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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Habitação sustentável na China

Casa modular com estrutura de aço é modelo para habitação sustentável na China


Modelo desenvolvido pelo escritório Cartwright Pickard Architects será replicado em áreas destruídas por terremoto


Victor Martinez

O escritório britânico Cartwright Pickard Architects desenvolveu o modelo de casa NovoHouse para o programa Living Steel da Associação Mundial de Aço, que incentiva a criação de projetos e construções habitacionais inovadoras. Esse modelo deverá ser implantado inicialmente nas comunidades emergentes da cidade chinesa de Chengdu.


NovoHouse é o resultado do conceito modular de moradia desenvolvido pelo escritório de arquitetura desde a vitória no concurso da Living Steel em 2007. O projeto procura utilizar a construção em aço para desenvolver um modelo de habitação sustentável e prático às famílias de baixa renda.
Para a cidade de Chengdu, na região de Dujiangyan (no centro da China), o governo chinês em parceria com a Living Steel, Associação Internacional de Zinco e o Grupo Baosteel, está implantando 40 dessas casas, entre as reformas planejadas nos próximos três anos para a reconstrução das áreas destruídas pelo terremoto de Sichuan em 2008. Oito versões do NovoHouse estão previstas para alocar 14 famílias na área de Dujiangyan.



O modelo NovoHouse proposto utiliza o aço para criar um quadro estrutural que deve ser revestido por painéis pré-fabricados produzidos em fábrica ou no próprio canteiro de obras. Embora a estrutura seja de aço, outros materiais serão usados para revestir as moradias, tais como tijolos de barro artesanal, fardos de palha e madeira ou bambu - materiais disponíveis na região e que se adaptem ao clima local.
Além dos materiais, a mão de obra também será local. O objetivo é ajudar a gerar renda em áreas onde as habitações estão sendo planejadas, estimulando as economias da região. 
Revista: AU - 17 novembro de 2009

Museu Hergé, Bélgica

Arquitetura de geometria complexa e grandes transparências no Museu Hergé, de Christian de Portzamparc, em Lovaine-la-Neuve, Bélgica.


Com geometria complexa, cores vivas e grandes transparências, o projeto - um prisma alongado em forma de navio - evoca com extrema maestria o universo criado por Hergé, o grande mago das histórias em quadrinhos do século 20.





Como tornar museológico o universo de um autor de HQ sem arriscar a ênfase, ou pior, a síndrome de parque de diversões?

Como interpretar a graça e a legibilidade de Hergé, pseudônimo criado pela inversão das duas primeiras sílabas do nome de Georges Remy, artista gráfico belga, responsável pela criação de personagens e aventuras que marcaram tantas gerações, em todo o mundo? O projeto foi um desafio, mesmo em se tratando de Christian de Portzamparc, prêmio Pritzker de 1994, considerado pela crítica internacional como "o mágico do espaço e da superfície".

O convite para projetar o museu foi feito em 1996 pela própria viúva e herdeira de Hergé, Fanny Rodwell (atualmente casada com Nick Rodwell), e admiradora de sua obra. 

O arquiteto ficou contente com a escolha do seu nome, embora "um pouco perplexo". Portzamparc já havia projetado bibliotecas e museus para obras clássicas, mas, dessa vez, tratava-se de um museu para Hergé, uma das personalidades mais criativas do século 20, o gênio criador de aventuras que enriqueceram seu imaginário infantil.


Como profundo conhecedor do mundo de Hergé, Portzamparc procurou, desde os primeiros estudos para o projeto, colocar o imaginário no centro de suas reflexões.
 

Em 2001, quando foi definido o local da implantação, em um terreno no meio de um bosque em Louvain-la-Neuve, cidade universitária ao sul de Bruxelas, ele se decidiu pela "imagem de um barco encalhado no meio da floresta".
 

"A obra de Hergé é onírica. De seus álbuns, mesmo quando ele conta histórias de maneira muito concreta, depreende-se um sentimento de irrealidade. Seu mundo tem todas as características da realidade, mas não é a realidade. E era isso o que eu queria para o seu museu."
 


Os primeiros esboços do projeto foram apresentados a Fanny Rodwell em 2003. Ela aprovou a ideia de um edifício em forma de prisma alongado, com um gigantesco átrio ultraluminoso. Esse espaço, dotado de grandes aberturas envidraçadas, envolve os quatro grandes volumes, de cores e formas diversas, que abrigam, em dois pavimentos, as oito salas de exposição - essas mais sombrias e íntimas. "Esses volumes interiores são como capítulos de um mesmo livro, interligados por passarelas que atravessam o átrio e criam expectativa e curiosidade", acrescenta o arquiteto.

Uma exigência de Fanny Rodwell, plenamente atendida, foi a de que o museu deveria estar destinado a Hergé e não a Tintin, seu personagem mais famoso. No interior do edifício não há representação dos personagens, nem percurso lúdico destinado a crianças.
A atmosfera de história em quadrinhos é sempre presente, mas de maneira subliminar.
 

Os motivos coloridos que recobrem os volumes das salas de exposição são ampliações gigantescas de desenhos que figuram nos álbuns das Aventuras de Tintin.
 

As linhas traçadas, as paredes brancas ou as fachadas com as imensas aberturas de vidro, de recortes irregulares, fazem o traço de união com o mundo de Hergé.

Para predispor o visitante à ideia de uma viagem pelo imaginário do artista, o arquiteto projetou uma longa passarela que, como ponte levadiça, sai da praça central da cidade, ultrapassa a rodovia, e chega finalmente à entrada do museu-navio. A fachada se apresenta como duas páginas de um livro aberto: a da esquerda, com a silhueta de Tintin, de costas, dirigindo-se para um navio atracado em um cais; e a da direita, toda branca, apenas com a assinatura de Hergé. A primeira coisa que chama a atenção no museu é o seu interior colorido, onírico, visto através de grandes vidraças recortadas irregularmente, a exemplo das HQ criadas por Hergé.

 
A visita começa pelo piso superior, no nível dois, onde o visitante percorre quatro salas que apresentam a história e o desenvolvimento das HQ de Hergé. Por um sutil jogo de passarelas e escadas, chega-se ao piso dois, onde outras quatro salas mostram todas as facetas das aventuras criadas pelo artista.
 

O grafista e autor de HQ holandês Joost Swarte, tido na Bélgica como principal discípulo de Hergé, colaborou decisivamente para o sucesso da museografia e apresentação das coleções do museu.


Estão expostos aos visitantes, ao abrigo da luz, cerca de 80 pranchas originais, maquetes de navios, 800 croquis e desenhos, pinturas, estudos preparatórios e painéis publicitários, além de obras plásticas e objetos pessoais do artista. No primeiro nível, além do espaço da recepção, ficam os espaços reservados para mostras temporárias (no momento, apresenta o making-of da construção do museu), restaurante, lojas, livraria e salas da administração. Com uma superfície total de 3.600 m², o museu, todo estruturado em concreto, foi concluído em apenas 22 meses.


                                                            Georges Remy

Quem foi Hergé
Hergé, pseudônimo de Georges Remy, nasceu em Bruxelas, em 22 de maio de 1907. 
Como escoteiro, viajou na adolescência por diversos países da Europa, e em 1924 publicou sua primeira HQ, já sob o pseudônimo de Hergé. 
Mestre do desenho e da narrativa, ele criou inúmeros personagens, dos quais o mais famoso foi o jovem jornalista Tintin, que apareceu pela primeira vez em 1929. 
Os álbuns Aventuras de Tintin foram publicados durante dezenas de anos, com exceção do período da II Guerra. 
Em Bruxelas, em 1976, foi inaugurada uma estátua de Tintin e de seu cãozinho Milou, em uma praça pública, na presença de seu criador. 
Hergé morreu a três de março de 1983, e sua obra, um total de 200 milhões de cópias, já foi traduzida em mais de 50 línguas.
Como desenhista, ele foi o primeiro a usar o estilo Linha Clara, em que a linha forte tem sempre a mesma espessura e importância, e nunca é usada para sombreamento ou para enfatizar determinados objetos. 
O estilo frequentemente apresenta cores fortes e coloca seus  personagens em cenário realista. 
O uso de sombras é esparsa e todos os elementos de um painel são claramente delineados com linhas pretas. 
O nome Linhas Claras foi cunhado em 1977 por Joost Swarte, seguidor de Hergé, e autor do projeto de museografia do Museu Hergé.

Via Revista AU | Edição 187 



Piscina - como escolher o material

Há várias opções para revestir a piscina, mas é preciso prestar atenção na interação do material com itens importantes, como a qualidade da água e a segurança. POR SIMONE SAYEGH
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Piscina ainda é sinônimo de lazer e saúde, mas, como todo elemento de arquitetura, se transforma com o tempo e incorpora tendências e novos usos. A indústria de revestimentos acompanhou a evolução tecnológica e o aumento do nível de exigência dos consumidores, o que garantiu uma qualidade no resultado final impossível há dez, quinze anos. Os cantos vivos, as curvas malfeitas, o amarelamento das peças ou sua falta de atrito - que resultava em alto risco de escorregamentos - estão sendo controlados com a produção de peças de portfólio específicas para cada uso, compatibilizadas dentro de uma solução completa. Basicamente, os lançamentos no setor são empregados em duas vertentes de projeto, bem distintas. As piscinas voltadas a construções unifamiliares e as inseridas em condomínios residenciais.







A piscina na casa representa a construção de mais um cenário arquitetônico que complementa o partido do projeto e também reflete o padrão da residência. No caso, os requisitos de projeto recaem sobre os desejos estéticos do cliente, que muitas vezes superam as limitações de custo. "As piscinas podem ser curvas, coloridas, com desenhos exclusivos e específicos, vale tudo quando o assunto é piscina para residências, onde o valor agregado da assinatura de um paisagista ou arquiteto é muito mais evidente.", explica Gabriel Bertolacci, diretor da empresa de revestimentos Castelatto.


Essa liberdade de experimentar é campo fértil para os arquitetos, paisagistas e empresas, que podem arriscar a ponto de elevar produtos e formas que nascem exclusivamente no ambiente residencial a produções em larga escala. Priscila Matias, coordenadora de marketing da Gail, fabricante de revestimento cerâmico, diz que peças desenvolvidas exclusivamente para arquitetos podem se tornar produtos de portfólio.



Uma residência em um condomínio de alto padrão em Curitiba teve toda a iluminação das áreas externas e da piscina feita com o uso de fibra óptica, em um projeto com baixo consumo de energia e uso de materiais que não agridem o meio ambiente. A Reichenbach Fibras Ópticas, de São Paulo, realizou o projeto de iluminação da piscina com o produto chamado Fibraled, que combina fibra óptica e LED de extrema potência, aliando segurança com economia. Todo o jardim da casa e piscina consomem em torno de 65 W a 75 W de potência



A customização está em alta em ambos os mercados. Mesmo arquitetos que trabalham para grandes construtoras solicitam produtos com texturas e cores exclusivas para seus projetos, que mais tarde podem aparecer nas prateleiras, para todos. No entanto, o risco que toda empresa aponta é de se perder tempo, esforço e dinheiro no desenvolvimento de um produto que mais tarde será trocado por outro de efeito similar, mas sem a qualidade ou aparato técnico comercial de peso. "Quando chega na construtora, na hora da compra, eles substituem o produto, muitas vezes exclusivo, por um chinês que custa um centésimo do especificado mas aparenta o mesmo efeito", explica o arquiteto Rogério Cordeiro, da Vidrotil.


Sejam bem-vindos ao mundo das construtoras. Esse é um mercado completamente diferente. "Construtoras realizam 'obras sem dono' em contraposição à casa unifamiliar, cujo proprietário está presente e participa da decisão, essa é a diferença básica", explica o arquiteto paisagista Marcelo Faisal. No projeto para condomínios, o que manda é o custo, principalmente hoje quando grandes construtoras tradicionalmente voltadas para a construção de alto padrão migraram para o nicho econômico, no qual o comprador busca áreas de lazer formatadas como um clube para compensar a reduzida metragem dos apartamentos - alguns não chegam a 50 m2.


Em paralelo a essa necessidade surgiu a avalanche de produtos chineses, competitivos exatamente nesse ponto nevrálgico. A construtora quer retorno rápido, aposta pouco, mantém relação, ainda que tênue, com os mesmos fornecedores e controla totalmente a especificação de arquitetos e paisagistas. "Por velocidade e necessidade de resposta, você acaba limitando seu universo de experimentação", conclui Faisal.


Para experimentar, os materiais disponíveis variam entre cerâmicos, cimentícios ou o próprio vinil, que incorpora cor, padronagens e texturas. As soluções completas são compostas de peças para a piscina, borda e deck. Parte integrante desse sistema são as argamassas de assentamento e rejuntamento, que devem ser compatíveis com o material empregado. As juntas têm como objetivo permitir e compensar as eventuais variações dimensionais diferenciais que se originam no sistema construtivo multicamadas.
Assim como a piscina, o deck é ponto de encontro de lazer, além de emoldurar o tanque de maneira a harmonizá-lo com o todo arquitetônico. Os produtos voltados para essa superfície devem necessariamente ser antiderrapantes, mas algumas empresas prometem também acabar com a alta absorção de calor e já comercializam produtos atérmicos, como é o caso de alguns produtos cimentícios.
Outra característica comum nos projetos atuais é a criação de uma espécie de deck molhado, de cerca de 30 cm de profundidade, chamado prainha, onde se dispõem cadeiras de sol, banquinhos e até mesas. A prainha muitas vezes apresenta o mesmo revestimento do deck, que entra para dentro da água e passa a envolver dois níveis, um seco e outro molhado. Essa condição exige do revestimento escolhido a soma de altas resistências químicas e a radiação ultravioleta do sol, baixa expansão por umidade e um bom coeficiente de atrito, condição dos antiderrapantes.


As bordas incorporam quebra-ondas e curvas, podem se interligar a canaletas para desbordo (em piscinas coletivas), ou serem do tipo infinito (nas piscinas de borda infinita), em que a água transborda continuamente e, depois de recolhida a um reservatório, retorna à piscina. Ademir Camera Venesi,  presidente da Primeiro Mundo, empresa de automação e tecnologia voltadas para piscinas, alerta para bordas que despejam água direto no sistema de captação pluvial, o que desequilibra quimicamente a piscina toda vez que essa água é reposta. "A qualidade final da água depende muito do seu correto balanceamento químico e da circulação apropriada", explica Venesi. "Para isso é necessário primeiramente ter um sistema de circulação e filtragem dimensionado corretamente para as necessidades e volume do tanque", conclui. 
Todo esse cuidado, além de controlar a qualidade da água para banho, mantém a vida útil dos revestimentos dentro dos padrões prescritos.
As peças continuam com pequenos formatos, na forma de pastilhas ou mosaicos, mas as cores ultrapassaram os tons frios claros e escureceram, indo desde o azul e verde escuros até o vermelho ou preto. De acordo com Aníbal Reinchenbach, diretor da Fibraluz Fibra Óptica, esse escurecimento trouxe inconvenientes de higiene e segurança. 


A cor escura disfarça a sujeira, o que dificulta a limpeza, além de distorcer a real profundidade, o que pode ser perigoso em condomínios. A iluminação subaquática também é prejudicada, já que a reflexão da luz é bem reduzida. "É altamente frustrante para o cliente, que espera ter uma piscina iluminada à noite.", conclui. O sistema de iluminação com fibra óptica, além de ser mais seguro e discreto, permite alternâncias nas cores da luz, recurso mais efetivo quando o revestimento apresenta cores claras.



Para lê a parte de entrevista de como escolher material de uma piscina 




PISCINA CERTIFICADA
Presente em Olimpíadas e nos Jogos Pan-americanos, a Coleção Piscinas, da Gail, eliminou as bordas altas que impedem a visão integral da superfície. Esse formato possibilitou melhor visualização de quem está dentro e fora da piscina, com a água sempre no nível do deck. A linha é formada por produtos aprovados e certificados pelas normas NBR 13.818 e ISO 13.006. Esse selo de qualidade avaliza que foram cumpridas as exigências do Comitê Olímpico Internacional.





ÁGUA EM VINHO
O mosaico Vidrotil é produzido artesanalmente com vidro puro e especialmente formulado, disponível em várias cores e tamanhos, sempre com superfícies e formatos irregulares e textura característica diferente em cada tessela. Essas características artesanais garantem a reflexão multidirecional da luz e resultam em um brilho de efeitos luminosos únicos, além de possibilitar ampla liberdade de criação para artistas, arquitetos e designers.






FLEXÍVEL
A piscina de vinil da Sibrape permite projetos 100% customizados com formatos ortogonais e orgânicos. O revestimento pode imitar a textura de pastilhas, mosaicos e azulejos, com qualquer tipo de cor e padronagem. Ainda disponibiliza uma coleção de estampas que vão do estilo clássico ao contemporâneo, e a instalação é rápida e segura.






CURVA CORRETA
A linha Classic, da Solarium, é indicada para o revestimento de áreas externas e decks de piscinas. As peças cimentícias têm como característica principal a atermicidade e são antiderrapantes. Há uma ampla linha de acabamentos com bordas retas e curvas (borda dupla, peito de pomba, canto, cunha e quina), degrau e duplo degrau, além de acessórios como ralo, rodapé e soleira.






RESISTÊNCIA
Por praticamente não absorverem água e resistirem a altas temperaturas, as pastilhas de porcelana da Atlas são indicadas para aplicação em áreas molhadas e sujeitas ao calor. Para piscinas, vêm em formatos que acompanham curvas em tanques de contornos orgânicos, e conferem um excelente efeito visual e estético, com a possibilidade de inúmeros projetos de paginação. 





LINHA ESPECIAL
A Linha Piscina da Jatobá oferece uma grande variedade de cores e formatos criados para piscinas. São três tamanhos diferentes de pastilhas de porcelana para revestimento (2,5 x 2,5 cm; 4 x 4 cm e 5 x 5 cm) e um formato para deck e acabamento (5 x 5 cm). Na cartela de cores predomina o azul e suas variações, além dos brancos e beges. Suas principais características são: baixa absorção de água, resistência ao congelamento, a produtos químicos, a manchas e a choque térmico. Na foto, projeto de Anderson Leite e Roberta Kassouf.







Fonte: Revista AU







PORTA, PRIMEIRO CONTATO COM A OBRA


Segurança e conforto em áreas  de acesso
Assim como as fachadas, as portas de entrada de um empreendimento traduzem para o visitante o conceito arquitetônico do edifício. Antes consideradas itens do mercado de luxo, as portas automáticas, fabricadas em diferentes tipologias e com tecnologia de ponta, começam a despertar a atenção de arquitetos e consultores.



Entre os vários atributos de uma porta automática estão o conforto, a segurança e a economia de energia na operação do ar condicionado da edificação. Com tecnologia avançada, os produtos disponíveis no mercado possuem sistemas automatizados que atendem às exigências de projetos arrojados e não se restringem à função de abertura e fechamento. São elementos que valorizam a área de acesso em edifícios comerciais e residenciais. Além disso, reforçam a segurança, com dispositivos como sensores de presença e microondas para ativar as portas, fotocélulas laterais ou cortinas infravermelhas, botoeiras, controles remotos via rádio e leitores de cartões e biométricos.

Porta articulada
O engenheiro Dante Boccuto Jr., gerente da Divisão Automatic, da empresa Dorma Sistemas de Controles para Portas, destaca, neste texto, as características técnicas e os tipos de aplicação das principais soluções oferecidas para o mercado nacional. As portas automáticas mais comuns no Brasil são as deslizantes retas, utilizadas em edifícios comerciais, hotéis e prédios públicos, entre outros. E quando se trata de pequenos vãos, a mais indicada é a porta articulada ou de ponto de giro, empregada em lojas, farmácias e entradas laterais de shopping centers, por exemplo. Entre os produtos mais complexos estão as tipologias deslizantes (antipânico e curvas), as telescópicas, as portas batentes ou pivotantes e as giratórias.



Porta giratória


DESLIZANTES ANTIPÂNICO
Para locais com grande fluxo de pessoas, as mais indicadas são as portas automáticas retas com sistema antipânico. Além de deslizarem quando da aproximação dos usuários, as folhas móveis e fixas podem pivotar sob a ação de força manual. Isso garante a abertura de quase 100% do vão, facilitando, em caso de sinistro, a saída das pessoas daquele ambiente. Normalmente são utilizadas em shopping centers, aeroportos e rotas de fuga das edificações.

                 Porta giratória
DESLIZANTES CURVAS
Em arco pleno (meia circunferência) ou em segmento de arco (semi-arco), as portas automáticas deslizantes curvas atendem à necessidade de ampla abertura do vão útil de passagem ou então um vão total restrito. Nesse caso, avançam para a área externa ou para o interior do empreendimento, podendo ser côncavas (mais comuns) ou convexas. Quando utilizadas em conjunto (duas a duas), podem ser a solução em projetos que exigem antecâmara ou eclusa. No caso da antecâmara, a primeira porta se abre e a segunda também, na seqüência, antes mesmo de aquela se fechar. No sistema de eclusa, a segunda porta só se abrirá depois que a primeira tiver voltado a se fechar. Trata-se de solução que contribui para a segurança do local.
TELESCÓPICAS
As portas telescópicas permitem maior vão útil de passagem. Enquanto as deslizantes retas liberam, no máximo, 50%, as telescópicas chegam a 2/3 do vão total. Isso porque são compostas por duas folhas fixas laterais e quatro móveis centrais; estas, ao se recolherem, sobrepõem-se àquelas.
BATENTES OU PIVOTANTES
Tipologia ainda pouco utilizada no mercado brasileiro, as portas automáticas batentes ou pivotantes envolvem sistemas eletro hidráulicos e/ou eletromecânicos, fixados no batente ou nas folhas, dependendo da necessidade da abertura. Podem ser simples ou duplas e, no exterior, são comumente usadas em laboratórios, hospitais e escritórios. Mesmo na falta de e nergia elétrica o fechamento da porta está garantido, porque para isso os equipamentos adotam dispositivos hidráulicos com velocidades ajustáveis.

                   Porta giratória
GIRATÓRIAS
No mercado brasileiro, as portas giratórias são amplamente utilizadas em agências bancárias, que exigem confinamento - com a passagem de uma pessoa por vez - e segurança. Indo além desse conceito, esse tipo de porta garante o total isolamento entre os ambientes interno e externo, proporcionando conforto e economia no uso de energia com os aparelhos de ar condicionado. Podem ser manuais, semi-automáticas ou totalmente automáticas.
As portas giratórias são fabricadas sob encomenda, conforme dimensões (diâmetro e altura total) definidas pelo projeto arquitetônico. O diâmetro das manuais e semi-automáticas varia de 2.000 a 3.000 milímetros, em três ou quatro folhas. As portas com certificações internacionais que garantem a sua utilização para rotas de fuga e antipânico recebem dispositivos que permitem o pivotamento das folhas, ou seja, elas se dobram sob ação de força manual. Numa porta com diâmetro de 2.400 milímetros, por exemplo, a capacidade teórica de fluxo por hora é de 1.800 pessoas num mesmo sentido. Assim, a capacidade máxima por minuto para essa medida é 30 pessoas. Em diâmetros acima de 3.000 milímetros, as giratórias têm que ser, necessariamente, automatizadas. Elas podem ter de 3.000 a 6.200 milímetros, em duas, três ou quatro folhas. Os acabamentos variam de acordo com as especificações de projeto. Os mais comuns são o alumínio anodizado, o aço inoxidável, o aço escovado e a pintura no sistema RAL.






Energia Solar

Painéis de aquecimento de água nas fachadas


Antes instalados apenas sobre as coberturas, os coletores de energia solar para aquecimento de água agora já são vistos em fachadas, terraços e coberturas de vidro em edifícios europeus. São produtos que, além de elevado desempenho técnico, ganharam atrativos estéticos para atender a diferentes propostas arquitetônicas.


O uso de energia solar térmica já é bem aceito no mercado brasileiro para aquecimento de água de piscinas e outras aplicações em residências. A tecnologia do sistema é simples e basicamente utiliza tubulações de cobre, instaladas sobre uma lâmina também do mesmo material, sendo este conjunto encaixilhado e protegido por painel de vidro. Com bons resultados técnicos, mas sem atrativos estéticos, esses painéis passaram a ocupar partes escondidas das coberturas. Agora, a novidade são os painéis solares para aquecimento de água em edificações, de alta eficiência e aparência estética mais atrativa, que já podem ser vistos em fachadas, sacadas, terraços ou coberturas envidraçadas de edifícios europeus.


Segundo a empresa alemã Schüco, fabricante dos painéis, os coletores podem ser montados sobre lajes planas de cobertura, em telhados inclinados ou soluções periféricas de captação da luz solar, como painéis de fechamento de varandas e terraços, que também funcionam como protetores contra o excesso de incidência de luz solar no interior das edificações. A nova tecnologia de transferência de calor se compõe de absorvedores planos, feitos em chapa de alumínio grossa, com superfície revestida com isolante térmico, que otimiza e aumenta a eficiência da transmissão de calor para a tubulação. Os produtos desenvolvidos pela Schüco têm um novo processo de produção de alta pressão, que permite junções consistentes e duradouras entre a tubulação (serpentina) e o absorvedor, por meio de chapas de transferência de calor, por onde passam os tubos. Além dessas características, os coletores de energia solar térmica podem ter suas funções e o desempenho controlados por meio de um indicador de temperatura e por um regulador que faz o cálculo de rendimento.



Como são opacos, os painéis de captação podem ser utilizados em coberturas de vidro para produzir sombreamento






Os perfis e a parede posterior da placa solar são fabricados em alumínio; a superfície de vidro tem espessura de quatro milímetros, sem emendas, com absorção seletiva e área de 2,69 metros quadrados. O sistema hidráulico também foi otimizado para permitir que os coletores alcancem potência térmica nominal de 2 quilowatts. O acumulador possui isolamento térmico interno e na tampa de 120 milímetros, composto de resina melamínica. O isolamento do captador é feito com lã mineral de 40 milímetros. Com tubulação tipo serpentina e alta proteção contra corrosão, o coletor é fabricado de acordo com os parâmetros da norma europeia EN 12975II. A Schüco também oferece kits solares para aquecimento, que já vêm com instalações modulares, compostos de coletores, boiler, estação solar, bomba e regulador. As vantagens dos kits residem na aquisição de componentes compatíveis entre si, oferecidos com bomba solar eficiente, o que contribui para o baixo consumo de energia elétrica.





Segundo o tipo de captador e a posição do edifício, é possível transformar até 80% dos raios solares em calor








Aplicações
A
 energia solar térmica pode ser empregada tanto em construções novas como em projetos de reforma. O sistema funciona conforme os raios solares incidem nos coletores solares instalados no telhado ou outro local. Eles esquentam o fluido portador de calor que circula dentro da tubulação dos coletores e que é transportado para o acumulador solar, onde o calor esquenta a água que será utilizada em chuveiros e torneiras, ou na calefação, no caso de países de clima frio. A integração em uma instalação existente com geração central de água quente pode ser feita em qualquer tipo de edificação sem nenhum problema.



Coletores integrados à fachada do edifício


Na Europa, particularmente na Alemanha, com os programas de subvenção do governo que contemplam o uso da energia solar térmica e da fotovoltaica (que gera energia elétrica por meio dos raios solares), o mercado de energia solar vem crescendo. Com uma instalação solar térmica, é possível atender até 70% das necessidades de aquecimento de água em uma residência. Se for utilizada também para dar apoio, pode cobrir até 30% do total de energia necessária para aquecer os ambientes. Isso significa um grande passo em direção à redução da dependência do petróleo e do gás natural, que agravam as emissões de CO2 no planeta.






Detalhe de painel com tecnologia de transferência de calor

1. Serpentina

2. Chapas de transferência de calor embutidas

3. Revestimento seletivo do absorvedor

4. Vidro incolor

5. Caixilhos de alumínio

6. Isolamento térmico




Texto de Heloisa Medeiros
Publicada originalmente em
 FINESTRA
Edição 58 Setembro de 2009