentos abaixo da cota 2m por estarem sujeitos a inundações provocadas pela eventual elevação do nível da lagoa. Além disso, cerca de 70% da área do terreno situada na cota média de 0,70m, apresentava uma espessa camada de turfa e de matéria orgânica que teriam que ser expurgados para a realização de qualquer tipo de construção ou de pavimentação. Assim, sob o ponto de vista econômico os indispensáveis aterros para a implantação do edifício e para a própria modelação do terreno destinada à execução do sistema viário interno
passaram a exigir um cuidado especial.

DIRETRIZES BÁSICAS DO PARTIDO

• adoção de uma solução horizontal com áreas de tratamento e de internação integradas a espaços verdes segundo os padrões dos demais hospitais da rede.
• aumentar o potencial de flexibilidade dos espaços internos em comparação com as demais unidades da rede em função sobretudo da maior complexidade desse hospital que deverá absorver a demanda de toda a região sul do país.
• criar sistema de iluminação natural para todas as áreas do hospital com exceção do centro cirúrgico e salas de equipamentos em que por motivos exclusivamente técnicos seja recomendável a iluminação artificial.
• criar sistemas alternativos de ventilação natural e ar condicionado privilegiando o primeiro de modo a permitir que os ambientes se mantenham abertos durante a maior parte do ano.
• criar, na cota 2m recomendada, um pavimento técnico em toda a extensão do hospital, evitandose os aterros onerosos que seriam necessários no caso do emprego de galerias semelhantes às dos demais hospitais da rede.

Assim, foram projetadas grandes coberturas com pés direitos variáveis superiores a 8m formando grandes sheds cuja disposição é totalmente desvinculada da organização dos espaços internos. Os tetos planos dos ambientes são constituídos de peças basculantes em policarbonato guarnecidas por caixilhos metálicos. O espaço resultante entre os tetos e as cober turas, com pés direitos sempre superiores a 4m, constituem ao mesmo tempo um grande colchão de ar ventilado e um difusor da luz solar que penetra pelas aberturas dos sheds. Os apartamentos da internação se desenvolvem em dois níveis e suas respectivas circulações se integram a um espaço central de convivência com pé direito duplo. O teto em arco é guarnecido por caixilhos de policarbonato que se abrem através de sistema motorizado de corre, permitindo a ventilação natural de todo o ambiente. Os tetos dos salões da fisioterapia e hidroterapia também são constituídos de coberturas em arco com vãos variáveis e sistema de ventilação e iluminação semelhantes ao do espaço de convivência. O auditório foi tratado como um volume independente de base circular com 36m de diâmetro guarnecido em seu topo por uma semi-esfera com 13m de diâmetro. Sua forma geométrica é bem definida facilitando sua produção industrializada, embora sua implantação, como melhor convinha à solução do espaço interno, ocorra segundo um plano inclinado em relação ao eixo da geratriz da superfície.

CONFORTO AMBIENTAL
A ventilação e conforto térmico dos ambientes são proporcionados pela seleção de três alternativas distintas:
• ventilação natural exclusivamente pelos basculantes do teto ou pelas grandes aberturas dos tetos em arco previstos no salão central de convivência, na fisioterapia e hidroterapia.

• ventilação natural forçada, através de dutos visitáveis, que insuflam nos ambientes o ar captado por unidades fan-coil no piso técnico. A extração dor ar é feita através dos basculantes do teto parcialmente abertos.

• ar refrigerado insuflado através dos mesmos dutos da alternativa anterior impulsionado pelas unidades fan-coil, que passam a receber circulação de água gelada produzida na central frigorígena localizada no páteo de serviço.

Neste caso, os basculantes do teto e aberturas dos tetos em arco do salão central da internação, da fisioterapia e hidroterapia serão fechados através de sistema motorizado acionado por interruptores ou por controle remoto. No centro cirúrgico, salas de equipamentos do setor de imagem e em alguns ambientes especiais, os basculantes de policarbonato serão substituídos por forros metálicos e sua iluminação será sempre artificial. No auditório circular também foi prevista a alternativa de iluminação e ventilação naturais através da abertura da semi-esfera com 13m de diâmetro localizada no topo da cobertura. O ar externo penetra no piso técnico em toda a fachada ao longo da qual se desenvolve um jardim de água que recebe as águas pluviais de todo o lote, lançando-as diretamente na lagoa de Jacarepaguá.

SISTEMA CONSTRUTIVO
A estrutura do piso técnico é constituída de vigamento metálico vencendo vãos de 2,50m, 3,125m, 3,75m ou 5m apoiado em pilares também metálicos que recebem, por sua vez, as cargas das lajes pré-fabricadas em argamassa armada com 0,625m de largura e comprimentos variáveis de 2,50m, 3,125m ou 3,75m. Essas lajes possuem armação de incorporação ao contra-piso armado executado após sua montagem. A estrutura do auditório é constituída de vigamento radial engastado em anel metálico superior com 13m de diâmetro e em anel de concreto inferior apoiado em pilares também de concreto. O anel superior é coberto por uma semi-esfera constituída de gomos móveis executados em alumínio. A estrutura dos solários é independente e constituída de duas plataformas metálicas, uma em cada nível dos dois pavimentos da internação. Essas plataformas são engastadas respectivamente em cada um dos lados de um pilar em treliça metálica rotulado ao nível do solo. O sistema estrutural é completado por quatro tirantes ancorados no solo e no topo do mastro e que constituem também os apoios laterais das plataformas.
 
Créditos: ARQ. PROF. DR. JOÃO FILGUEIRAS LIMA