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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um balanço da década de 2000 - Interiores

Loja Forum, São Paulo, Isay Weinfeld
Loja Forum, São Paulo, Isay Weinfeld
 
Possível efemeridade não inibe investimento em espaços internos
 
A loja-conceito da Forum concebida por Isay Weinfeld, na rua Oscar Freire, foi um símbolo do processo de consolidação dos Jardins como epicentro do luxo em São Paulo. O espaço mescla o rigor formal com elementos contrastantes - a parede de taipa de pilão e a escadaria de pastilhas de vidro em intenso vermelho -, e o resultado é um híbrido de monumentalidade e singeleza.

A partir dessa época, as lojas do entorno passaram por repaginações periódicas, mas a arquitetura da Forum permanece imutável. O projeto também consolidou Weinfeld - na ocasião, já um experiente projetista - como o grande protagonista dos interiores brasileiros da década.

Poucos anos depois ele concebeu a vizinha Clube Chocolate, multimarcas de origem carioca que ganhou linguagem tropical ambientada por palmeiras e muita madeira. Também Marcio Kogan dava continuidade à parceria com a confecção Uma, desenhando a loja do Shopping Higienópolis, em São Paulo.

Llusá Marcenaria, São Paulo, José Alves e Juliana Llusá
Llusá Marcenaria, São Paulo, José Alves e Juliana Llusá
 
Showroom Rimadesio Cinex, São Paulo, Decoma Design
Showroom Rimadesio Cinex, São Paulo, Decoma Design
 
O projeto associou a visualidade etérea da fachada em policarbonato translúcido com o viés tecnológico da iluminação dinâmica e colorida. 

Algo similar à essência minimalista da Jefferson Kulig na rua Bela Cintra, criada em parceria por Camila Fabrini e Marta Moreira, um singelo exemplo da linha afeita ao moderno paulista - de que são modelos os projetos de Aurelio Martinez Flores e da dupla José Alves e Juliana Llusá paras as lojas de móveis Montenapoleone e Llusá Marcenaria.

São volumes suspensos, em balanço ou com apoio central, aos quais se somam superfícies revestidas, iluminação cenográfica e objetos de design, e tem-se a variante das lojas com dose extra de sofisticação. É o caso ainda, em São Paulo, do showroom de móveis e esquadrias Rimadesio Cinex, criado pela equipe da Decoma Design; da loja de móveis Micasa, de autoria do estúdio Triptyque; e da Mandi, projeto de Gui Mattos.

Loja Mandi, São Paulo, Gui Mattos
Loja Mandi, São Paulo, Gui Mattos
 
Havaianas, São Paulo, Isay Weinfeld
Havaianas, São Paulo, Isay Weinfeld
 
Outra vertente foi a de enfoque no design expositivo, como a pioneira Graça Ottoni, de Benedito Fernando Moreira; a World Wine, de Couto e Vasconcelos Arquitetura; e mais recentemente a loja das Havaianas, concebida por Weinfeld. Nesse aspecto, as livrarias protagonizaram um caso à parte na década.

Das intimistas lojas de rua do início da década, como a Mille Foglie, de Cecília Vicente de Azevedo, às novas unidades da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, projeto de Fernando Brandão, deram a virada para a parceria leitura/entretenimento.

Já a paulista Livraria da Vila ganhou projetos sofisticados de Weinfeld - nos Jardins e no Shopping Cidade Jardim -, que encontram correspondência na elegância e circunspecção da proposta de Bel Lobo para a Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, no Rio. Prevaleceu na arquitetura corporativa a solução do espaço total, por vezes integrando de fato, por vezes apenas sugerindo a união dos ambientes.

No início da década, André Vainer e Guilherme Paoliello assumiram o partido industrial do galpão em que foi implantada a agência de publicidade Neogama, em São Paulo, deixando à mostra as instalações, a cobertura de telha ondulada e a elevada altura interna.

Os mezaninos com que setorizaram o programa ocuparam volumes autônomos e envidraçados, ora intercalados a superfícies coloridas que contrabalançam a aparência impessoal da arquitetura. Ao longo da década, os escritórios de publicidade acabaram por dar vida à vertente cenográfica dos interiores corporativos, nas suas variantes do tecnológico ao fluido, à linguagem orgânica.

Destacam-se a profusão de vidros curvos e coloridos, os contrastes intensos de tonalidades, de matiz ou de texturas dos materiais, características presentes nos projetos da Francis-SP e da agência Y&R, ambos do NPC Grupo Arquitetura, e na MatosGrey, de Rocco Associados.

Também marcantes são a visualidade purista do projeto do escritório carioca Bernardes & Jacobsen Arquitetura para a agência MPM, em São Paulo, e a arquitetura orgânico paulista da agência Loducca nos Jardins, concebida pelo Triptyque. Na primeira a madeira é protagonista, empregada com rigor geométrico, enquanto na segunda misturam-se as superfícies de concreto aparente com o invólucro sinuoso de madeira da fachada.

Nos anos derradeiros da década, a sustentabilidade entrou na pauta da arquitetura corporativa, sendo exemplos os projetos de Betty Birger para a sede administrativa da Organização Odebrecht, no edifício Eldorado Business Tower, preparado para receber certificação Leed e de Moema Wertheimer para a Boehringer Ingelheim Brasil, ambos localizados em São Paulo.

A gastronomia foi pauta recorrente na década. Em meio à profusão de restaurantes, bares sofisticados ou despretensiosos, padarias e cafés com ares de armazém, iogurterias, sorveterias, frutarias para a longa permanência, chefes festejados, além de espaços para culinárias regionais, os anos 2000 viram o surgimento de inúmeros restaurantes.

A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, e o Gero no Rio de Janeiro, de Fernando Iglesias e Aurelio Martinez Flores, respectivamente, simbolizam o contraponto à efemeridade de muitos dos empreendimentos gastronômicos, permanecendo na ordem do dia em virtude do aspecto atemporal da relação entre o construído e o natural no Rubaiyat e do misto de rigor artesanal e frescor da arquitetura de Flores.

Loja Graça Ottoni, Belo Horizonte, Benedito Fernando Moreira
Loja Graça Ottoni, Belo Horizonte, Benedito Fernando Moreira
 
Livraria Cultura/Conjunto Nacional, São Paulo, Fernando Brandão
Livraria Cultura/Conjunto Nacional, São Paulo, Fernando Brandão
 
Livraria da Vila/Shopping Cidade Jardim, São Paulo, Isay Weinfeld
Livraria da Vila/Shopping Cidade Jardim, São Paulo, Isay Weinfeld
 
Francis-SP, São Paulo, NPC Grupo Arquitetura
Francis-SP, São Paulo, NPC Grupo Arquitetura
 
Agência Y&R, São Paulo, NPC Grupo Arquitetura
Agência Y&R, São Paulo, NPC Grupo Arquitetura
 
De modo análogo, o projeto de André Vainer e Marcelo Ferraz para o restaurante e choperia do Sesc Pompeia destaca-se tanto pelo caráter histórico do diálogo com a arquitetura de Lina Bo Bardi, como pela coerência do conceito de espaço coletivo e produção seriada.

Mauro Munhoz flertou com a linguagem dos projetos residenciais na volumetria e na espacialidade da Hamburgueria Nacional, localizada em São Paulo, reproduzindo os grandes panos do telhado em água e a proporção horizontal recorrentes nas casas de sua autoria.

Também veio a público a veia espacial do designer e arquiteto Carlos Motta, autor do projeto da pizzaria Quintal do Brás, onde a exuberância da vegetação no pátio posterior faz lembrar a parede verde que Arthur Casas colocou em destaque no restaurante Kaá, de culinária contemporânea.

Por outro lado, foi vasto nos últimos dez anos o panorama estético dos restaurantes de comida japonesa, desde o mais tradicional Kosushi, também de Arthur Casas, até o pop Shimo, de Marcelo Rosenbaum.

Este buscou inspiração na atual visualidade urbana do Japão, iniciativa adotada também em vertente de projetos baseados no resgate de regionalismos gastronômicos e culturais. É o caso, por exemplo, do restaurante Dalva e Dito, criado por Rosenbaum para o chefe Alex Atala.

Agência MPM, São Paulo, Bernardes & Jacobsen Arquitetura
Agência MPM, São Paulo, Bernardes & Jacobsen Arquitetura
 
Agência MatosGrey, São Paulo, Rocco Associados
Agência MatosGrey, São Paulo, Rocco Associados
 
Sede da Odebrecht, São Paulo, Betty Birger
Sede da Odebrecht, São Paulo, Betty Birger
 
Agência Loducca, São Paulo, Triptyque
Agência Loducca, São Paulo, Triptyque
 
Agência Neogama, São Paulo, Vainer e Paoliello
Agência Neogama, São Paulo, Vainer e Paoliello
 
A Figueira Rubaiyat, São Paulo, Fernando Iglesias
A Figueira Rubaiyat, São Paulo, Fernando Iglesias
 
No extremo do design total dos espaços para a alimentação, os estúdios Mattar Design e Seragini Farné Guardado foram da escala do objeto à arquitetônica na concepção, respectivamente, da comedoria do Sesc Santana e do café Octavio, cuja volumetria arquitetônica deriva do símbolo criado para a marca.

Das boates inauguradas na década, a Disco, em São Paulo, teve projeto de Weinfeld. Recentemente reformulada, mantém o partido de longos percursos e superfícies brilhantes contrapostas à visualidade predominantemente escura dos revestimentos.

A Club Nox, de Metro Arquitetura e Juliano Dubeux, no Recife, e a mineira Roxy, de Fred Mafra, são representativas da vertente da arquitetura líquida, de espacialidade mutante, enquanto a Stereo, de Marco Domini, e a D-Edge (recentemente ampliada com projeto de Muti Randolph em parceria com Triptyque) marcaram a retomada boêmia do bairro paulistano da Barra Funda. Assim como fez o projeto de Eduardo Chalabi para o bar Volt, na baixa Augusta.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN

Comedoria do Sesc Santana, São Paulo, Mattar Design
Comedoria do Sesc Santana, São Paulo, Mattar Design
 
Restaurante Kaá, São Paulo, Arthur Casas
Restaurante Kaá, São Paulo, Arthur Casas
 
Restaurante Dalva e Dito, São Paulo, Marcelo Rosenbaum
Restaurante Dalva e Dito, São Paulo, Marcelo Rosenbaum
 
 

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