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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Museu Hergé, Bélgica

Arquitetura de geometria complexa e grandes transparências no Museu Hergé, de Christian de Portzamparc, em Lovaine-la-Neuve, Bélgica.


Com geometria complexa, cores vivas e grandes transparências, o projeto - um prisma alongado em forma de navio - evoca com extrema maestria o universo criado por Hergé, o grande mago das histórias em quadrinhos do século 20.





Como tornar museológico o universo de um autor de HQ sem arriscar a ênfase, ou pior, a síndrome de parque de diversões?

Como interpretar a graça e a legibilidade de Hergé, pseudônimo criado pela inversão das duas primeiras sílabas do nome de Georges Remy, artista gráfico belga, responsável pela criação de personagens e aventuras que marcaram tantas gerações, em todo o mundo? O projeto foi um desafio, mesmo em se tratando de Christian de Portzamparc, prêmio Pritzker de 1994, considerado pela crítica internacional como "o mágico do espaço e da superfície".

O convite para projetar o museu foi feito em 1996 pela própria viúva e herdeira de Hergé, Fanny Rodwell (atualmente casada com Nick Rodwell), e admiradora de sua obra. 

O arquiteto ficou contente com a escolha do seu nome, embora "um pouco perplexo". Portzamparc já havia projetado bibliotecas e museus para obras clássicas, mas, dessa vez, tratava-se de um museu para Hergé, uma das personalidades mais criativas do século 20, o gênio criador de aventuras que enriqueceram seu imaginário infantil.


Como profundo conhecedor do mundo de Hergé, Portzamparc procurou, desde os primeiros estudos para o projeto, colocar o imaginário no centro de suas reflexões.
 

Em 2001, quando foi definido o local da implantação, em um terreno no meio de um bosque em Louvain-la-Neuve, cidade universitária ao sul de Bruxelas, ele se decidiu pela "imagem de um barco encalhado no meio da floresta".
 

"A obra de Hergé é onírica. De seus álbuns, mesmo quando ele conta histórias de maneira muito concreta, depreende-se um sentimento de irrealidade. Seu mundo tem todas as características da realidade, mas não é a realidade. E era isso o que eu queria para o seu museu."
 


Os primeiros esboços do projeto foram apresentados a Fanny Rodwell em 2003. Ela aprovou a ideia de um edifício em forma de prisma alongado, com um gigantesco átrio ultraluminoso. Esse espaço, dotado de grandes aberturas envidraçadas, envolve os quatro grandes volumes, de cores e formas diversas, que abrigam, em dois pavimentos, as oito salas de exposição - essas mais sombrias e íntimas. "Esses volumes interiores são como capítulos de um mesmo livro, interligados por passarelas que atravessam o átrio e criam expectativa e curiosidade", acrescenta o arquiteto.

Uma exigência de Fanny Rodwell, plenamente atendida, foi a de que o museu deveria estar destinado a Hergé e não a Tintin, seu personagem mais famoso. No interior do edifício não há representação dos personagens, nem percurso lúdico destinado a crianças.
A atmosfera de história em quadrinhos é sempre presente, mas de maneira subliminar.
 

Os motivos coloridos que recobrem os volumes das salas de exposição são ampliações gigantescas de desenhos que figuram nos álbuns das Aventuras de Tintin.
 

As linhas traçadas, as paredes brancas ou as fachadas com as imensas aberturas de vidro, de recortes irregulares, fazem o traço de união com o mundo de Hergé.

Para predispor o visitante à ideia de uma viagem pelo imaginário do artista, o arquiteto projetou uma longa passarela que, como ponte levadiça, sai da praça central da cidade, ultrapassa a rodovia, e chega finalmente à entrada do museu-navio. A fachada se apresenta como duas páginas de um livro aberto: a da esquerda, com a silhueta de Tintin, de costas, dirigindo-se para um navio atracado em um cais; e a da direita, toda branca, apenas com a assinatura de Hergé. A primeira coisa que chama a atenção no museu é o seu interior colorido, onírico, visto através de grandes vidraças recortadas irregularmente, a exemplo das HQ criadas por Hergé.

 
A visita começa pelo piso superior, no nível dois, onde o visitante percorre quatro salas que apresentam a história e o desenvolvimento das HQ de Hergé. Por um sutil jogo de passarelas e escadas, chega-se ao piso dois, onde outras quatro salas mostram todas as facetas das aventuras criadas pelo artista.
 

O grafista e autor de HQ holandês Joost Swarte, tido na Bélgica como principal discípulo de Hergé, colaborou decisivamente para o sucesso da museografia e apresentação das coleções do museu.


Estão expostos aos visitantes, ao abrigo da luz, cerca de 80 pranchas originais, maquetes de navios, 800 croquis e desenhos, pinturas, estudos preparatórios e painéis publicitários, além de obras plásticas e objetos pessoais do artista. No primeiro nível, além do espaço da recepção, ficam os espaços reservados para mostras temporárias (no momento, apresenta o making-of da construção do museu), restaurante, lojas, livraria e salas da administração. Com uma superfície total de 3.600 m², o museu, todo estruturado em concreto, foi concluído em apenas 22 meses.


                                                            Georges Remy

Quem foi Hergé
Hergé, pseudônimo de Georges Remy, nasceu em Bruxelas, em 22 de maio de 1907. 
Como escoteiro, viajou na adolescência por diversos países da Europa, e em 1924 publicou sua primeira HQ, já sob o pseudônimo de Hergé. 
Mestre do desenho e da narrativa, ele criou inúmeros personagens, dos quais o mais famoso foi o jovem jornalista Tintin, que apareceu pela primeira vez em 1929. 
Os álbuns Aventuras de Tintin foram publicados durante dezenas de anos, com exceção do período da II Guerra. 
Em Bruxelas, em 1976, foi inaugurada uma estátua de Tintin e de seu cãozinho Milou, em uma praça pública, na presença de seu criador. 
Hergé morreu a três de março de 1983, e sua obra, um total de 200 milhões de cópias, já foi traduzida em mais de 50 línguas.
Como desenhista, ele foi o primeiro a usar o estilo Linha Clara, em que a linha forte tem sempre a mesma espessura e importância, e nunca é usada para sombreamento ou para enfatizar determinados objetos. 
O estilo frequentemente apresenta cores fortes e coloca seus  personagens em cenário realista. 
O uso de sombras é esparsa e todos os elementos de um painel são claramente delineados com linhas pretas. 
O nome Linhas Claras foi cunhado em 1977 por Joost Swarte, seguidor de Hergé, e autor do projeto de museografia do Museu Hergé.

Via Revista AU | Edição 187 



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