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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Museu do Design e da Moda

Em Lisboa, Museu do Design e da Moda projetado pelos portugueses Ricardo Carvalho e Joana Vilhena expõe estrutura depredada de prédio antigo.

POR MARIANA KINDLE FOTOS FG + SG/FERNANDO GUERRA




A instalação provisória do Museu do Design e da Moda em Lisboa, assinada pelos arquitetos portugueses Ricardo Carvalho e Joana Vilhena, assumiu a rudeza dos acabamentos depredados do antigo edifício do Banco Nacional Ultramarino como parte do projeto. Localizado na Rua Augusta, o edifício que hoje abriga o Mude agrega diferentes períodos da história de Lisboa de um modo suave. É a soma de uma arquitetura clássica feita de concreto armado e da modernidade de um design que utiliza tecidos e luz indireta.
No início da década de 2000, o edifício do banco, nas mãos de um novo proprietário, passou por um início de reforma, logo interrompido. Como resultado, não havia mais os acabamentos originais internos, expondo, por exemplo, as colunas de concreto e a laje crua. Em 2009, a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o edifício para instalar o Museu do Design e da Moda.
"O projeto do Mude baseia-se no fato de que o edifício em ruína é o único quarteirão na região da Baixa Pombalina passível de ser visto no interior sem obstruções significativas. Unindo-se, a isso, havia a estratégia de projeto de baixo custo", diz Ricardo.
Os interiores do antigo banco, projetado em 1952 por Cristino da Silva, caracterizava-se pelo térreo com uma forte relação urbana com as quatro ruas que o envolvem e por um balcão de pedra que, mantido, assumiu nova função no projeto e desenhou o espaço da exposição e o modo de percorrê-la: o visitante faz o percurso dentro ou fora dos limites do balcão - podendo, por vezes, ir e vir nos dois espaços passando pelas aberturas em determinados pontos. Divisórias de perfis de aço galvanizado revestidas por um leve tecido branco também trabalham na divisão de um espaço predominantemente aberto.
"O projeto do Mude faz-se com luz", diz Joana ao explicar a intenção de, com a iluminação artificial, valorizar a presença da estrutura existente e, principalmente, das peças da coleção. Outros materiais utilizados provêm do universo da construção, como os páletes, estrados para movimentação de cargas que aqui funcionam como pequenos palcos para exposição das peças.
Uma pintura industrial de tinta reflexiva, com partículas que refletem a luz, cobriu o piso da parte interna do balcão. Para reforçar a exposição da construção crua, os novos sistemas hidráulicos, elétricos e mecânicos foram instalados de modo aparente. Foram necessárias apenas demolições pontuais para clarificar a matriz da intervenção.
As peças de design e de moda ocupam o espaço de modo informal. E o olhar percorre com livre acesso todo o espaço de uma só vez, tanto da entrada onde fica a cafeteria - único espaço construído do zero - quanto das ruas que ladeiam o prédio. No total, 150 peças são expostas por vez, que na somatória completam um acervo de 2.500 peças.
Além do museu, o programa abre espaço para exposições temporárias, livraria, cafeteria, escritórios, a sala de projeção e um auditório informal para 100 pessoas. A área total do projeto é de 2.190 m² - 1.370 m² no térreo e 820 m² no pavimento superior - onde podem ser recebidos até 500 visitantes.
Para os arquitetos, "o maior desafio foi pensar um museu a partir da sua instalação temporária, questionando noções instituídas sobre museografia". Os arquitetos projetaram também algumas peças de mobiliário, como os bancos e a mesa de cortiça da cafeteria e os pufs de espuma de alta densidade distribuídos pelo museu. Como embasamento, utilizaram como referências o museu PS 1 Contemporary Art Center, em Nova York, e o Judd Foundation, do escultor Donald Judd, em Mafra, Texas.

FICHA TÉCNICA
ANO DO PROJETO
2008/2009ARQUITETURA Ricardo Carvalho + Joana Vilhena ArquitectosCLIENTE Câmara Municipal de LisboaEQUIPE Joana Vilhena, Ricardo Carvalho, José Maria Rhodes Sérgio, José Roque, Francisco Costa e Sebastião TaquenhoCOLABORADORES ARA, Fernando Rodrigues, AFA Consult, Atelier Pedro FalcãoÁREA TOTAL 2190 m²

Fonte: Revista AU

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