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sábado, 19 de novembro de 2011

Museu de História de Ningbo, China

Fendas oferecem vistas da cidade, dos campos e do relevo do entorno
Fendas nos espaços internos e terraços externos oferecem vistas da cidade, dos campos de arroz e do relevo do entorno
Brutalismo à chinesa faz ode à paisagem
Em um distrito da cidade de Ningbo, na China, funciona desde 2010 um museu de história cujo projeto combina elementos vernaculares, materiais locais e referências brutalistas que fazem uma ode às tradições, à paisagem e às montanhas da região. O projeto dos arquitetos Wang Shu e Lu Wenyu, do Amateur Architecture Studio, mescla elementos regionais e contemporâneos.
O Museu de História de Ningbo, cidade localizada na costa leste da China, é o centro do projeto de urbanização que deu origem ao distrito de Yinzhou, principal eixo de crescimento dessa metrópole portuária cuja população supera os 2 milhões de habitantes. Rodeada por montanhas, a imensa planície reunia originalmente plantações de arroz, e mais de uma centena de vilarejos milenares tiveram de ser demolidos para dar lugar ao bairro.

Da tradição arquitetônica dessas comunidades nasceu a inspiração do projeto proposto pelos arquitetos do escritório Amateur Architecture Studio para o museu, que foi objeto de um concurso internacional realizado em 2003.


A grandiosidade do edifício supera o vernacular e remete ao brutalismo
Inspiração do museu de história de Ningbo veio das montanhas
A inspiração para o projeto do Museu de História de Ningbo veio das montanhas que circundam a cidade
“Nosso maior desafio foi desenhar um volume inteiramente isolado, por isso criamos um edifício que faz alusão às montanhas”, afirma o arquiteto Wang Shu, sócio do escritório. De acordo com ele, a proposta segue a cultura arquitetônica da China - onde as referências a elementos da natureza devem estar sempre presentes nas construções -, e uma volumetria que se assemelha ao relevo recortado dessa região do país.

A grandiosidade do edifício, porém, supera o vernacular e remete à arquitetura brutalista, com proporções que em um primeiro momento causam estranhamento, mas procuram tirar proveito das regras estabelecidas pelo plano diretor desse distrito de Ningbo, no qual se determina distância mínima de cem metros entre cada edificação e altura máxima de 24 metros para elas.
Para salientar o caráter histórico do museu, o projeto também estabelece o uso de materiais locais. É o caso das telhas da cobertura e dos tijolos da fachada, obtidos a partir de casas demolidas nas antigas vilas rurais de Ningbo.

Além disso, boa parte do revestimento interno é de pedras da região e de placas feitas a partir do bambu, planta que predomina na vegetação de todo o leste da China.

A proposta do Amateur Architecture Studio, porém, integra elementos contemporâneos ao conjunto: enquanto a alvenaria interna é de blocos de concreto, a estrutura do edifício combina aço e concreto armado.

Volume da ala norte
Cursos d’água complementam o caráter e a distribuição dos espaços no volume da ala norte
Museu respeita legislação local com altura máxima de 24 metros
Em respeito à legislação local, o museu tem altura máxima de 24 metros e mantém distância mínima de cem metros das construções lindeiras
“Do interior ao exterior, o volume é feito de aço, concreto e bambu, e mais de 20 tipos de tijolos e telhas reciclados. Graças a essa combinação, a base do edifício, configurada como uma simples caixa, explode em forma de montanhas”, acrescenta Wang Shu.
O acesso dos visitantes ao museu é feito a partir de um hall oval com mais de 30 metros de extensão, de onde partem três recortes verticais que abrigam as escadas, uma externa e duas internas, pelas quais os usuários seguem para os demais setores.

Tanto nas fendas que resultam da volumetria voltada para a área externa, quanto nas demais entradas e no lobby, salões secundários e pátios complementam a circulação do conjunto e conduzem aos espaços expositivos, às áreas administrativas e aos ambientes de apoio.

“Como na topografia montanhosa, há uma sobreposição de caminhos, que começam no nível do solo e seguem por um labirinto de amplos corredores e saguões. Para nós, esse layout é particularmente flexível porque consegue acomodar exposições em constante transformação”, explica o arquiteto.

No volume voltado para o norte, cursos d’água complementam a distribuição dos ambientes. Eles repousam sobre jardins forrados de junco, partindo de uma pequena barragem localizada no centro do edifício e terminando em um generoso pátio de paralelepípedos. Nessa área, as fachadas são marcadas por fendas, de onde os visitantes podem avistar a cidade, os campo de arroz que ainda restam e as montanhas a distância.

“Entre o natural e o artificial, a estrutura procura ser provocadora e austera, e expressa somente um elemento: as montanhas”, conclui Wang Shu.
 
Saguão principal do térreo
Com 30 metros de extensão, o saguão principal do térreo conecta-se a três recortes verticais, onde estão as escadas
Telhas e tijolos de demolição revestem fachada do museu
Da demolição de antigas casas rurais vieram as telhas e tijolos que revestem a fachada do museu
Via ProjetoDesign

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