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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um balanço da década de 2000 - Edifícios religiosos

Capela em Valinhos, SP, Decio Tozzi
Capela em Valinhos, SP, Decio Tozzi
 
Pequenos templos particulares vencem os gigantes neoclássicos
Na década de 2000, como na anterior, o Brasil passou por um fenômeno que os especialistas chamam de trânsito religioso: a passagem de fiéis de uma igreja para outra. Resumo da ópera: o país perdeu católicos na mesma proporção que ganhou evangélicos. Mesmo sem a divulgação dos dados oficiais do censo do IBGE de 2010 a respeito, projeções confirmam esse movimento: no início dos anos 2000, 74% da população brasileira era católica (IBGE); em 2007, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas apontava esse grupo na casa de 64%.

A mesma instituição revelava que, no início da década, o número de evangélicos crescia 1% ao ano. Esse agigantamento é visível a olho nu: das pequenas às grandes cidades, é evidente o surgimento de novos templos, sem preocupações arquitetônicas de nível elevado. Grosso modo, valem-se do simulacro do clássico, presente no ornamento de construções que às vezes ocupam quase um quarteirão, como é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus em Natal e em Belo Horizonte.

A reação católica vem com o movimento carismático, que, de alguma forma, reverbera a dinâmica do culto evangélico. Nesse contexto, uma das figuras mais expressivas do período é o padre Marcelo Rossi, que encomendou a Ruy Ohtake o desenho de um enorme templo a ser construído em Santo Amaro, zona sul paulistana.

A irrelevância arquitetônica dos templos de grande porte abre clareiras para as pequenas igrejas, sobretudo do catolicismo. Outro dado interessante nessa vitória de Davi sobre Golias é que a maioria das obras de ponta foi construída em propriedades privadas: são capelas particulares que dão continuidade a uma tradição que remonta à propriedade rural do início da colonização.

Entre elas, chama a atenção a capela em Valinhos, interior de São Paulo, desenhada por Decio Tozzi. Na beira de um lago, a construção é formada somente por uma casca de concreto que se apoia em quatro pilares, com a cruz dentro da água. Também no interior paulista, e propondo uma integração diversa com a natureza, a capela em Tatuí, de Beatriz Meyer, utiliza madeira e pedra para erigir a desejada relação com o sagrado. Já no templo ecumênico que desenhou em Ibiúna, SP, Sérgio Kipnis fecha o espaço ao entorno para favorecer a concentração nas orações.

Ainda no terreno privado encontra-se a capela de Nossa Senhora da Conceição, no Recife, desenhada por Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli e construída dentro da propriedade de Francisco Brennand. O projeto se apropria das ruínas de uma antiga residência (o que a gabarita também para a análise sob o viés da revitalização, especialidade de Mendes da Rocha) e constrói a cobertura de forma inusitada, com apenas dois pilares de concreto.

Também particular, o templo ecumênico que Manoel Coelho criou em Curitiba fica dentro de um lago, em um campus privado, e liga-se à margem por uma passarela. Brises de alumínio de formato irregular singularizam a obra, em meio a outros projetos do arquiteto.

Uma das poucas obras comissionadas por uma ordem religiosa é o anexo do Convento São José, implantado em São Paulo, projeto de Ivanir Abreu e Luiz Felipe Pinto. Na mesma linha está a igreja e sede paroquial em Barueri, SP, de Mario Biselli e Paola Sauaia. Ela se destaca pela cobertura, formada, basicamente, por um plano inclinado e o trecho de um arco. O tema é frequente na produção de Biselli, autor de colégios religiosos e casas pastorais, em construção.

Entre os templos judeus, não há um destaque relevante; é digno de nota o Centro Bait, em São Paulo, desenhado por Maria Cecília e Michel Gorski. Contudo, é significativo o investimento da comunidade judaica em outros programas - culturais e hospitalares, por exemplo.

Capela em Tatuí, SP, Beatriz Meyer
Capela em Tatuí, SP, Beatriz Meyer
 
Templo ecumênico em Curitiba, Manoel Coelho
Templo ecumênico em Curitiba, Manoel Coelho
 
Capela em Ibiúna, SP, Sérgio Kipnis
Capela em Ibiúna, SP, Sérgio Kipnis
 
Igreja e sede paroquial em Barueri, SP, Mario Biselli e Paola Sauaia
Igreja e sede paroquial em Barueri, SP, Mario Biselli e Paola Sauaia
 
Anexo do Convento São José, São Paulo, Ivanir Abreu e Luiz Felipe Pinto
Anexo do Convento São José, São Paulo, Ivanir Abreu e Luiz Felipe Pinto
 
Capela no Recife, Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli
Capela no Recife, Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli

Via Projetodesign

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