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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Hospital Israelita Albert Einstein, Unidade Perdizes, São Paulo

O recuo da edificação no térreo cria espaço para o fluxo de veículos e emergência
O recuo da edificação no térreo cria espaço para o fluxo de veículos e emergência
Volumetria assimétrica faz interlocução com o entorno
Tendo como matriz arquitetônica - no que diz respeito, principalmente, à caixilharia marcante - o projeto de ampliação da fase mais recente do Albert Einstein, o hospital em Perdizes é a primeira grande unidade longe da sede no Morumbi.
A unidade Perdizes do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, é um edifício de volumetria horizontal, que faz da afinidade com a morfologia densa do entorno o argumento de um projeto baseado no máximo aproveitamento do lote. Tirando partido das qualidades do tecido urbano, seus recuos, fluxos e visuais, priorizou-se a implantação compacta, em monobloco, mas que parece se desmembrar em altura, acompanhando as faces de alinhamento do lote.
A concepção arquitetônica teve início em 2006, com a avaliação fundiária e a consultoria em legislação urbana. Naquele ano, a aprovação da lei municipal 14.242, de incentivo à implantação de hospitais, delineou novo panorama legal para a construção da unidade especializada em oncologia, principalmente pelo coeficiente quatro de aproveitamento. Esse potencial extra poderia ser utilizado vertical ou horizontalmente, explica Adriana Levisky, autora do projeto ao lado de Arthur Brito, arquiteto do escritório Kahn do Brasil. A opção recaiu sobre a horizontalidade, que facilita o fluxo de pacientes e da equipe médica.
A modulação em mosaico cria escala intimista nos interiores
A modulação em mosaico cria escala intimista nos interiores
 
As faces voltadas para a avenida Sumaré são envidraçadas e têm grafismos diversos
As faces voltadas para a avenida Sumaré são envidraçadas e têm grafismos diversos
A proposta previa que, além de humanizada e funcional, a unidade hospitalar deveria ser sociável. Adriana relata que, já no projeto que ela havia desenvolvido anteriormente para o plano diretor da sede do Albert Einstein, no bairro do Morumbi, esteve às voltas com o princípio da criação de espaços humanizados, qualidade que tem impacto em várias escalas, desde o sistema construtivo até a ambiência interna.
Um dos diferenciais do empreendimento é a inserção em região consolidada da cidade - ainda que de uso predominantemente residencial -, o que, em comparação com as grandes massas edificadas que a constituem, fez com que os escassos recuos do Einstein tivessem impacto atenuado no entorno. Colabora para isso a angularidade da face frontal do edifício, desmembrada em duas fachadas suspensas de vidro grafite, insulado e serigrafado.

Elas estabelecem a relação direta do ambiente hospitalar com as referências urbanas locais, pois os grafismos que as individualizam - um, linear e horizontal; o outro, um mosaico colorido - comunicam interna e externamente o posicionamento relativo da edificação. As áreas sociais e de atendimento são lindeiras às superfícies envidraçadas, que, na esquina, voltam-se para a avenida Sumaré. Os setores de serviço prolongam nos interiores o eixo funcional de acesso pela rua Apiacás.
Estruturalmente, a série de pilares periféricos e o core central, ambos de concreto, geram a planta livre do hospital em Perdizes, a fim de melhor acomodar o complexo programa. Em termos gerais, cada laje foi dividida em dois setores paralelos, delimitados pelo núcleo de escada e elevadores: a parte da frente tem vocação social, com salas de espera, de atendimento e cafés, enquanto na posterior predominam as áreas de serviços.

Os materiais e as dimensões dos ambientes de estar visam a humanização da arquitetura hospitalar
Os materiais e as dimensões dos ambientes de estar visam a humanização da arquitetura hospitalar
 
O ambiente a céu aberto, no quinto pavimento, oferece vista privilegiada para o bairro residencial
O ambiente a céu aberto, no quinto pavimento, oferece vista privilegiada para o bairro residencial
 
Fachada em mosaico de vidro no ambiente principal de recepção e espera
Fachada em mosaico de vidro no ambiente principal de recepção e espera
A interlocução da arquitetura com o empreendimento hospitalar é bem específica, relata Adriana. “São várias equipes e sistemáticas de trabalho, como se fossem vários clientes”, cujas demandas precisam ser orquestradas por uma diretriz maior. No caso, a da socialização e dos mínimos deslocamentos verticais, mesmo considerando tratar-se de uma edificação com dez pavimentos no total, metade aérea e metade enterrada.
No que se refere à sustentabilidade, a meta é obter o certificação Leed na categoria Prata. “Trabalhamos com fachada ventilada associada à pele de vidro insulado, cuja coloração grafite reduz a incidência solar nos interiores”, conclui a arquiteta.
 
O grafismo horizontal da pele de vidro foi pensado para permitir, com privacidade, a visualização do exterior
O grafismo horizontal da pele de vidro foi pensado para permitir, com privacidade, a visualização do exterior
 
O hall de entrada tem pé-direito duplo e é amplamente iluminado
O hall de entrada tem pé-direito duplo e é amplamente iluminado
 
Publicada originalmente em PROJETODESIGN | Edição 367 Setembro de 2010
Projeto: Adriana Levisky e Arthur Brito
 

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