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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um balanço da década de 2000 - Edificios administrativos

Jardins da Praça, Porto Alegre, Moojen & Marques
Jardins da Praça, Porto Alegre, Moojen & Marques
 
Propostas buscam soluções para melhorar relações com a cidade
 
Após duas décadas de freio, a construção civil brasileira retomou com intenso vigor suas atividades, sobretudo a partir da segunda metade da década passada. Em 2009, a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 8,3%, podendo chegar a 9,5% até 2022, segundo estimativa do Observatório da Construção, um braço do Departamento da Indústria da Construção Civil, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Esse movimento se deveu, em parte significativa, à expansão do crédito para financiamentos habitacionais e a investimentos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas não ficou restrito a esses segmentos: também aumentou a oferta de edifícios comerciais, administrativos e de serviços.

Em recente edição do jornal Valor Econômico, executivos que comandam incorporadoras e construtoras explicavam que, além de atrair empresas para o país, o crescimento da economia estimula as companhias aqui instaladas a mudar para escritórios maiores e mais confortáveis, fato que determina a procura por conjuntos de alto padrão.

Brascan Century Plaza, São Paulo, Königsberger Vannucchi
Brascan Century Plaza, São Paulo, Königsberger Vannucchi
 
Loducca, São Paulo, Triptyque
Loducca, São Paulo, Triptyque
 
Nem sempre esses empreendimentos prezam a boa arquitetura, mas ao longo de suas edições PROJETO DESIGN conseguiu amealhar alguns exemplares que merecem destaque. Um deles é o Brascan Century Plaza, em São Paulo, de Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, constituído por três torres independentes articuladas, no nível da rua, por uma praça aberta ao público.

Para chegar ao Brascan, Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi, que flertaram com o pós-moderno na década de 1990, ensaiaram antes com o projeto do Stadium, em Alphaville, também com três prédios, porém geminados.

Mais ousado na estética foi Ruy Ohtake, com o conjunto de múltiplo uso Ohtake Cultural. Em termos programáticos, ele pertence à mesma genealogia do Continental Square Faria Lima, desenhado por Aflalo & Gasperini Arquitetos, seguramente o escritório com mais projetos de torres comerciais relevantes implantadas na década. São de sua autoria, em São Paulo, o E-Tower e o Eldorado Business Tower, este criando interessante conexão com um shopping center.

Nas edificações mais recentes, a preocupação recorrente dos autores é atender preceitos de sustentabilidade - o Rochaverá Corporate Towers foi um dos primeiros empreendimentos a receber certificação Leed.

Eldorado Business Tower, São Paulo, Aflalo & Gasperini
Eldorado Business Tower, São Paulo, Aflalo & Gasperini
 
DVR Alphaville, Barueri, SP, Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi
DVR Alphaville, Barueri, SP, Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi
 
Do mesmo escritório, o edifício Eudoro Villela completa o conjunto da sede do grupo Itaú, em São Paulo, e foi desenvolvido em parceria com a Superintendência de Arquitetura da instituição. Aliás, foi o Itaú que, ao adquirir a operação brasileira do BankBoston, incorporou a seus ativos a construção que Skidmore, Owings & Merrill (SOM), de Chicago, e o Escritório Técnico Júlio Neves desenharam para o grupo norte-americano.

Já a unidade novaiorquina do SOM aliou-se a Pontual Arquitetura para fincar, na zona sul de São Paulo, o Birmann 31. O prédio assinala o ocaso da Birmann, que na década anterior fora uma das principais empreendedoras brasileiras no segmento de edifícios comerciais.

Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, Rio de Janeiro, STA
Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, Rio de Janeiro, STA
 
Centro Comercial e de Serviços, São Paulo, Núcleo de Arquitetura
Centro Comercial e de Serviços, São Paulo, Núcleo de Arquitetura
 
Nesse cenário, surpreendente é a “pitada de fantasia” que o habitualmente sisudo Marc Rubin, sócio de Botti Rubin Arquitetos, procurou inserir na marginal do Pinheiros, em São Paulo, com a planta ovalada e o gabarito reduzido do Landmark.

No segmento de edifícios comerciais, poucas foram as novas construções em altura no Rio - uma delas é a Torre Almirante, de Pontual Arquitetura e Robert Stern Architects. Já os conjuntos do tipo office park, implantados na região da Barra, conseguiram certa projeção. Entre eles, o Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, do estúdio STA Arquitetura; e o Barra Trade III e Barra Trade V, desenhados pelo escritório Ecotech.
Sedes de empresas também renderam boas soluções arquitetônicas na década. Uma das mais significativas, a SAP Labs Brazil, fica em São Leopoldo, RS, e tem a autoria compartilhada entre Eduardo de Almeida e César Shundi Iwamizu.

O edifício abriga laboratórios de criação de softwares e fica no campus da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Outra corporação que apostou num projeto diferenciado foi a Serasa, cujas instalações, em São Paulo, foram criadas pelo escritório Edo Rocha Espaços Corporativos. Incomum é a configuração - um círculo interceptado por um triângulo - do edifício administrativo da Ypioca, em Fortaleza, construído a partir de projeto de Nasser Hissa Arquitetos.

Faz parte dessa boa safra a sede paulistana da Marisol, marca de roupas e calçados infantis, desenhada pelo escritório Rocco Associados. Outra empresa do ramo têxtil em São Paulo, a Gul foi projetada pelos arquitetos Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara.

Torre Almirante, Rio de Janeiro, Pontual Arquitetura e Robert Stern
Torre Almirante, Rio de Janeiro, Pontual Arquitetura e Robert Stern
 
Edifício comercial, Brasília, Brasil Arquitetura
Edifício comercial, Brasília, Brasil Arquitetura
 
Inusitada foi a convocação de Guilherme Paoliello e André Vainer para desenharem a sede da Itambé, que atua na administração de condomínios. O grupo mantém relações próximas com profissionais ligados ao mercado imobiliário, mas optou pela dupla, que na época nunca havia trabalhado no segmento. Maior afinidade conceitual existiu, aparentemente, entre o desenho do Triptyque para a sede da agência publicitária Loducca.

Gaúchos, os arquitetos Luciano Andrades, Gabriel Gallina e Rochelle Castro praticamente debutaram na profissão com o E Box, um contêiner suspenso que serve de escritório de um estacionamento em Porto Alegre. Também na capital do Rio Grande do Sul, merece destaque o centro comercial Jardins da Praça, criação do escritório Moojen & Marques Arquitetos Associados.

Igualmente habilidosa e expressiva é a solução plástica do pequeno prédio desenhado por Reinach Mendonça Arquitetos Associados, em São Paulo, com linguagem semelhante à que os autores usam nos projetos de casas. O conjunto de serviços em escala reduzida é ainda o mote do Centro Comercial e de Serviços desenvolvido, em São Paulo, pelo Núcleo de Arquitetura, no qual procurou-se levar a cidade para dentro do projeto. De certa forma, esse também é o ponto de partida de Eduardo Crafig, Fernanda Neiva e Rita Martinussi no edifício DVR Alphaville, em Barueri, SP.

Menos contido em sua volumetria - mas nem por isso exuberante - é o Duquesa de Goiás, elegante conjunto desenvolvido por Paulo Bruna Arquitetos Associados na capital paulista. Na marginal do Pinheiros, o Quadra Hungria, de Miguel Juliano (morto em 2009), por sua vez, recupera a tradição modernista de edifícios em lâmina.

Francisco Fannuci e Marcelo Ferraz, do estúdio Brasil Arquitetura, também recorreram à referência modernista no primeiro projeto que seu escritório desenvolveu na capital federal. Trata-se de um edifício comercial com fachadas recobertas por perfilados de madeira, para controlar a luminosidade.

Duquesa de Goiás, São Paulo, Paulo Bruna Arquitetos
Duquesa de Goiás, São Paulo, Paulo Bruna Arquitetos
 
Edifício comercial, São Paulo, Reinach Mendonça
 
Gul, São Paulo, Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara
Gul, São Paulo, Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara
 
Rochaverá, São Paulo, Aflalo & Gasperini
Rochaverá, São Paulo, Aflalo & Gasperini
 
Landmark, São Paulo, Botti Rubin
Landmark, São Paulo, Botti Rubin
 
Ohtake Cultural, São Paulo, Ruy Ohtake
Ohtake Cultural, São Paulo, Ruy Ohtake
 
 
Sem arroubos formais
SAP Labs Brazil (2007/09) - Eduardo de Almeida e César Shundi Iwamizu
Por Alberto Xavier
 
 
O edifício da SAP Labs Brazil - empresa multinacional ligada à área de criação de softwares - situa-se no campus da Unisinos, centro universitário na cidade gaúcha de São Leopoldo, e integra sua área tecnológica com o propósito de estabelecer ligação entre o conhecimento acadêmico e empresas de ponta.

Vencedor de concurso fechado, é de autoria de
Eduardo de Almeida, arquiteto de uma geração que forjou seu currículo com obras de pequeno porte - residências, no caso. Almeida seguiu a linha de muitos de seus contemporâneos, capitaneados pelo mestre Artigas, e nela permaneceu, ressalvada uma ou outra obra de grande porte, como a biblioteca Brasiliana, ora em construção no campus da Universidade de São Paulo.
É trabalho realizado em parceria com César Shundi Iwamizu, associação comum entre arquitetos. Parcerias de longo prazo, parcerias eventuais, mas quase sempre parcerias de colegas de mesma geração. Aqui, temos um registro bastante significativo: a parceria desse mestre quase octogenário (e discreto por excelência) com um jovem de idade igual ao tempo de trabalho do associado, mas apoiado em exemplar currículo - não mais uma promessa, mas já um digno representante da nova geração de arquitetos brasileiros.

O complexo, próximo a uma área francamente arborizada, é composto por
dois blocos lineares de três pavimentos - o maior, voltado para o norte, com quase cem metros de extensão e sob pilotis - articulados através de quatro volumes, um deles destinado à circulação vertical, recurso que cria um afastamento conveniente à iluminação das faces internas. Abrigam atividades com elevado grau de sofisticação, compostas essencialmente de estações de trabalho e treinamento; são espaços contínuos e descontraídos, típicos desses edifícios, com áreas próprias para descanso e convívio, e que têm na interação interior-exterior um ingrediente importante para um trabalho produtivo.

O projeto é pautado por rigoroso cuidado construtivo, mas também com a
sustentabilidade, exigência imposta pela empresa desde o início do projeto, visando a certificação Leed no nível Gold.

Coerentes com uma postura arquitetônica do mais estrito respeito às
exigências funcionais, os arquitetos não deram oportunidade, em nenhum momento, a arroubos formais. Assim, extraem dos componentes responsáveis pelo conforto os atributos plásticos que em muito enriquecem a edificação - os brises que cobrem as fachadas e o vazio entre os dois blocos em toda a sua extensão, há décadas elemento que concedeu identidade própria à arquitetura brasileira.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

 
 
 
 
 
Implantação
 
Corte esquemático

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