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sábado, 18 de setembro de 2010

Comunicação Visual

Orientação de fluxos e identificação de ambientes em um hospital
Os sistemas de sinalização são desenvolvidos para informar, direcionar e orientar as pessoas para que consigam se locomover e encontrar o que procuram. Em um ambiente hospitalar, a comunicação visual permite o poder de decisão e acesso a informação, em um espaço onde a situação de desconforto emocional está, quase sempre, presente.

O ambiente hospitalar ajuda a atenuar o estresse gerado pelo contexto da debilidade física e psicológica do usuário. O imaginário coletivo identifica o ambiente hospitalar como algo desagradável, um local de medo, insegurança e de dor. Segundo a designer Valéria Grevy, realizar interferências arquitetônicas e visuais nesse tipo de ambiente é reformular a idéia do que a população pensa sobre um ambiente médico. Apresentar um ambiente visualmente organizado e limpo, mostrando uma concepção de saúde e não de doença é um avanço para a humanização hospitalar.

O hospital carrega em seu ambiente a responsabilidade de curar pessoas enfermas ou que passaram por algum trauma, doentes e com debilidades emocionais. Para o Professor da UFRJ, Celso P.Guimarães, é por essa razão que o uso da comunicação visual deve ser bastante restrito.

Os mais liberais talvez pensem que apelar para os códigos visuais possa aliviar este estado psicológico. “Mas ainda não tive a oportunidade de conhecer alguém que tivesse alguma troca amigável com hospitais, eu pelo menos quero ver hospital só em projetos”, diz Guimarães.

As mensagens em ambientes hospitalares devem dar conforto ao usuário e ajudá-lo a se sentir psicologicamente mais seguro. A relação da comunicação visual com o ambiente hospitalar deve ter caráter social, devido à própria circunstância do ambiente.

Segunda a designer Carla Vendramini, uma sinalização mal feita causa confusão, desorientação, irritação e perda de tempo, que no ambiente hospitalar é um item precioso.

O sistema deve identificar os espaços e serviços, direcionar, transmitir avisos comportamentais e de segurança, assim como mensagens administrativas e funcionais.

Uma má sinalização pode desorientar as pessoas em seu percurso e com isso, acarretar em atrasos de consultas ou até o seu cancelamento. Como em qualquer outro ambiente, a má sinalização traz desorganização do fluxo e o aumento do estresse dos usuários.

“Por exemplo, um paciente pode perder um exame marcado, que muitas vezes é agendado com precisão de horário em função do cronograma de utilização do equipamento, por imprecisão de informações na sinalização que o levaria ao setor”.

Os ambientes hospitalares e sua comunicação visual têm que trabalhar em conjunto, sendo a parceria um item importante nessa relação, incluindo todas as pessoas que freqüentam este espaço, e a instituição.

Para Guimarães é importante que os construtores e técnicos relacionados à implantação do projeto hospitalar, se dêem conta que a comunicação visual é ornamento e não necessidade. A “Comunicação Design” (conceito cunhado pelo professor) começa quando o projeto do hospital se inicia, e não no final da obra, quando se fura paredes, coloca-se iluminação, humaniza-se o ambiente, etc. É preciso pensar na Comunicação Design como parte do projeto, junto aos investimentos da obra, caso contrário passa a se ver como um custo extra. Dependendo do projeto, os gastos são cortados se não estiverem na planilha de custos.


Hospitais e sua sinalização

Para cada hospital é necessário um sistema de sinalização que se adeqüei com suas necessidades e particularidades. O Hospital de Rio das Ostras, no interior do Estado do Rio de Janeiro, foi projetado antes de sua inauguração, o que otimiza significativamente sua etapa de implantação. Ele tem características pessoais que se adaptaram à cultura do município, interando reproduções iconográficas dos artistas daquela região aos suportes do próprio sistema de sinalização.

No Hospital Vera Cruz, clínica de tratamento psiquiátrico, em São Paulo, Jaçanã, o projeto das peças de sinalização teve que seguir regras de segurança específicas. As peças foram desenvolvidas totalmente em adesivos recortados e aplicados sobre as superfícies: portas, paredes, etc. Elas não poderiam ter arestas, superfícies rígidas, componentes em acrílico ou vidro, nem nada que proporcionasse a oportunidade do paciente em surto, usá-las para ferirse ou ferir outras pessoas.

Independente do ambiente hospitalar é importante destacar que existem sinalizações obrigatórias exigidas pela legislação como proteção contra-incêndio e segurança pessoal e as específicas da edificação hospitalar que indicam cuidado com o uso de equipamentos, cuidados com substâncias, descartes especiais, proibição de presença, etc.

Maiores exigências

Segundo a designer Grevy, as salas de Raios X, são um dos ambientes que mais necessitam sinalização, devido aos diferentes números de avisos de segurança. Nas entradas, onde se tem que informar todos os serviços prestados e oferecidos no local também é importante uma sinalização compreensível.

Nos ambientes onde são prestados serviços de urgência e emergência, e locais de grande afluxo de pessoas,como laboratórios (colheita de exames), onde existe a exigência da agilidade da comunicação, também pode ser considerado como local que merece tratamento especial.

Guimarães não acredita que qualquer ambiente possa necessitar maior ou menor quantidade de comunicação visual. “CV não é decoração, é a informação na forma de cultura decodificada em imagem, signo, e é realizada a partir de um projeto potencializado a partir de uma necessidade”. No caso dos ambientes hospitalares, se propõe gerar qualidade de vida e interação dos usuários do espaço.

As mudanças iniciais são de responsabilidade da equipe de arquitetura. Ela analisa a disposição dos serviços no ambiente em geral, separa áreas e atividades por segurança e otimização dos serviços. Após esta definição a sinalização intervém para ratificar a estrutura planejada para o melhor funcionamento de cada serviço e sua integração com todo o hospital. Assim, a primeira mudança é buscar ou reforçar o estudo da otimização dos serviços. Com isso feito analisa-se o fluxo dos usuários neste ambiente, e muitas vezes constrói-se uma nova cultura, uma nova concepção dos comportamentos nesse ambiente, focando a saúde e a humanização dos espaços.

De acordo com Vendramini, quando é uma obra nova, um edifício que está sendo finalizado, o projeto de sinalização ganha mais oportunidade de integrar-se à arquitetura e à ambientação de interiores.”O projeto de sinalização deve ser discutido com os projetistas do empreendimento para aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas, por exemplo, pelo sistema de iluminação, pelos acabamentos especificados, etc”, explica. Já, quando o projeto tem que ser implantado em uma edificação já estabelecida, o sistema tem que procurar corrigir erros e vícios existentes e reforçar os acertos. É um processo de reeducação que deve partir do anseio da diretoria e contar com a participação efetiva dos usuários, principalmente os funcionários.


Características da sinalização

A comunicação visual é destinada a todos os usuários: pacientes, familiares, visitantes, corpo médico, enfermagem e funcionários. O objetivo é otimizar o fluxo dentro do ambiente.

A sinalização tem que ser adequada, e é necessário não perder as características individuas de cada hospital, como seu publico alvo e local onde se situa. Em alguns casos, se peculiares fatores não forem percebidos, a sinalização pode ser inócua, como hábitos culturais do povo ou especificamente dos funcionários do hospital.
Em relação aos critérios de saúde, tecnicamente deve inserir-se nos parâmetros para evitar a contaminação, ou seja, utilizar materiais e um design que permita fácil limpeza para evitar acúmulo de elementos patogênicos.

A decodificação eficaz das informações deve ser clara, usando parâmetros de ergonomia (figura/ fundo, uso adequado da tipografia, dimensões, alturas, etc) e localizadas em pontos estratégicos, facilitando a compreensão.

Em um hospital existem diversos ambientes, cada qual ligado ao seu tipo de serviço. “Algumas situações somente identificamos o serviço, em outras, é necessário informar comportamentos de segurança seja para os usuários, como para os funcionários” , explica Grevy.

Outro aspecto a ser observado é a questão da segurança, tanto usuários de um ambulatório, como o de qualquer outro estabelecimento de assistência à saúde, precisam se deslocar por caminhos absolutamente garantidos: no aspecto direcional e sob a necessidade de manter-se livre de obstruções físicas, livre da possibilidade de acidentes.

“Uma sinalização mal feita é a que não leva em consideração a dimensão humana do usuário, tanto física quanto emocional”, explica Vendramini.


Diferenças entre ambientes e sua respectiva comunicação visual

Podemos verificar que existe uma proposta diferencial entre os estabelecimentos de saúde privados e os públicos. Os privados já surgiram com a cultura da proposta de humanização hospitalar, possui clientes de alto nível social e formam o olhar dos seus usuários para a existência e a importância da comunicação visual. Nos estabelecimentos públicos o enfoque da humanização dos espaços está sendo paulatinamente aplicado.

A diferença entre a comunicação de hospitais para os demais espaços se faz, principalmente, na observação de elaborar um projeto destinado a usuários com um alto nível psicológico de estresse, como também no seu projeto formal que deve pontuar os parâmetros da infecção hospitalar.

Cada projeto tem suas características individuais. A especialidade do ambiente hospitalar é um fator interessante para ser aplicado e traduzido na simbologia dos elementos gráficos a ser utilizada.

Para um hospital infantil, por exemplo, pode se usar uma linguagem gráfica mais leve. Mas Vendramini lembra que “as particularidades do design nunca devem interferir ou sobrepor à função primordial da sinalização que é de orientar o usuário”.

Perfil

VALÉRIA GREVY, Em 1978 graduada pela Escola Superior de Desenho Industrial -UERJ, com especialização em propaganda e marketing pela ESPM-RJ. Trabalhou na Casa da Moeda do Brasil, de 1974 a 1982, como membro de equipe de designers, desenvolvendo o projeto de sinalização do parque industrial da empresa, sua identidade visual e desenvolvimento de embalagens. É sóciadiretora da Grevy Conti Designers desde fevereiro de 1987, desenvolvendo produtos na área de Programação Visual e Desenho de Produto.


Perfil

PROF. CELSO P. GUIMARÃES, doutor pela PEC/COPPE/ UFRJ em Computação de Alto Desempenho, em 2006. Em 1984 se tornou Mestre em Kommunikationsdesign, pela Universidade Wuppertal / Alemanha. Em 1977 graduo-se e especializou-se pela Universidade Essen (Folkwangschule) em Visuelle Kommunikation / System Design. Desde de 1977 é Professor Adjunto da Escola de Belas Artes da UFRJ, junto a habilitação Programação Visual do Curso de Desenho Industrial, Área de Projetos de Design Coorporativo e Sistemas de Informação e Orientação, Fotografia e História do Design. Em 1980 foi Diretor e fundador do escritório Graphic Design–Rio Arquitetura e Urbanismo.
CARLA VENDRAMINI, designer graduada pela FAAP-SP em Comunicação Visual. É diretora da Formo Arquitetura Design, onde projeta edificações residenciais, comerciais, industriais, hospitalares, entre outras. Desenvolve projetos de ambientação de interiores, com especificações e detalhamentos especiais de acabamento e mobiliário. Na área de programação visual, seu trabalho direciona-se à elaboração de Sistemas de Identidade Visual e suas aplicações para empresas e franqueados.
 
Créditos: Flex Editora
 

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